www.uniaonet.com/aborto06.htm


ABORTO .
Índice :
.www.uniaonet.com/aborto02.htm
13. Pena de Morte
12.   DECRETO Nº 25123 DE 11/3/05  - RJ/RJ .
11. Discurso Dep.Fed.Pr.Frankembergen (PTB/RR)em ( 14/3/05 10. Diversos .
09. A TODOS OS QUE COMPREENDEM O VALOR DA VIDA HUMANA

08.Aborto em prol da eugenia
07.Nos Bastidores das Campanhas Pró-Aborto:
06. ABORTO NOS CASOS DIFÍCEIS:
05. Legislação
04. Navio-clínica vem a Portugal : A interrupção da gravidez envolve uma viagem de barco
03. O aborto e o nazismo
02. Aborto é aceitável nos casos previstos no código penal

01 . Uma Mão contra o Aborto . 14.  MAQUIAGEM DA  RESPONSABILIDADE. (28/3/05)

www.uniaonet.com/aborto03.htm
23. AJUDA URGENTE 5: ABORTO NO BRASIL (25/08/2005)
22. Fracassou a tentativa do governo ... (14/8/05)
21. Comissão Tripartite para a Revisão da Legislação sobre o Aborto (01/08)
20 _ A TODOS OS QUE COMPREENDEM O VALOR DA VIDA HUMANA: (20/7)
19.
O QUE ESTÁ ACONTECENDO ... REVIRAVOLTA A CAMINHO.. O QUE FAZER ( 23/06/05 )
18. STF. irá decidir sobre aborto de fetos com anencefalia.( 27/4/05 )
17. 2ª Vara Cível de Bagé/RS (26/4/05)
16. Seminário teológico usa a Bíblia para promover o aborto (21/4/05)
15. DATAFOLHA DETECTA EM SP QUEDA "ABISSAL" DA APROVAÇÃO AO ABORTO

www.uniaonet.com/aborto04.htm
31. A VOTAÇÃO FOI ADIADA . (1/12/05)
30. PROJETO DE LEI QUE LEGALIZA O ABORTO SERÁ VOTADO : 30/11/05
29. lei será votada pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados
28. projeto de lei que LEGALIZA COMPLETAMENTE O ABORTO NO BRASIL
27. AJUDA ABORTO NO BRASIL: RESULTADO DA VOTAÇÃO ( 25/10/2005)
26. A COMPLETA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO NO BRASIL SERÁ VOTADA : 19/10/05
25.LEGALIZAÇÃO DO ABORTO NO BRASIL. (24/9/05)
24. O VALOR DA VIDA HUMANA: (30/8/05)



www.uniaonet.com/aborto05.htm
37. COMPROMETIMENTO DO GOVERNO LULA E DA DEPUTADA JANDIRA 8/9/06
36. Nova composição da Comissão de Seguridade e Família 19/2/06
35. NOTÍCIAS DA VOTAÇÃO: ADIADA PARA 2006 (18/12/05)
34.os deputados a favor do aborto entraram com um requerimento para adiamento da sessão. 10/12/05
33. RESULTADO DA SESSÃO DA COM.SEGURID.SOCIAL E FAMÍLIA (6/12/05 )
32. A votação do projeto de lei do ABORTO sera votado dia 6/12/05 15:00



www.uniaonet.com/aborto06.htm

38. LEGALIZAÇÃO DO ABORTO ( 20.10.06)
39. Portugal: Sites pela Vida (08/02/2007)
40. Aborto Pr.Marcos Amazonas - Portugal ( 01.02.07)
41. ATO PÚBLICO EM DEFESA DA VIDA - 24/03/07
42. Holocausto de inocentes CÍCERO HARADA 21 Apr 2007
43. RAIO X DO FINANCIAMENTO INTERNACIONAL DO ABORTO (07/05/07)
44. REUTERS INICIA CAMPANHA MIDIÁTICA INTERNACIONAL(07/05/07)
45. Nota Pastoral do Conselho Permanente Conferência Episcopal Portuguesa .
46 . LEGISLAÇÃO EM VIGOR EM PORTUGAL:
www.uniaonet.com/aborto.htm


38 - LEGALIZAÇÃO DO ABORTO
Sexta feira, 20 de outubro de 2006
 
A TODOS OS QUE COMPREENDEM O VALOR DA
VIDA HUMANA:
 
LULA MENTE E IRÁ PROMOVER A TOTAL
LEGALIZAÇÃO DO ABORTO EM SEU SEGUNDO
MANDATO.
 
Na mensagem abaixo, você pode ler apenas a apresentação, que é
mais curta.
 
Após a apresentação encontra-se uma seção mais longa onde
encontram-se os links para os documentos oficiais que provam as
afirmações feitas na apresentação. Nenhuma afirmação desta
mensagem é sem fundamento. Se desejar certificar-se da veracidade
dos fatos, basta ler a seção mais longa e abrir os links que dão
acesso aos documentos oficiais. Confira a veracidade de todos os
fatos.
 
===============================================
 
APRESENTAÇÃO
 
VEJA COMO LULA E A MÍDIA MENTEM E
OCULTAM A VERDADE SOBRE PROJETO DO
GOVERNO DE TOTAL DESCRIMINALIZAÇÃO
ABORTO
 
===============================================
 
A Folha de São Paulo encaminhou dia 17 de outubro uma pergunta
sobre o aborto aos candidatos à presidência da República. A
pergunta da Folha de São Paulo, afirmava que
 
"um projeto de lei que está em tramitação na Câmara prevê a
descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação".
 
Em seguida a Folha perguntou aos candidatos se eles eram favoráveis
à legalização do aborto.
 
 
Há desinformações gravíssimas veiculadas pela Folha nestas poucas
linhas, repetidas de modo constante há mais de um ano por toda a
imprensa brasileira, cujo objetivo é simplesmente impedir que o
público compreenda o alcance do que realmente está sendo promovido
pelo nosso governo.
 
Não é verdade que o projeto em tramitação na Câmara prevê a
descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. O
que é verdade é que O PROJETO EXTINGUE TODOS OS
ARTIGOS DO CÓDIGO PENAL QUE
CRIMINALIZAM O ABORTO EM QUALQUER
CIRCUNSTÂNCIA, TORNANDO O ABORTO LEGAL
POR QUALQUER MOTIVO E A QUALQUER
MOMENTO, DESDE A CONCEPÇÃO ATÉ O
MOMENTO DO PARTO. A imprensa sabe disso, mas desde que
o projeto foi apresentado, ela insiste em publicar o contrário,
regular e constantemente, o que não é um descuido mas um serviço
proposital de manipulação de informação.
 
Ademais, o projeto não chegou à Câmara por sua própria
iniciativa, como se tramitasse no Congresso independentemente da
iniciativa dos candidatos à presidência. O PROJETO QUE
ESTÁ TRAMITANDO NO CONGRESSO É DE
AUTORIA DO PRÓPRIO GOVERNO LULA, QUE O
PLANEJOU COMO PRIORIDADE OFICIAL DO
GOVERNO. O governo Lula foi o autor, o apresentador e o
principal impulsionador do projeto. E enquanto outros projetos que
visam legalizar o aborto em menor extensão estão há dez, quinze e
mais anos esperando para serem votados, este projeto,
JUSTAMENTE POR SER UM PROJETO
PRIORITÁRIO DO GOVERNO, entrou em votação quase
que imediatamente, poucos dias após ser apresentado, e só não foi
ainda aprovado por causa da forte pressão de grupos a favor da vida
respaldada pelo elevado índice de reprovação ao aborto da população
brasileira.
 
Profundamente desconcertante é o fato que o próprio candidato
Alckmin, que só teria a lucrar divulgando a verdade dos fatos, em
vez de desmascarar a mentira contida na pergunta e denunciar o
envolvimento pessoal do presidente Lula com a elaboração e a
promoção deste vergonhoso projeto, limitou-se apenas a declarar ser
contra a descriminalização do aborto, parecendo posicionar-se como
se fosse conivente com o trabalho de desinformação promovido pela
imprensa junto ao público brasileiro.
 
O trabalho de desinformação que acompanha o projeto de total
descriminalização do aborto promovido pelo governo Lula somente
chegou a ser denunciado através da imprensa uma única vez, no dia 1
de dezembro de 2005, em um artigo que escrito devido à iniciativa
individual de um professor brasileiro que na época lecionava em
Washington. O artigo foi publicado entre as páginas do Diário do
Comércio de São Paulo, e nele podia-se ler que
 
"o projeto derroga todos os artigos do Código Penal que classificam
o aborto como crime. Como no texto eles são citados apenas por
número, sem menção ao seu conteúdo, o público não atina de
imediato com a importância de sua revogação. E o fato é que,
cancelada a vigência desses artigos, nenhum aborto será crime, mesmo
praticado depois de doze semanas de gravidez, mesmo praticado cinco
minutos antes do parto, mesmo praticado em bebês completamente
formados e sãos. A redação mesma da lei foi obviamente calculada
para que o público e os próprios parlamentares, acreditando aprovar
uma coisa, consentissem em outra completamente diversa. O engodo vem
ainda reforçado pela propaganda, que alardeia a permissão limitada,
bem como pela totalidade da mídia cúmplice que esconde da população
o sentido real do projeto. NÃO SE CONHECE EXEMPLO
DE TAMANHA VIGARICE LEGISLATIVA EM
TODA A HISTÓRIA DO DIREITO UNIVERSAL.
TALVEZ AINDA MAIS DEPLORÁVEL QUE O
FENÔMENO EM SI É A PLACIDEZ INDIFERENTE
COM QUE OS "FORMADORES DE OPINIÃO"
ASSISTEM A ESSA COMPLETA DEGRADAÇÃO DO
SENTIDO MESMO DA ORDEM JURÍDICA".
 
 
Porém mais desconcertante do que o desinteresse do candidato Alckmin
em desmascarar a verdade, é a resposta dada pelo presidente Lula à
pergunta da Folha. O presidente Lula simplesmente declarou:
 
"SOU CONTRA O ABORTO, MINHA MULHER,
MARISA, É CONTRA O ABORTO, E TENHO
CERTEZA DE QUE A MAIORIA DAS MULHERES
DO MUNDO É CONTRA O ABORTO. NINGUÉM FAZ
ABORTO PORQUE QUER. É PRECISO ORIENTAR
AS PESSOAS PARA QUE NÃO OCORRA A
GRAVIDEZ IMPREVISTA".
 
 
Se estivesse disposto a ser honesto, o presidente deveria ter
respondido o seguinte:
 
"O projeto que está tramitando na Câmara é de autoria do meu
governo. Em 2004 eu mesmo coloquei o projeto entre as prioridades
de meu governo no documento do Plano Nacional de Políticas para as
Mulheres. Em abril de 2005 o meu governo comprometeu-se
oficialmente junto à ONU de que extinguiríamos toda a legislação
que criminaliza o aborto no Brasil. Nesta ocasião nós prometemos
textualmente à ONU que introduziríamos no Brasil o princípio da
livre eleição no exercício da sexualidade. Em seguida, eu criei
uma Comissão Tripartite, da qual meus ministros excluíram
proposiotalmente qualquer organização que fosse contrária ao aborto,
inclusive a Igreja, para que a comissão pudesse elaborar o projeto
que foi encaminhado à Câmara. Assim que o projeto ficou pronto, em
agosto de 2005, publicamente eu menti e jurei "pela fé que recebi
da minha mãe", diante dos bispos reunidos na CNBB e para todo o
Brasil, dizendo que meu governo jamais tomaria nenhuma iniciativa para
legalizar o aborto neste país. O arcebispo do Rio de Janeiro
declarou que minha promessa era pura hipocrisia. Eu respeito a sua
opinião, mas não vou mudar o que disse. No mês seguinte meus
ministros entregaram o projeto elaborado pelo meu governo à Câmara
dos Deputados. Trata-se do projeto mais liberal em matéria de
aborto já planejado até hoje em todo o mundo. Ele simplesmente
extingue todos os artigos do Código Penal que criminalizam qualquer
tipo de aborto, independentemente do motivo e também da época da
gravidez. Qualquer tipo de aborto, desde a concepção até o momento
do parto, passa a ser um direito da mulher. É verdade que a imprensa
está veiculando que o projeto legalizaria o aborto até à 12º
semana, mas eu acho que não é atribuição do presidente corrigir as
afirmações da imprensa. Cada um tem o direito à sua própria
opinião. Ao começar o ano de 2006, fizemos um acordo para não
se tocar mais no assunto aborto por causa da repercussão negativa que o
tema poderia ter em época de eleições. Mesmo assim, em abril de
2006 o meu partido incluíu oficialmente a descriminalização do
aborto como diretriz do programa presidencial de governo para o segundo
mandato, e eu mesmo, na quarta feira dia 27 de setembro de
2006, incorporei ao meu programa pessoal de governo, no documento
intitulado "Compromisso com as Mulheres", o meu empenho de
legalizar o aborto no Brasil durante o meu segundo mandato. A Folha
me perguntou se eu sou a favor da legalização do aborto. Creio ter
sido bastante claro."
 
Esta teria que ser a resposta do presidente, se ele estivesse disposto
a não mentir e a não ocultar a verdade. Mas não é isto o que
aconteceu. O presidente mentiu e jurou em falso aos bispos do Brasil
ao dizer que o seu governo jamais tomaria nenhuma iniciativa para
legalizar o aborto no Brasil, e ele fêz isso exatamente na semana em
que a Comissão criada pelo seu governo havia terminado de redigir o
projeto que, se for aprovado, legalizará o aborto durante todos os
nove meses da gravidez. E hoje, às vésperas do segundo turno das
eleições presidenciais, ao ser perguntado se é a favor da
legalização do aborto, em vez de dizer a verdade, o presidente omite
tudo o mais e responde à Folha apenas que
 
"SOU CONTRA O ABORTO, MINHA MULHER,
MARISA, É CONTRA O ABORTO, E TENHO
CERTEZA DE QUE A MAIORIA DAS MULHERES
DO MUNDO É CONTRA O ABORTO. NINGUÉM FAZ
ABORTO PORQUE QUER. É PRECISO ORIENTAR
AS PESSOAS PARA QUE NÃO OCORRA A
GRAVIDEZ IMPREVISTA".
 
 
Toda a documentação que comprova a verdade de tudo o que estamos
dizendo está disponível na Internet e basta para assessá-la abrir
os links que estão na segunda parte desta mensagem.
 
Como as informação são manipuladas e ocultadas, é difícil para o
público perceber que o Brasil está enfrentando o maior ataque já
desencadeado contra a dignidade da vida humana que já houve em sua
história e que O NOSSO PRESIDENTE É, NO
MOMENTO, O PRINCIPAL PATROCINADOR
INTERNO DA IMPLANTAÇÃO DE UM DOS
MAIORES ATENTADOS AO DIREITO À VIDA DA
HISTÓRIA RECENTE. A EXTENSÃO DA
LIBERALIZAÇÃO DO ABORTO ATIVAMENTE
PATROCINADA PELO GOVERNO LULA NÃO TEM
PARALELO EM NENHUMA NAÇÃO MODERNA. E isto
é feito com a parceria do governo com entidades internacionais.
 
O aborto nunca foi uma conquista de nenhuma luta travada pelas
mulheres. As pouquíssimas mulheres que aí estão envolvidas são
utilizadas como mostruário enganoso pelos verdadeiros interessados na
implantação desta prática no mundo. O problema do aborto transcende
o Brasil e representa o coroamento de investimentos estrangeiros de
várias décadas que pretendem impor o aborto não só ao Brasil como
também a toda a América Latina e a todo o mundo, COM OS
QUAIS O GOVERNO LULA É CONIVENTE. Isto
jamais será dito em nenhum órgão da imprensa. No Brasil existem
mais de duas centenas de organizações não governamentais que
trabalham para a promoção da legalização do aborto. Todas elas
são financiadas quase que inteiramente por capital estrangeiro
proveniente de fundações americanas como a Fundação Ford, a
Fundação Packard, a Fundação McArthur, a Fundação
Rockfeller e muitas outras.
 
A Fundação McArthur, por exemplo, publicou recentemente um
relatório de 60 páginas pormenorizando todos os detalhes de como,
entre os anos de 1990 e 2002, data em que o presidente Lula
foi eleito, somente ela investiu mais de 36 milhões de dólares para
promover a plena legalização do aborto no Brasil. O relatório,
intitulado "The Population and Reproductive Health Program in
Brazil 1990-2002, Lessons Learned" ("A População e o
Programa de Saúde Reprodutiva no Brasil 1990-2002,
Lições Aprendidas") encontrava-se até há pouco tempo neste
endereço pertencente à própria Fundação McArthur:
 
 
Recentemente ele foi retirado do ar, mas pode ser encontrado em
vários outros endereços na Internet, como o seguinte:
 
 
Abra este documento e veja de onde veio e para onde foi o dinheiro para
a legalização do aborto no Brasil. Leia depois à página 33
deste documento como, após mais doze anos de de trabalho e mais de
36 milhões de dólares de investimento pormenorizadamente
documentados no relatório, o texto afirma, em relação ao ano de
2002, que
 
"A MAIORIA DOS ESPECIALISTAS ENFATIZAM
QUE AGORA SOMENTE EXISTE UMA ÚNICA
GRANDE REFORMA LEGAL QUE RESTA SER
APARELHADA: A PLENA LEGALIZAÇÃO DO
ABORTO".
 
[At the same time, most experts emphasize that there is one major
legal reform that must be tackled: the full legalization of abortion:
The Population and Reproductive Health Program in Brazil
1990-2002, Lessons Learned, pg. 33]
 
Eis o motivo por que o governo Lula se dirige à ONU em abril de
2005 para garantir oficialmente que o seu governo agora está
empenhado em extinguir todas as leis que criminalizam o aborto no
Brasil, tornando-o totalmente livre desde a concepção até o
momento do parto. O governo do nosso presidente, que mente
vergonhosamente dizendo que jamais legalizará o aborto no Brasil,
está patrocinando, de comum acordo com interesses internacionais, a
implantação de um dos maiores atentados aos direitos humanos de que se
tem notícia na história moderna. Pelo plano do presidente, nenhum
ser humano antes do nascimento terá mais garantido o direito à vida no
Brasil. Por outro lado, qualquer mãe terá a qualquer momento e por
qualquer motivo, o direito de interromper a vida de seu filho.
 
O CARÁTER MONSTRUOSO DESTE PROJETO É
EVIDENTE PARA QUALQUER PESSOA QUE SEJA
CAPAZ DE UM MÍNIMO DE COERÊNCIA. Qualquer
pessoa que já esteve em uma maternidade e teve a oportunidade de
segurar em seus braços uma criança recém nascida, sabe muito bem o
que significa uma criança aos nove meses da gravidez. São
inumeráveis os que tiveram esta experiência com o seu próprio filho
ou o seu próprio neto. Não há nenhuma pessoa de mente sadia que
possa alimentar a menor dúvida que a mulher que entregasse aquele
recém nascido ao médico que fez o parto e lhe pedisse que
interrompesse a sua vida não estaria exercendo nenhum direito
reprodutivo da mulher mas cometendo um assassinato. O que é
inacreditável é que seja exatamente isto o que o projeto elaborado
pela Comissão criada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva pretende: PERMITIR O ABORTO EM
QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA E POR QUALQUER
MOTIVO, DESDE A CONCEPÇÃO ATÉ O MOMENTO
DO PARTO.
 
E O MAIS INCRÍVEL É QUE O PRESIDENTE
PROMOVE ESTE PROJETO, MESMO TENDO BEM
CONSCIÊNCIA QUE 97% DO POVO BRASILEIRO
É CONTRÁRIO AO ABORTO. Este é o motivo que o leva a
mentir e ocultar a verdade sobre o que faz. ESTAS
INFORMAÇÕES ESTÃO SENDO MANTIDAS
OCULTAS PARA O PÚBLICO ELEITOR, PORQUE
A GRANDE MAIORIA DO POVO BRASILEIRO É
MACIÇAMENTE CONTRÁRIA À LEGALIZAÇÃO DO
ABORTO. Isto não pode proceder de uma pessoa educada no ideal
democrático. O ideal democrático não é coerente com ocultar,
mentir e manipular a informação pela mídia para impor contra a
vontade do povo aquilo que é uma vergonhosa uma violação de direitos
humanos.
 
Verifique você mesmo na pesquisa realizada pelo IBOPE em
2005, que 97% do povo brasileiro é contrário à legalização
do aborto. Confira na página 32 da pesquisa como apenas 3% das
pessoas entrevistadas se declaram a favor da liberalização do aborto:
 
 
Não é possível crer que um homem que mente tão vergonhosamente, em
um assunto de tamanha transcendência, com a conivência de toda a
imprensa, para impor contra a vontade do povo um atentado aos direitos
humanos fundamentais em uma extensão inédita na história moderna
minta apenas em questões de aborto. É possível que o presidente
ignore o que ele está fazendo na questão do aborto? É possível que
o presidente não tenha percebido o papel central que ele está
desempenhando na questão do aborto? É possível que ele esteja
promovendo tudo isto sem ter pensado claramente no que fazia e sem
tê-lo querido claramente? Neste caso já não será mais possível
avaliar a quantidade de mentiras que a presidência pode estar
veiculando ao povo brasileiro com a conivência da mídia. Não sei de
que modo uma pessoa que mente deste modo e nestas proporções possa
merecer a confiança de outra pessoa. Somente posso conjecturar para
onde pode levar a confiança de um povo em um homem que o engana deste
modo.
 
MAS POSSO DIZER QUE NÃO SE DEVE CALAR
UMA DENÚNCIA DE VIOLAÇÃO DE DIREITOS
HUMANOS POR NENHUM MOTIVO.
 
DIREITOS HUMANOS NÃO SE VENDEM.
DIREITOS HUMANOS NÃO SE TROCAM.
DIREITOS HUMANOS NÃO NEGOCIAM.
 
DIREITOS HUMANOS DEVEM SER RESPEITADOS
INCONDICIONALMENTE E SUAS VIOLAÇÕES
DEVEM SER CLARAMENTE DENUNCIADAS.
 
E tenha a certeza de que durante o ano corrente de 2006 criou-se
PROPOSITALMENTE, POR MOTIVOS
ELEITORAIS, a ilusão de que o assunto aborto havia retornado
a um segundo plano. Na realidade, o povo está sendo
DELIBERADAMENTE mantido em uma doce calmaria por parte de
políticos e da imprensa que DE CASO PENSADO ocultam fatos
para que os eleitores possam votar com tranquilidade nos candidatos que
A PARTIR DE 2007 VOLTARÃO A IMPOR A
QUALQUER CUSTO E COM TODA A FÚRIA A
COMPLETA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO NO
BRASIL.
 
Se não tem certeza sobre o que estou dizendo, leia abaixo com
atenção a documentação que prova cada uma das afirmações que estou
apresentando. Não tenha preconceito em examinar a documentação. A
DEFESA DA DIGNIDADE DA VIDA HUMANA NO
BRASIL ESTÁ AGORA INTEIRAMENTE EM SUAS
MÃOS E DEPENDE DE SUA INICIATIVA. Abra cada
um dos links abaixo e veja nos próprios documentos do governo os
registros de cada uma das coisas que estou afirmando.
 
JAMAIS A DEFESA DA DIGNIDADE DA VIDA
HUMANA DEPENDEU TANTO DE CADA UM DOS
LEITORES DESTA MENSAGEM QUANTO NESTE
MOMENTO.
 
LEIA, IMPRIMA E REPASSE ADIANTE ESTA
MENSAGEM.
 
PEÇO-LHE SUA AJUDA PARA DESFAZER A
DESINFORMAÇÃO VERGONHOSA A QUE A MÍDIA
SUBMETEU NOSSA NAÇÃO.
 
NÃO SE OMITA. NÃO CONFIE EM QUEM NÃO
RESPEITA E NÃO RECONHECE DIREITOS
HUMANOS BÁSICOS. DIREITOS HUMANOS NÃO
SE NEGOCIAM EM TROCA DE PROMESSAS.
 
NESTE MOMENTO MUITOS MILHARES DE
PESSOAS ESTÃO LENDO ESTA E VÁRIAS
OUTRAS MENSAGENS SIMILARES EM DEFESA
DA VIDA QUE CIRCULAM PELA INTERNET. A
VIDA DE MILHARES DE PESSOAS HUMANOS
DEPENDE AGORA DE SUA INICIATIVA.
 
Se você pertence a alguma Igreja ou associação que defende os
valores humanos fundamentais e o direito à vida, imprima esta
mensagem, leve-a aos dirigentes de sua Igreja ou comunidade e peça
que redijam um documento público denunciando o envolvimento do governo
Lula com este monstruoso atentado ao direito à vida. Insista para
que eles não se omitam. O assunto não é polêmico. A
documentação oficial é clara como o sol ao meio dia. O governo
está patrocinando, com ajuda internacional, um atentado sem
precedentes contra o direito fundamental à vida. O povo tem o direito
de ser informado a respeito.
 
Agradecemos novamente a todos pelo tão grande bem que estão ajudando
a promover.
 
Alberto R. S. Monteiro
 
===============================================
 
A SEGUIR:
 
A. DOCUMENTAÇÃO DAS AFIRMAÇÕES
CONTIDAS NA MENSAGEM
 
B. ENTENDA POR QUE A PROPOSTA DO
GOVERNO LULA LEGALIZA O ABORTO DURANTE
TODOS OS NOVE MESES DA GRAVIDEZ
 
===============================================
 
A. DOCUMENTAÇÃO DAS AFIRMAÇÕES
CONTIDAS NA MENSAGEM
 
===============================================
 
1. EM DEZEMBRO DE 2004, O PRESIDENTE
LULA ASSINOU UM DOCUMENTO OFICIAL
COLOCANDO ENTRE AS PRIORIDADES DE SEU
GOVERNO A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO NO
BRASIL.
 
====================================
 
Em dezembro de 2004, o presidente Lula assinou de próprio punho
o PLANO NACIONAL DE POLÍTICAS PARA AS
MULHERES, que pode ser encontrado no endereço
 
 
em cuja carta introdutória, de autoria pessoal do presidente, se lê
que
 
"O PLANO NACIONAL DE POLÍTICAS PARA AS
MULHERES FAZ PARTE DO COMPROMISSO
ASSUMIDO POR ESTE GOVERNO QUANDO DE SUA
ELEIÇÃO, EM 2002".
 
O plano, apresentado oficialmente na página 14 do documento como
"aprovado pelo próprio Presidente da República", estabelece à
página 64, entre as suas prioridades, a de número 3.6, assim
redigida:
 
"PRIORIDADE 3.6. REVISAR A LEGISLAÇÃO
PUNITIVA QUE TRATA DA INTERRUPÇÃO
VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ. PROPOSTA
MS/SPM 2005: CONSTITUIR UMA COMISSÃO
TRIPARTITE, COM REPRESENTANTES DO
PODER EXECUTIVO, PODER LEGISLATIVO E
SOCIEDADE CIVIL PARA DISCUTIR,
ELABORAR E ENCAMINHAR PROPOSTA DE
REVISÃO DA LEGISLAÇÃO PUNITIVA QUE
TRATA DA INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA
GRAVIDEZ".
 
No mês de dezembro, logo após a divulgação do Plano Nacional de
Políticas para as Mulheres, o jornal "O Estado de São Paulo"
reportou declaração da Ministra Nilcéia Freire de que a proposta
de legalização do aborto contida no Plano não era uma iniciativa
isolada da Secretaria da Política para as Mulheres, mas de todo o
Governo Lula:
 
"Depois de participar da cerimônia de entrega de prêmios de direitos
humanos, no Palácio do Planalto, a ministra da Secretaria de
Política para as Mulheres, Nilcéia Freire, disse que a revisão
da legislação sobre o aborto não é um plano da secretaria e sim do
governo. A ministra lembrou que a Conferência Nacional de
Políticas para as mulheres, realizada no meio do ano, já havia
recomendado a revisão dessa legislação".
 
 
Já em março do ano seguinte a Ministra Nilcéia Freire foi mais
além e deixou claro que o presidente Lula a havia assegurado que ele
próprio estava pessoalmente interessado e avalizando a legalização do
aborto no Brasil, e que os ministros deviam entender que a
legalização do aborto era um programa do seu governo, e não da
Secretaria da Mulheres ou dos Ministérios. Segundo a Ministra
declarou ao Estado de São Paulo:
 
"O presidente encara o Plano Nacional de Política para as
Mulheres como um programa do seu governo, não como um programa da
secretaria. Digo isso com toda a tranqüilidade. Eu mesma fiz a ele
a exposição de todas as ações previstas no plano,
INCLUINDO AS RELACIONADAS AO ABORTO, E
O PRESIDENTE SE MOSTROU TÃO
INTERESSADO QUE FALOU: "ISSO TEM DE SER
DIVULGADO EM CADEIA NACIONAL E POR
VOCÊ." Lá fui eu para a televisão e para o rádio, em rede.
Nenhum outro presidente fez isso. FICOU CLARO PARA OS
MINISTROS QUE O PRESIDENTE ESTÁ
AVALIZANDO TUDO. Não é à toa que hoje a secretaria
articula ações em diferentes ministérios."
 
 
=========================================
 
2. EM ABRIL DE 2005, O GOVERNO LULA, EM
DOCUMENTO OFICIAL ENTREGUE À ONU,
COMPROMETEU-SE INTERNACIONALMENTE A
LEGALIZAR O ABORTO NO BRASIL.
 
=========================================
 
Isto pode ser lido no documento chamado Segundo Relatório do Brasil
sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao
Comitê de Direitos Humanos da ONU em 11 de abril de 2005,
onde o governo Lula compromete-se a legalizar o aborto no Brasil
quando declara:
 
"Outro assunto que deve ser considerado é a questão dos direitos
reprodutivos. O atual governo brasileiro assumiu o compromisso de
revisar a legislação repressiva do aborto para que se respeite
plenamente o princípio da livre eleição no exercício da sexualidade
de cada um. O Código Penal brasileiro data de 1940. Apesar
das reformas que se introduziram, persistem algumas cláusulas
discriminatórias. O próprio Código estabelece duras penas para
quem aborta, exceto em casos de risco iminente para a mãe e nas
gestações frutos de estupro. A legislação brasileira ainda não se
ajustou à recomendação da Plataforma de Ação da Conferência
Mundial de 1995 sobre a Mulher, realizada em Pequim, na qual o
aborto foi definido como questão de saúde pública. O Governo do
Brasil confia que o Congresso Nacional leve em consideração um dos
projetos de lei que foram encaminhados até ele para que seja corrigido
o modo repressivo com que se trata atualmente o problema do aborto".
 
[Segundo Relatório Periódico do Brasil ao Comitê de Direitos
Humanos da ONU:
http://www.ohchr.org/english/bodies/hrc/hrcs85.htm]
 
=========================================
 
3. EM MAIO DE 2005, A COMISSÃO
TRIPARTITE, PATROCINADA PELA
SECRETARIA DAS MULHERES EM CONJUNTO
COM AS NAÇÕES UNIDAS, PASSA A DEFENDER
A INCONSTU\ITUCIONALIDADE DE QUALQUER
LEI QUE PENALIZE O ABORTO.
 
=========================================
 
A Comissão Tripartite, criada pelo Governo Federal reunindo os
maiores especialistas na questão da legalização do aborto, trabalhou
exaustivamente na elaboração o projeto da total despenalização do
aborto no Brasil desde abril até agosto de 2005 em 10 reuniões
realizadas em Brasília, todas documentadas publicamente pela
Secretaria para a Política das Mulheres. A Comissão realizou
também um seminário especial em Brasília, na terça feira dia 24
de maio de 2005, em parceria com a ONU, o Fundo de
Desenvolvimento das Nações Unidas para Mulher (UNIFEM) e
com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), cujo
objetivo oficial era demonstrar
 
"O DESCOMPASSO DO LEGISLADOR
BRASILEIRO PERANTE A LEGISLAÇÃO DO
ABORTO E A INCONSTITUCIONALIDADE DA
CRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO".
 
A partir desta data a Comissão Tripartite passou a defender não
mais a simples legalização do aborto, mas a própria
INCONSTITUCIONALIDADE DE QUALQUER
CRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO. Ademais este foi o
primeiro evento promovido pela Comissão Tripartite manifestamente
patrocinado em conjunto com as Nações Unidas, o Fundo de
Desenvolvimento das Nações Unidas para Mulher (Unifem) e com o
Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), cujos
representantes estavam presentes e participando do seminário. Todos
os links detalhados sobre as reuniões e eventos da Comissão
Tripartite foram apagados do site da Secretaria da Política das
Mulheres. O seminário sobre a Inconstitucionalidade da
Criminalização do Aborto estava descrito no endereço
 
 
Hoje apenas pode encontrar-se uma notícia mais geral sobre o
seminário da Inconstitucionalidade no site de notícias da Câmara no
endereço
 
 
=========================================
 
4. EM AGOSTO DE 2005, O PRESIDENTE LULA
JURA PELA "FÉ QUE RECEBEU DE SUA MÃE",
QUE SEU GOVERNO NÃO TEM QUALQUER
INTENÇÃO DE LEGALIZAR O ABORTO NO
BRASIL E "REAFIRMA UMA POSIÇÃO EM
DEFESA DA VIDA EM TODOS OS SEUS
ASPECTOS E EM TODO O SEU ALCANCE".
 
=========================================
 
Em um discurso que imita a simplicidade das crianças, depois que
diversos de seus ministérios, atuando em conjunto, principalmente o
Ministério da Saúde e a Secretaria para a Política das
Mulheres, organizaram a Comissão Tripartite e elaboraram o projeto
que legalizaria o aborto, em agosto de 2005 o Presidente Lula
escreveu uma carta à CNBB, amplamente divulgada em sua íntegra
pela imprensa, em que NEGA QUALQUER INTENÇÃO DE
LEGALIZAR O ABORTO NO BRASIL.
 
A carta é datada de 8 de agosto de 2005 e nela se lia:
 
"Reafirmo nosso compromisso com a afirmação da dignidade humana em
todos os momentos e circunstâncias e com a rigorosa proteção do
direito dos indefesos. Nesse sentido quero, pela minha
identificação com os valores éticos do Evangelho, e pela fé que
recebi de minha mãe, reafirmar minha posição em defesa da vida em
todos os seus aspectos e em todo o seu alcance. Nosso governo não
tomará nenhuma iniciativa que contradiga os princípios cristãos,
como expressamente mencionei no Palácio do Planalto. Luiz Inácio
Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil".
 
 
No dia seguinte o jornal O Estado de São Paulo comentava a
reação dos bispos à carta do presidente:
 
"PURA HIPOCRISIA", disse o cardeal Eusébio Scheid,
o arcebispo do Rio. "O PRESIDENTE VAI ENGANAR A
TODOS AQUI, POIS NINGUÉM SABE O QUE
ESTÁ ACONTECENDO." Para o secretário-geral da
CNBB, d. Odilo Pedro Scherer, "AS PALAVRAS DE
LULA NÃO CORRESPONDEM À REALIDADE".
 
 
É impossível deixar de ver neste episódio um impressionante paralelo
com os inúmeros casos de corrupção que tem escandalizado
continuamente o Brasil durante o governo Lula, nos quais ministros e
assessores próximos do presidente são constantemente presos em
flagrante ou acusados com abundância de provas, mas o presidente
sempre nega ter tido conhecimento do ocorrido e ninguém consegue provar
o seu envolvimento pessoal. Na questão do aborto verifica-se o mesmo
padrão de comportamente que tem sido repetidamente apresentado à
nação brasileira, sempre no intuito de preservar a imagem o
presidente de qualquer responsabilidade. No entanto, a questão do
aborto difere de todos os demais casos porque aqui onde o presidente
declara, jurando diante de todos os bispos brasileiros "pela fé da
sua própria mãe", que não tinha qualquer intenção de legalizar o
aborto no Brasil, as provas de que ele é o verdadeiro responsável
por tudo são públicas, manifestas e completas.
 
=========================================
 
5. EM SETEMBRO DE 2005 O GOVERNO LULA
ENTREGOU À CÂMARA DOS DEPUTADOS UM
PROJETO DE LEI QUE REVOGA TODOS OS
ARTIGOS DO CÓDIGO PENAL QUE DEFINEM
COMO CRIME QUALQUER TIPO DE ABORTO,
REDEFININDO A PRÁTICA COMO UM DIREITO E
TORNANDO-A LEGAL DURANTE TODA A
GRAVIDEZ.
 
=========================================
 
No dia 27 de setembro de 2005, após reunir-se com o
Presidente Lula para, conforme o jornal O Estado de São Paulo,
obter o seu aval, a Ministra Nilcéia Freire entregou a proposta do
governo para a total descriminalização do aborto no Brasil ao
Deputado Benedito Dias, presidente da Comissão de Seguridade
Social e Família da Câmara dos Deputados.
 
O jornal Estado de São Paulo assim descreveu o ato: "Após falar
com Lula, a Ministra Nilcéa Freire participou da solenidade de
entrega da proposta, que prevê a descriminação do aborto. A
Ministra conseguiu o aval para apresentar na Comissão de Seguridade
da Câmara a proposta para descriminar o aborto. A presença da
ministra foi confirmada minutos antes do início da solenidade, logo
depois de uma reunião que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva justamente para discutir o assunto".
 
 
O projeto de lei passou a tramitar na Câmara sob a forma de
substitutivo do Projeto de Lei 1135/91, por iniciativa da
deputada Jandira Feghali que a partir deste momento passou a ser a
principal aliada do governo no Legislativo na defesa do mesmo. Para
consultar o projeto, abra o site
www.camara.org.br, clique em
"Projetos de Lei e Outras Proposições", selecione
"PL-Projetos de Lei", digite os números 1135 e 1991 e
clique em "Pesquisar".
 
O texto do projeto já saíu do ar diversas vezes do site da Câmara
tanto durante o primeiro como durante o segundo turno. Caso a pesquisa
no site da Câmara dê apresente a mensagem "Out of Memory", o
texto do projeto também pode ser assessado pelo Cache do Google:
 
=========================================
 
6. EM ABRIL DE 2006 A DESCRIMINALIZAÇÃO
DO ABORTO FOI OFICIALMENTE INCLUÍDA
PELO PT COMO DIRETRIZ DO PROGRAMA DE
GOVERNO PARA O SEGUNDO MANDATO DO
PRESIDENTE LULA.
 
=========================================
 
O documento intitulado "Diretrizes para a Elaboração do Programa
de Governo", oficialmente aprovado pelo Partido dos Trabalhadores
no 13º Encontro Nacional do PT ocorrido em São Paulo entre os
dias 28 e 30 de abril de 2006, contém as seguintes
diretrizes:
 
"Diretrizes para a Elaboração do Programa de Governo -
Eleição Presidencial de 2006:
 
A vitória de Lula e das forças populares em 2006 será um passo
fundamental para dar novo impulso à mudança histórica anunciada em
2002, iniciada nos últimos três anos, e para cuja aceleração
estão criadas condições excepcionais, dentre outros fatores pelas
reformas até agora já realizadas. É necessário, assim, anunciar
as grandes diretrizes do Programa de Governo 2006, que dará novo
impulso ao processo em curso.
 
[...]
 
35. O segundo Governo deve consolidar e avançar na implementação
de políticas afirmativas e de combate aos preconceitos e à
discriminação. As políticas de igualdade racial e de gênero e de
promoção dos direitos e cidadania de gays, lésbicas, travestis,
transexuais e bissexuais receberão mais recursos. O GOVERNO
FEDERAL SE EMPENHARÁ NA AGENDA
LEGISLATIVA QUE CONTEMPLE A
DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO".
 
 
=========================================
 
7. QUATRO DIAS ANTES DO PRIMEIRO TURNO
DAS ELEIÇÕES, EM 27 DE SETEMBRO DE
2006, O PRÓPRIO PRESIDENTE LULA
INCLUIU O ABORTO EM SEU PROGRAMA
PESSOAL DE GOVERNO PARA O SEGUNDO
MANDATO
 
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Esperava-se este fato com certeza para 2007, mas não para quatro
dias antes das eleições. Dada a maciça reprovação do público
brasileiro à legalização do aborto e ao cuidado extremo que os
candidatos estão tendo ao mencionar o tema aborto em época de
eleição, o que aconteceu no dia 27 de setembro de 2006 era
simplesmente inimaginável.
 
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou na quarta
feira dia 27 um caderno de 24 páginas intitulado "LULA
PRESIDENTE: COMPROMISSO COM AS
MULHERES, PROGRAMA SETORIAL DE
MULHERES 2007 -2010", onde, apesar da linguagem
velada, REAFIRMA INEQUIVOCAMENTE SEU
COMPROMISSO EM LEGALIZAR O ABORTO NO
BRASIL.
 
O documento, que pode ser assessado no endereço
 
 
afirma que
 
"O Estado e a legislação brasileira devem garantir o direito de
decisão das mulheres sobre suas vidas e seus corpos. Para isso é
essencial promover as condições para o exercício da autonomia com
garantia dos direitos sexuais e direitos reprodutivos e de uma vida sem
violência. O Estado é para todas e todos, e deve dirigir suas
ações para a garantia de cidadania de todas as pessoas, ao invés de
se pautar por preceitos de qualquer crença ou religião".
 
[Lula Presidente: Compromisso com as Mulheres, pg. 16]
 
As próprias feministas reconhecem que o presidente está se
comprometendo inequivocamente com a legalização do aborto. Elas
apenas lamentam que Lula não tenha coragem de falar abertamente a
palavra aborto. Assim de fato escreveu Fernanda Sucupira, na Carta
Maior:
 
"Às vésperas das eleições, no entanto, as feministas lamentam que
nenhum candidato à presidência tenha se manifestado explicitamente
favorável à legalização da interrupção da gravidez indesejada.
Nesta quarta feira 27, o presidente Lula lançou em Brasília o
caderno temático "Compromisso com as Mulheres". No item que trata
de direitos reprodutivos, o documento diz que "o Estado e a
legislação brasileira devem garantir o direito de decisão das
mulheres sobre suas vidas e seus corpos. Para isso, é essencial
promover as condições para o exercício da autonomia". POR
MAIS QUE FIQUE CLARO QUE SE ESTÁ
FALANDO DE ABORTO, O TEXTO NÃO TRAZ
ESTA PALAVRA".
 
 
O repórter Fábio Zanini fêz a mesma interpretação quando
escreveu, a respeito da publicação do "Compromisso com as
Mulheres", uma matéria na Folha de São Paulo do dia 28 de
setembro, sob o título "LULA ELENCA MEDIDAS PARA
AMPLIAR ACESSO AO ABORTO, MAS EVITA
PALAVRA" que
 
"Mirando no eleitorado feminino, que lhe é tradicionalmente mais
refratário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elencou ontem
uma série de promessas para um eventual segundo mandato, incluindo a
adoção de medidas para ampliar o acesso ao aborto. No tópico sobre
direitos reprodutivos, o caderno evita a palavra "aborto". Prefere
tratar do tema de forma cifrada, mas sem deixar margem para dúvida.
"O Estado e a legislação brasileira devem garantir o direito de
decisão das mulheres sobre suas vidas e seus corpos. Para isso, é
essencial promover as condições para o exercício da autonomia com
garantia dos direitos sexuais e reprodutivos", diz o texto. O
documento fala em "formular propostas de mudanças na legislação" e
"criar mecanismos nos serviços de saúde que favoreçam a autonomia
das mulheres sobre seu corpo", mas não entra em detalhes".
 
 
Mais adiante o próprio texto do Compromisso com as Mulheres afirma:
 
"A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, vinculada
diretamente à Presidência da República, com status de
ministério, deve ser fortalecida e contar com recursos humanos e
orçamentários ampliados capazes de exercer a atribuição de garantir
a implementação do Plano Nacional de Políticas para as
Mulheres".
 
[Lula Presidente: Compromisso com as Mulheres pg. 17]
 
O Plano Nacional de Políticas para as Mulheres aqui mencionado é
aquele mesmo assinado pelo presidente em dezembro de 2004 que, à
página 64, em sua prioridade 3.6, coloca a legalização do
aborto como meta prioritária do governo Lula. Encontra-se em
 
 
Ainda no documento "Lula Presidente: Compromisso com as
Mulheres", encontra-se, à página 19:
 
"O segundo governo Lula desenvolverá ações que assegurem autonomia
das mulheres sobre seu corpo, a qualidade de vida e da saúde em toda
as fase de sua vida, respeitando a diversidade racial e étnica e a
orientação sexual das mulheres. Criará mecanismos nos serviços de
saúde que favoreçam a autonomia das mulheres sobre o seu corpo e sua
sexualidade e CONTRIBUIR NA REVISÃO DA
LEGISLAÇÃO".
 
[Lula Presidente: Compromisso com as Mulheres, pg. 19]
 
=========================================
 
8. UM PACTO DE SILÊNCIO COSTURADO PELO
GOVERNO COM POLÍTICOS, ONGS E IMPRENSA
ESCONDE ESTAS E OUTROS TEMAS
RELACIONADOS DO PÚBLICO ELEITOR.
 
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Estas informações estão sendo mantidas ocultas para o público
eleitor, porque a grande maioria do povo brasileiro é maciçamente
contrária à legalização do aborto.
 
Um detalhe significativo mostra a que ponto chega a desinformação
imposta pelos meios de comunicação sobre o público.
 
Comentando o fato de que a quatro dias das eleições do primeiro turno
o presidente Lula tenha incluído pessoalmente o aborto no seu programa
oficial de governo, o repórter da Folha afirma que isto foi feito
como uma última tentativa de conquistar
 
"o eleitorado feminino, que lhe é tradicionalmente mais
refratário".
 
 
Pode haver afirmação mais absurda do que esta? E no entanto, que
parcela dos leitores da Folha terão percebido o quanto vai de absurdo
nela? O jornalista da Folha deveria antes ter-se perguntado quanto
do eleitorado feminino o presidente terá perdido com esta aparentemente
súbita decisão. Se não foi às mulheres, a quem o presidente
estava querendo agradar?
 
O aborto nunca foi uma conquista de nenhuma luta travada pelas
mulheres. As pouquíssimas mulheres que aí estão envolvidas são
utilizadas como mostruário enganoso pelos verdadeiros interessados na
implantação desta prática no mundo. O problema do aborto transcende
o Brasil e representa o coroamento de investimentos estrangeiros de
várias décadas que pretendem impor o aborto não só ao Brasil como
também a toda a América Latina e a todo o mundo, COM OS
QUAIS O GOVERNO LULA É CONIVENTE. Isto
jamais será dito em nenhum órgão da imprensa.
 
JAMAIS A DEFESA DA DIGNIDADE DA VIDA
HUMANA DEPENDEU TANTO DE CADA UM DOS
LEITORES DESTA MENSAGEM QUANTO NESTE
MOMENTO.
 
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B. ENTENDA POR QUE A PROPOSTA DO
GOVERNO LULA LEGALIZA O ABORTO DURANTE
TODOS OS NOVE MESES DA GRAVIDEZ
 
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A proposta do governo Lula para a total descriminalização do aborto
no Brasil foi entregue no dia 27 de setembro de 2005, ao
Deputado Benedito Dias, presidente da Comissão de Seguridade
Social e Família da Câmara dos Deputados, pela Ministra
Nilcéia Freire, logo após reunir-se com o Presidente Lula para,
conforme o jornal O Estado de São Paulo, obter o seu aval. O
projeto foi entregue à relatoria da deputada federal Jandira Feghali
do PC do B do Rio de Janeiro, que a partir daí veio a ser a
principal aliada do governo e impulsionadora do projeto no legislativo,
passando a tramitar na Câmara dos Deputados sob o nome de técnico de
Substitutivo do PL 1135/91.
 
A leitura do texto do projeto de lei preparado pela Comissão
Tripartite mostra que o mesmo foi redigido em uma linguagem apropriada
para enganar o grande público.
 
No início do projeto, os artigos primeiro e segundo declaram que
 
"O Congresso Nacional decreta:
 
Art. 1º Toda mulher tem o direito à interrupção voluntária de
sua gravidez, realizada por médico e condicionada ao consentimento
livre e esclarecido da gestante.
 
Art. 2º Fica assegurada a interrupção voluntária da gravidez
até doze semanas de gestação",
 
Estes dois primeiros artigos, enganosamente, induzem o leitor
desavisado a crer que o aborto será legal apenas durante as doze
primeiras semanas de gravidez. Porém, depois de vários outros
artigos, quando o projeto já se encerra naquela seção onde as leis
costumam afirmar que "revogam-se as disposições em contrário", o
projeto da Comissão Tripartite, em vez de revogar "as disposições
em contrário", diz algo ligeiramente diferente e declara que:
 
"Art. 9º Revogam-se os arts. 124, 126, 127 e 128
do Código Penal".
 
A maioria das pessoas não sabem de memória o que são os artigos
124, 126, 127 e 128 do Código Penal. Acostumadas
dezenas de vezes, ou algumas até milhares de vezes, a saber que todas
as leis sempre terminam quase sempre pelas palavras "revogam-se as
disposições em contrário", passam adiante do artigo nono do
Projeto da Comissão Tripartite supondo que deve-se tratar de
simples burocracia jurídica.
 
Mas são justamente estes artigos revogados os que fazem toda a
diferença. Estes artigos revogados pelo Projeto são nada mais nada
menos do que simplesmente todos os artigos do Código Penal que
definem que o aborto é crime, exceto aquele que declara ser crime
provocar o aborto sem o consentimento da gestante. Isto significa que
a parte principal do projeto é justamente o último artigo, e não os
oito anteriores, e que a verdadeira causa por que o aborto deixará de
ser crime não é o artigo 2 onde se menciona o prazo de doze semanas,
mas sim o último artigo, semelhante na forma a uma disposição
redundante, mas que extingue completamente qualquer tipificação do
crime de aborto do sistema penal brasileiro, desde que não seja
praticado contra a vontade da gestante. Se não existe mais qualquer
crime de aborto, o aborto pode ser praticado em qualquer momento, por
qualquer motivo. Pode ser praticado em qualquer momento da gravidez.
As pessoas pensavam que estavam lendo um projeto que legaliza o aborto
até o terceiro mês, mas terão aprovado uma uma lei onde o aborto
estará legalizado durante todos os nove meses da gravidez, desde a
concepção até o momento do parto.
 
A armadilha foi denunciada por vários grupos a favor da vida desde o
momento em que o projeto foi apresentado, mas nunca foi publicada uma
única palavra a respeito por nenhum jornal, estação de rádio ou
canal de televisão. Ao contrário, toda a mídia repetiu
incessantemente para o público brasileiro que o projeto legalizaria o
aborto apenas durante os três primeiros meses da gestação.
 
O ocultamento do verdadeiro objetivo do projeto, o de descriminalizar
o aborto durante todos os nove meses da gestação, foi denunciado por
três especialistas convocados pela própria Câmara dos Deputados a
participar de uma audiência pública sobre o projeto apresentado,
ocorrida no Plenário 7 da Câmara dos Deputados no dia 22 de
novembro de 2005. A audiência não foi televisionada para o
público, ao contrário do que costuma acontecer em questões desta
envergadura. Os conhecidos juristas Dr. Ives Gandra Martins de
São Paulo, constitucionalista de São Paulo, Dr. Paulo
Silveira Leão, procurador no Rio de Janeiro e o Dr. Claúdio
Fonteles, ex Procurador Geral da República, denunciaram
claramente que o último artigo do mesmo liberaria totalmente o aborto
desde a concepção até o momento do parto, não importando o que os
oito artigos precedentes pudessem aparentemente afirmar em contrário.
Estavam presentes à audiência vários dos deputados que iriam votar o
tema e, em número ainda maior, os representantes da maioria dos
principais jornais do Brasil.
 
No entanto, durante as semanas seguintes, toda a imprensa no Brasil
omitiu que o projeto legalizaria o aborto durante todos os nove meses da
gestação e continuaram afirmando para o público até hoje que o
projeto liberaria o aborto apenas durante os três primeiros meses. A
única exceção a esta obra de desinformação coletiva, que não é
possível que não seja proposital a menos que a classe dos jornalistas
seja radicalmente incompetente para exercer suas atribuições de
informar, através de um artigo publicado em 1 de dezembro de
2005, no Diário do Comércio, no qual se lia que
 
"O projeto derroga todos os artigos do Código Penal que classificam
o aborto como crime. Como no texto eles são citados apenas por
número, sem menção ao seu conteúdo, o público não atina de
imediato com a importância de sua revogação. E o fato é que,
cancelada a vigência desses artigos, nenhum aborto será crime, mesmo
praticado depois de doze semanas de gravidez, mesmo praticado cinco
minutos antes do parto, mesmo praticado em bebês completamente
formados e sãos. A redação mesma da lei foi obviamente calculada
para que o público e os próprios parlamentares, acreditando aprovar
uma coisa, consentissem em outra completamente diversa. O engodo vem
ainda reforçado pela propaganda, que alardeia a permissão limitada,
bem como pela totalidade da mídia cúmplice que esconde da população
o sentido real do projeto. NÃO SE CONHECE EXEMPLO
DE TAMANHA VIGARICE LEGISLATIVA EM
TODA A HISTÓRIA DO DIREITO UNIVERSAL.
TALVEZ AINDA MAIS DEPLORÁVEL QUE O
FENÔMENO EM SI É A PLACIDEZ INDIFERENTE
COM QUE OS "FORMADORES DE OPINIÃO"
ASSISTEM A ESSA COMPLETA DEGRADAÇÃO DO
SENTIDO MESMO DA ORDEM JURÍDICA".
 
==========================================
 
C. ENTENDA COMO SÃO ENGANADAS AS
PESSOAS QUE COMEÇAM A PERCEBER O
ALCANCE DO PROJETO
 
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Temos observado que há três argumentos principais que tem sido usados
para rebater aquelas poucas pessoas que se apercebem o verdadeiro
alcance do projeto do governo Lula.
 
PRIMEIRO ARGUMENTO: NÃO É VERDADE QUE O
GOVERNO PRETENDE LEGALIZAR O ABORTO. O
QUE SE PRETENDE É APENAS
DESCRIMINALIZAR A SUA PRÁTICA. AMBAS
AS COISAS SÃO MUITO DIFERENTES.
 
Este é o argumento que foi amplamente usado pela própria deputada
Jandira Feghali e várias organizações a favor do aborto, como as
Católicas pelo Direito de Decidir. A verdade porém é que
legalizar e descriminalizar não são coisas distintas. São
exatamente a mesma coisa, considerada apenas sob dois pontos de vista
diferentes. Pela lei brasileira qualquer cidadão goza do direito de
fazer tudo o que a lei não proíbe. Portanto descriminalizar o
aborto, retirando-lhe todas as suas proibições, equivale a
legalizá-lo, sem necessidade que o próprio aborto seja declarado
legal.
 
A própria sede central da organização Católicas pelo Direito de
Decidir em Washington, nos Estados Unidos, cuja filial no Brasil
tem repetido este argumento, no número de outono de 2005 da
revista "Conscience", o órgão oficial da organização nos
Estados Unidos, admite sem discutir em um estudo sobre a situação
da legalização do aborto na América Latina que a distinção entre
legalização e descriminalização não passa de retórica:
 
"Enquanto somente uma minoria de eleitores latino americanos é a
favor do aborto no sentido de acreditar que o aborto deveria ser
livremente disponível, em muitos países estes mesmos eleitores estão
questionando se uma lei punitiva que incrimine a prática seja a
abordagem correta para o problema. Enquanto que a legalização do
aborto tem o sabor de permissividade, a descriminalização parece
significar a tranferência do problema de dentro da área jurídica. A
DIFERENÇA ENTRE OS DOIS PONTOS DE VISTA
É BASICAMENTE RETÓRICA, SEM
CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS, MAS RESSOA BEM
PARA A MAIORIA DO PÚBLICO. "Há um estigma na
palavra legalização", afirma Marianne Mollman, uma pesquisadora
de direitos femininos da Human Rights Watch, "de tal modo que os
políticos na América Latina sentem-se muito mais confortáveis ao
falar sobre descriminalização quando se trata de reformar leis
restritivas".
 
[Joanne Marnier: Latin America's Abortion Battles,
http://www.catholicsforchoice.org/

SEGUNDO ARGUMENTO: O PROJETO DE FATO
REVOGA OS ARTIGOS DO CÓDIGO PENAL QUE
CRIMINALIZAM O ABORTO (ARTIGOS 124,
126, 127 E 128), MAS É UMA ATITUDE DE
EXTREMA MÁ FÉ DIVULGAR QUE A PROPOSTA
DEFENDE O ABORTAMENTO ATÉ O NONO MÊS DE
GRAVIDEZ PORQUE, NESTE CASO, NEM MESMO
CABE O CONCEITO DE "ABORTAMENTO", MAS
SIM DE "ANTECIPAÇÃO DO PARTO".
 
Este foi o argumento usado pela jornalista responsável pelo site do
Instituto Patrícia Galvão, uma ONG que desenvolve projetos
sobre direitos da mulher.
 
O argumento foi respondido do seguinte modo no próprio blog do
Instituto por um pro vida que atende por Roberto:
 
"Mesmo se for chamado de antecipação do parto em vez de
abortamento, quando forem revogados os artigos 124, 126, 127
e 128 do Código Penal, não existirá nenhum artigo que
criminalize a antecipação do parto durante o último trimestre.
Ademais, o procedimento somente poderá ser considerado antecipação
do parto se o bebê for retirado do útero com vida. Se o bebê for
morto dentro do útero para depois ser expulso, a cirurgia não poderá
ser considerada uma antecipação do parto. Hoje se uma pessoa
realizar este procedimento será presa e enquadrada no delito de aborto
e não no de antecipação do parto, justamente aquele crime que é
definido pelos artigos 124, 126, 127 e 128 do Código
Penal. Se estes artigos forem revogados, qual seria o artigo do
Código Penal que incriminaria o procedimento? Nenhum. Portanto,
o aborto estaria descriminalizado até a hora do parto. Não existe
argumento possível de provar o contrário".
 
TERCEIRO ARGUMENTO: A PROJETO PREVÊ
UMA REGULAMENTAÇÃO QUE DE MANEIRA
ALGUMA TERIA ESTE CONTEÚDO.
 
Este argumento foi usado pela mesma jornalista responsável pelo site
do Instituto Patrícia Galvão, como contra argumento à resposta do
Roberto. Mas já foi usado várias vezes pela deputada Jandira
Feghali, a qual declarou contra os que a acusaram de legalizar o
aborto até o momento do parto que o PL 1135/91 somente
pretendia descriminalizar o aborto, mas a regulamentação depois seria
feita pelo Ministério da Saúde.
 
O mesmo autor da primeira resposta contestou este terceiro argumento da
seguinte forma:
 
"Ao contrário do que diz a jornalista, o projeto que tramita na
Câmara não prevê regulamentação alguma. Não há uma só palavra
no texto da lei que diga quem deverá regulamentá-la, nem que a lei
só passará a valer depois de regulamentada. Ao contrário, a lei
passa a valer assim que for aprovada. Se houver regulamentação,
poderá demorar anos ou décadas para tal. Enquanto isso ninguém
poderá ser impedido de praticar um aborto tardio no último trimestre
nem de oferecer publicamente o serviço. E, se em algum momento for
regulamentada, nenhuma regulamentação poderá restringir os direitos
que a lei estabelece, mas poderá apenas especificar os modos pelos
quais eles poderão ser exercidos. Por exemplo, não é crime comprar
um carro. Portanto, nenhuma regulamentação pode impedir um cidadão
de adquirir um carro; pode apenas declarar a documentação necessária
para adquiri-lo, quem terá o direito de vendê-lo, em que
circunstâncias, etc., mas de tal maneira que qualquer cidadão que
deseje adquirir um carro, preenchidas as formalidades legais da
regulamentação, sempre possa adquiri-lo. Caso alguma
regulamentação exclua efetivamente algum cidadão de comprar um
carro, caberá recurso à justiça e até mesmo ao Supremo para fazer
valer o direito. Portanto, se a lei proposta isenta de crime qualquer
tipo de aborto, nenhuma regulamentação poderá declarar como crime
aquilo que a lei não reconhece como tal. Poderá apenas, por
exemplo, exigir que no nono mês de gestação o aborto não possa ser
realizado em uma clínica particular, mas em um hospital dotado de
centro cirúrgico e UTI, [ou proibir que os hospitais públicos
realizem abortos de último trimestre]. Mas mesmo neste caso, se o
aborto for realizado em uma clínica, [ou em um hospital público],
[a prática] não constituirá crime contra a vida do nascituro, mas
simples descumprimento da regulamentação".
 
 
O CARÁTER MONSTRUOSO DESTE PROJETO É
EVIDENTE PARA QUALQUER PESSOA QUE SEJA
CAPAZ DE UM MÍNIMO DE COERÊNCIA. Qualquer
pessoa que já esteve em uma maternidade e teve a oportunidade de
segurar em seus braços uma criança recém nascida, sabe muito bem o
que significa uma criança aos nove meses da gravidez. São
inumeráveis os que tiveram esta experiência com o seu próprio filho
ou o seu próprio neto. Não há nenhuma pessoa de mente sadia que
possa alimentar a menor dúvida que a mulher que entregasse aquele
recém nascido ao médico que fez o parto e lhe pedisse que
interrompesse a sua vida não estaria exercendo nenhum direito
reprodutivo da mulher mas cometendo um assassinato. O que é
inacreditável é que seja exatamente isto o que o projeto elaborado
pela Comissão Tripartite organizada pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva pretende: PERMITIR O ABORTO EM
QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA E POR QUALQUER
MOTIVO, DESDE A CONCEPÇÃO ATÉ O MOMENTO
DO PARTO.
 
ENTENDA COMO É TERRÍVEL O TRABALHO DE
DESINFORMAÇÃO QUE É FEITO JUNTO AO
PÚBLICO PARA MANTER INACESSÍVEIS E
OCULTAS ESTAS INFORMAÇÕES.
 
ENTENDA TAMBÉM QUE NÃO SERIA POSSÍVEL
MOSTRAR O ALCANCE DESTA TRAGÉDIA EM
POUCAS PALAVRAS.
 
NUNCA CONSIDERE TEMPO PERDIDO O ESTUDO
DE DOCUMENTAÇÃO SÉRIA EM DEFESA DA
VIDA.
 
LEIA, IMPRIMA, ESTUDE E DIVULGUE ESTA
MENSAGEM.
 
NUNCA A DEFESA DA DIGNIDADE DA VIDA
HUMANA DEPENDEU TANTO DO TRABALHO
INDIVIDUAL DE MILHARES DE PESSOAS.

39.. Carlos Ferreira _ Segue abaixo uma lista de sites e blogs portugueses em defesa da vida, de diversas tendências. Quem souber de mais páginas, acrescente-as à lista, e divulgue!
 
Portugal: Sites pela Vida ( 08/02/2007)
 
(des)conversas em família - http://istoeumpagode.blogspot.com/
A Casa de Sarto -
http://casadesarto.blogspot.com/
A Paz Universal -
http://bahaieislao.blogspot.com/ 
A Torre de Ramires -
http://atorrederamires.blogspot.com/
A Vida é um Dom -
http://vidadom.blogspot.com/
Aborto (aaldeia.net) - http://aborto.aaldeia.net/
Aborto a pedido? Não! - http://www.abortonao.net
Aborto não, vida sim -
http://abortonaovidasim.blogs.sapo.pt/
Acção Família -
http://www.accaofamilia.pt/
Açores pela Vida -
http://acorespelavida.org
Açores pela Vida, Açores pelo NÃO - http://www.acorespelonao.blogspot.com
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40. http://www.uniaonet.com/msgmarcosamazonas.htm_ Queridos,
  
Estou a enviar-vos três crónicas que escrevi sobre a questão do aborto. Escrevi-as porque teremos um referendo aqui em Portugal sobre esta questão.
Sei que não é bom enviarmos vários texto, por isso, peço-lhes que me perdoem, mas também espero que leiam os textos e façam críticas ao mesmo.
 
Abraços,
 
nEle,  Pr.Marcos Amazonas ( 01/02/2007)

 
 
Direito de escolha
 
Vejo um debate na televisão sobre a questão do aborto. Há uma pessoa que apoia o aborto e outra que é contra. Na discussão o apoiante diz que é uma questão de escolha e de direito. A mulher tem que ter o direito de escolher e optar. Numa democracia plena, as mulheres devem ficar livres para escolher abortar ou não.
 
Escuto na rádio que a liberalização do aborto é uma questão fulcral, até mesmo para combater a corrupção e fundamentalmente o dinheiro que circula sem ser tributado. A preocupação de uma defensora do sim é com a questão fiscal. Na mesma toada, Manuel Alegre, deputado pelo partido socialista diz que é uma questão de liberdade. As mulheres devem ter o direito de optar ou não por ter uma criança. Fiquei a pensar nestes aspectos e se é uma questão de opção e liberdade, alguém que deseja praticar a eutanásia também tem este direito de escolha e esta liberdade. É uma questão de democracia.
 
Creio que acima de tudo, o aborto passa por uma questão moral. Contudo, vivemos num país de tradição cristã, mas que não vive a moral cristã. O país é laico, apesar de forte influência católica. A igreja católica assume uma postura beligerante e pede para que as pessoas votem pelo não. O povo evangélico por ser minoria, a sua voz quase não se ouve. É um facto que também é a favor do não, mas creio fundamentalmente que, tanto católicos como evangélicos precisamos ser enfáticos na nossa luta contra o aborto, mas precisamos ser pessoas que demonstram amor profundo para com as pessoas.
 
Antes de seguir este pensamento, quero voltar a questão da escolha. A mulher tem o direito de escolher abortar. Mas e o pai? Será que o pai não tem o direito de querer ver nascer o seu filho? O homem é esquecido em toda a questão. É triste ver que o pensamento é unilateral. Não quero nem falar no direito do feto. Contudo, enquanto penso neste aspecto lembro-me da canção de Vinícius de Moraes e Toquinho «O filho que eu quero ter». Mas e se a mulher não quiser, como é que ele fica?
 
O aborto é uma questão muito séria e delicada. Deve ser discutido abertamente, mas creio que devemos seguir o exemplo do doutor C. Everett Koop que era um absolutista em questões como aborto e homossexualidade que aprendeu «durante o exercício da função de chefe do Departamento de Saúde, que os absolutos cristãos não podem ser sempre impostos sobre aqueles que não compartilham dos pontos de vista cristãos. Ele aprendeu, porém, a compaixão e a misericórdia para com os excluídos e amor pelos inimigos.» É fundamental condenarmos o aborto, mas amarmos as mulheres que abortam.
 
Particularmente sou contra o aborto. Contudo, como alguém que já viveu esta experiência de perto, sabe o sofrimento e a dor que as mulheres sofrem, solidarizo-me às mulheres, mesmo não aprovando o que fazem. Contudo, minha maior luta é contra aqueles que enriquecem às custas do sofrimento destas mulheres que por uma decisão pessoal, levadas por uma série de contingências são exploradas pelas clínicas da morte. Porém, engana-se quem pensa que a legalização do aborto irá fazer com que o aborto clandestino deixe de existir. Ele continuará existindo, pois muitas jovens e mulheres maduras não terão a coragem de assumir publicamente que irão abortar porque elas têm muitas coisas que preservar.
 
Sou contra o aborto. Sou contra aqueles que o realizam. Contudo, amo e Deus sabe que é verdade, as pessoas que recorrem a tais práticas. Desejo que elas conheçam a misericórdia do Senhor.
 
Abomino as clínicas abortivas. Não concordo com os profissionais que se deixam seduzir pelo dinheiro e passam a matar crianças ainda por nascer e muitas vezes mulheres que em desespero os procuram. Não concordo com tal atitude, mas amo o ser humano que se encontra a agir assim. Sei que se ele conhecer a graça de Deus, toda a sua vida será transformada. Também é verdade que amo os profissionais que o realizam. Amo-os enquanto seres humanos e sinceramente, peço a Deus que eles possam vir a mudar de opinião e de vida. Espero que eles sejam como o doutor Bernard Nathanson, que ficou conhecido como o rei do aborto e por fim reconheceu que havia feito a pior escolha. Espero que estes profissionais possam dizer como Bernad Nathanson: «Não posso dizer como estou agradecido nem a dívida tão impagável que tenho com todos aqueles que rezaram por mim durante todos os anos nos quais me proclamava publicamente ateu. Rezaram teimosa e amorosamente por mim. Estou totalmente convencido de que suas orações foram escutadas. Conseguiram lágrimas para os meus olhos.» Que os profissionais digam isto, mas que nós cristãos intercedamos por eles diariamente.
 
A grande maioria diz que é um direito de escolha. Concordo plenamente. Eu escolho a vida. Escolho lutar pela vida das mulheres, das crianças e dos muitos profissionais que estão perdidos e seduzidos por ganhar o mundo inteiro, mas não percebem que estão a perder suas almas. Quero unir minha voz aos que afirmam que é uma questão de escolha e juntamente com eles dizer que escolho a vida. Escolho amar a todo ser humano e prezá-lo pelo que ele é.
 
Livremente e no meu direito de escolha digo não ao aborto. Contudo, de coração aberto recebo as pessoas e quero caminhar com elas para ajudá-las a tratar das suas feridas. Eu escolho livremente criar pontes que me unem ao meu semelhante e não vou abrir mão disso.
 
Sou cristão e como cristão quero viver coerentemente com a minha fé, mas sei que os meus valores não são os valores da minha sociedade. Não me deixarei vencer pelos padrões da sociedade, mostrarei a graça do Senhor na esperança que eles livremente possam optar pela vida. Jesus veio para trazer vida e espero que esta vida brote no coração das pessoas que jazem perdidas.
 
Eu escolho dizer não ao aborto. Escolho dizer sim às pessoas e amá-las independente de qualquer coisa. É esta a minha escolha e a faço livremente, faço-a seguindo o exemplo do meu Senhor que odiou o pecado, mas amou o pecador.
 
   - - -
 
 
Uma questão de fé
 
Em breve estaremos a participar de um referendo sobre a despenalização do aborto. Tive o privilégio de estar presente em um debate. Os argumentos foram apresentados de modo claro e objectivos. Cada um dos oradores defendeu seu ponto de vista. Estava um sociólogo e um jurista a expor a questão. Claro que se procurou evitar a questão religiosa, mas foi em vão.
 
Sei que a questão é muito polémica. Houve pontos em que concordei com o sociólogo e adepto do sim, mas isso não justifica o sim. Também tive muitos pontos em concordância com a posição do jurista. Contudo, creio que nesta discussão toda, o essencial está a ser posto de lado. É verdade, que os adeptos da liberalização dizem que as questão de fé não podem ser tidas em consideração neste assunto será?
 
Duas questões devem ser respondidas: O que é a vida? Qual é a origem da vida? Quaisquer que sejam as respostas para estas perguntas teremos uma premissa de fé. Senão vejamos, o criacionista dirá que a vida é um dom de Deus e tem sua origem em Deus. É uma resposta baseada na sua fé. Um ateu, ou agnóstico dirá que a vida é fruto de um processo evolutivo, é obra do acaso. É uma premissa de fé e de muita fé, pois está baseada numa teoria e não numa lei científica. Portanto, a questão sempre passará pela defesa da fé.
 
Se me perguntarem se eu quero que uma mulher que abortou seja presa, minha resposta será não. Não deseja que uma mulher que tomou uma decisão delicada venha sofrer ainda mais. Partindo do pressuposto que o aborto praticado foi algo ponderado e acompanhado de muito sofrimento. Não foi uma decisão de ânimo leve. O que na maioria dos casos não é verdade.
 
Se me perguntam se sou a favor do aborto, minha resposta é não. É uma questão de fé? Claro que sim. Creio que a vida é dom de Deus e somente Ele pode determinar o fim da mesma. Há casos excepcionais? Claro que sim, mas a excepção deve ser tratada como tal e não como regra.
 
É claro que sou a favor do planeamento familiar. Sou completamente a favor de uma educação sexual, mas esta feita de modo saudável e com princípios. Tendo um absoluto como premissa.
 
Eu sou a favor da vida, não importa se ela tem apenas um minuto. Não importa se ela é intra-uterina. É uma vida que está presente. É um ser criado à imagem e semelhança de Deus. É uma questão de fé? É claro que é, mas uma fé racional que valoriza o ser humano e toda a criação.
 
Sou pela vida e se assim não for, terei que relativizar e todo relativismo é tendencioso. Hoje posso lutar pela liberalização do aborto, amanhã pelo infanticídio. Posso também começar a defender a eutanásia, pois é uma questão de escolha. Quem irá determinar o que é certo e errado? Como escreveu Dostoiévsky: «Se não há Deus tudo é permitido». Se não há Deus, viveremos pela lei do mais forte. Teremos um sistema de salve-se quem puder.
 
O que é a vida? Continuo a concordar com Gonzaguinha quando na sua canção afirmou que a vida “é o sopro do Criador, numa atitude repleta de amor”. É isto mesmo. A vida é dom de Deus. Ela pertence a Deus.
 
A questão sobre o aborto não é uma questão ideológica. Não é uma questão filosófica. É fundamentalmente uma questão de fé. Não há como fugir disto. Uns tem fé que o homem pode definir tudo e decidir tudo, pois é o senhor do universo, é o seu próprio deus. Outros afirmam que Deus é o Criador de todas as coisas e que a vida é uma dádiva deste Criador e por isso, somente Ele pode tirá-la.
 
Eu prefiro ter fé em Deus. Prefiro depender da graça de Deus e viver em conformidade aos seus padrões do que a instabilidade humana. Deus não muda. Ele é o mesmo. O ser humano é instável e falho. Basta olharmos para a história e vermos as incoerências e as muitas atrocidades cometidas no decorrer da história. Basta olharmos para as opções que eram tomadas como sendo verdades e que depois foram mudadas.
 
A minha fé explica o que é a vida e qual a sua origem. Ela é consistente. Defende o ser humano em todos os sentidos. A minha fé valoriza a existência humana e isto porque ela afirma que Deus é o autor da vida.
 
Pois é, vamos referendar o aborto. Na realidade, iremos dizer que tipo de fé nós temos, pois tudo é uma questão de fé.
 
 - -
Por que eu opto pela vida?
 
Muita coisa tem sido dita nestes dias pré referendo. Argumentação de ambos os lados e ninguém pode dizer que as argumentações são inconsistentes. É claro que sempre existe os extremistas e estes se fazem presentes tanto nos que defendem o sim, como também nos que defendem o não.
 
Eu sou defensor do não. Não desejo ver a liberalização do aborto. Contudo, não quero ser um extremista. Penso que a lei que temos já comporta os casos excepcionais. Portanto, o que se deseja neste momento é simplesmente a legalização plena do aborto, tornando-o num método contraceptivo. É esta a minha opinião e respeito quem pensa diferente.
 
Não vou entrar em polémicas. Quero apenas responder a pergunta: Por que eu opto pela vida? Sendo assim, permitam-me traçar algumas linhas que são esclarecedoras do meu ponto de vista.
 
Eu opto pela vida porque ela é o sopro de Deus ao homem. A vida não é uma obra do acaso. O ser humano é o único ser vivente que recebeu o sopro do Criador. Deus lhe soprou o fôlego de vida. Isto me faz lembrar a música de Gonzaguinha, onde ele afirma que «a vida é o sopro do Criador numa atitude repleta de amor». Sendo assim, se eu opto pela destruição da vida, estou a dizer que não desejo a manifestação do amor do Criador. Digo que sou contra o projecto de Deus e em sã consciência não posso agir assim.
 
Eu opto pela vida porque somos feitos à imagem e semelhança de Deus. E se eu pensar o contrário, estarei a destruir a imagem de Deus. Nós somos criados à imagem e semelhança de Deus. Mas o que é isto de imagem e semelhança de Deus?
 
O homem nos lembra Deus. Ele é uma escultura que representa o modelo, mas não é como Deus. Jesus Cristo sim, é a expressa imagem de Deus e nós só seremos como ele quando formos glorificados e o pecado for superado. Mas o que significa a imagem de Deus?
 
Há pelo menos oito declarações que apontam onde o ser humano é imagem de Deus.
 
1) O homem se assemelha a Deus em sua natureza racional.
 
2) O homem se assemelha a Deus na sua natureza moral
 
3) O homem se assemelha a Deus na sua natureza emocional
 
4) O homem se assemelha a Deus no facto de possuir vontade
 
5) O homem se assemelha a Deus no facto de ter liberdade
 
6) O homem se assemelha a Deus na liberdade original do pecado e sua propensão à santidade
 
7) O homem se assemelha a Deus na capacidade de exercer domínio sobre ordens inferiores
 
8) O homem se assemelha a Deus na sua imortalidade. Não é eternidade, mas imortalidade.
 
Por tudo isto, eu opto pela vida, pois o ser humano que foi gerado tem todas estas capacidades e elas reflectem à imagem de Deus.
 
Eu opto pela vida porque o ser humano foi criado para gerar vida. É interessante ler o livro do Génesis e ver que a mulher é chamada a mãe dos viventes. Ela é geradora de vida e não de morte. A mulher é fonte de vida.  Sendo assim, nem ela e muito menos o homem podem decidir pela morte de um outro ser que está para chegar. A vida que está nela gerada tem o sopro do Criador. É um ser que traz consigo à imagem e semelhança de Deus.
 
Estas são as razões básicas porque eu opto pela vida. Sei que cada ser humano é livre de fazer sua escolha, mas também sei que cada um deve se responsabilizar pela escolha que fez. As consequências dos nossos actos são uma realidade. Podemos até não desejá-las, mas elas são reais. Portanto, eu assumo todas as consequências que possam vir por ter a coragem de assumir publicamente que sou pela vida.

41. ATO PÚBLICO EM DEFESA DA VIDA - 24/03/07
http://www.emdefesadavida.com.br 
São Paulo - SP - Brasil
 
 Quem tem COMPROMISSO com a VIDA, vai poder dizer não a uma Lei ASSASSINA. Aborto até o 9º mês, somos contra. Chame todas as pessoas que são a favor da vida e vamos nos encontrar neste sábado, às 10:30 hs na praça da Sé.
ATO PÚBLICO EM DEFESA DA VIDA 24 de março de 2007, sábado, às 10h30,
 
O ATO PÚBLICO visa sensibilizar e convidar o povo brasileiro, os governantes e o Congresso Nacional para uma rejeição efetiva ao projeto de Lei 1135/91, que legaliza o aborto até o nono mês da gravidez, procedimento este que poderá ser aplicado sem qualquer restrição.
 
Este movimento de cidadania é suprapartidário e ecumênico.
 
No evento, que será realizado em 24 de março de 2007, sábado, às 10h30, na Praça da Sé, haverá pronunciamentos de expressivas lideranças da sociedade civil e apresentação de números artísticos, somando esforços contra a imposição deste Projeto de Lei, além de promover uma reflexão sobre o papel do ser humano na sociedade.
 
Dentre as presenças confirmadas para o Ato Público podemos citar: Pe. Marcelo Rossi; Luiz Bassuma, presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida da Câmara Federal; Dom Nelson Westrupp, presidente do Conselho Episcopal Regional Sul 1- CNBB; Rev. Bispo Adriel de Souza Maia, Igreja Metodista; Dra. Marilia de Castro, coordenadora do Comitê Estadual do Movimento Nacional em Defesa da Vida, Dr. Durval Rezende Filho, Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas; Jaime Ferreira Lopes, coordenador do Movimento Nacional em Defesa da Vida; Dr. Cícero Harada, presidente da Comissão da Defesa da República e Democracia da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo; Nestor Masotti, presidente da Federação Espírita Brasileira; Dr. Ives Gandra, jurista; Dra.Marlene Nobre, médica; Marcos Caruso, ator, Luiz Carlos Gonzaga - presidente da REBRAF, Sr. Marcos Antonio Gonçalves, Presidente do Conselho Gestor da AVAPE e Conselheiro do CNAS, Dr. Rogério Pinto Coelho Amato, Secretario Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social - SEADS, Maestro José Eduardo de Paiva, LBV, Sra. Leonor Ichikawa - Diretora-Presidente Nacional da Associação de Senhoras da Seicho-No-Ie.
 
Esperamos contar com sua presença e seu apoio. (Via_Carlos) 
42. Holocausto de inocentes CÍCERO HARADA 21 Apr 2007
"Deve haver plebiscito para decidir a legalização do aborto no Brasil?"
NÃO
 
SONHOS há que são pura poesia, outros, tornam-se pesadelos, dizia Jung. Num mundo em que os devaneios tecnológicos nos embalam, somos tomados por um pesadelo: discutir o procedimento para interceptar a vida do nascituro.
O aborto, diz o Código Penal, é um crime contra a vida. Almeja-se, com a sua liberação, que se transforme num direito reprodutivo da mulher, possibilitando que se promova, numa suave expressão, "a interrupção voluntária da gravidez", que não deixa de ser, para o nascituro, a condenação à pena capital. A sua legalização será uma privatização da pena de morte.
Luto para que os institutos da democracia direta, entre eles o plebiscito, em questões de relevo, sejam desbloqueados, possibilitando maior participação direta do povo. Não obstante, no caso do aborto, estamos diante de clara ofensa à vida do nascituro. O art. 2º do Código Civil prescreve que a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro e o mais fundamental é o direito à vida, sem o qual perecem os demais.
Karl Ernest Von Baer, "pai da embriologia moderna", desde 1827, com o aumento da sensibilidade do microscópio, pôde ver o óvulo e o espermatozóide, assentando que o início da vida está na concepção. Sei que se deseja convencionar, por diversas razões de cunho utilitarista, que a vida não comece na concepção, mas que fique cada vez mais longe dela.
Sei que se pretende criar ficção jurídica para que em tal ou qual período da vida do nascituro não haja vida, na tentativa de escapar do debate a respeito desse direito fundamental. Sei que pseudo-iluministas agarrar-se-ão a Santo Tomás de Aquino, como a uma tábua de salvação, a dizer que para o Aquinate a vida começava no quadragésimo dia.
 Não sei se essa era a sua opinião, mas o Doutor Angélico, no século 13, não dispunha de um ultra-som 4 D, para acompanhar o desenvolvimento do ser humano da concepção ao nascimento, em tempo real, em movimento, em terceira dimensão, em cores e imagens de alta definição.
A Constituição, no artigo 5º, declara a inviolabilidade do direito à vida, isto é, do direito de existir, de não ter interrompido o processo vital senão pela morte espontânea. Todos nós fomos concebidos um dia e, se, em qualquer momento posterior, tivéssemos sido abortados, não existiríamos hoje. Naquele instante, todos os nossos direitos teriam sido, sem culpa e sem defesa, definitivamente aniquilados, da maneira mais radical e cruel.
O aborto constitui violação do direito à vida do nascituro, afronta o direito fundamental intangível, cláusula pétrea. Tal como a pena de morte, sua legalização não pode ser objeto nem de emenda constitucional (CF art. 60, º 4º, IV), nem de lei ordinária, não importando se por via direta (plebiscito, referendo), se por intermédio dos representantes do povo.
A questão primeira, portanto, a ser redargüida não é a de se dever ou não promover um plebiscito dessa natureza, mas, nos termos da Constituição, de se poder ou não realizá-lo. Não. É como respondo. Objetar-me-ão que o poder constituinte originário é permanente e tudo pode. Se a manifestação popular direta, nos plebiscitos, é expressão do poder originário, ela não encontra limite nas cláusulas pétreas. E eu lhes direi que, em se tratando do direito fundamental à vida, isso é impossível.
Há valores que uma nação não pode espezinhar, sob pena de responsabilizar-se perante Deus, a história e a humanidade pela insanidade perpetrada. (Há menos de uma semana, assistimos comovidos àquele imóvel e silencioso minuto, em Israel e em outras partes do mundo, em homenagem às vítimas do holocausto. Esse denunciador silêncio perpassou por milhões e milhões de almas para sacudi-las.*)  "Não matar!" Eis o mandamento, o imperativo categórico, que o modismo do estado laico germânico de então resolveu desafiar.
Cícero (106-43 a.C.) já ensinava: se a vontade dos povos, os decretos dos chefes, as sentenças dos juízes, constituíssem o direito, então para criar o direito ao latrocínio, ao adultério, à falsificação dos testamentos, seria bastante que tais modos de agir tivessem o beneplácito da sociedade (...) por que motivo a lei, podendo transformar uma injúria num direito, não poderia converter o mal num bem? É que, para distinguir as leis boas das más, outra norma não temos que não a da natureza.
Não é preciso dizer que o aborto é uma espécie de holocausto de inocentes. Será que deveríamos discutir também como legalizar os mensalões, os sanguessugas, o narcotráfico, o holocausto?
 - -
CÍCERO HARADA, 57, é advogado, procurador do Estado de São Paulo, é presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia e conselheiro da OAB.
 
* Trecho original suprimido, tendo em vista o espaço do jornal.
 
 
 
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Cicero Harada

43. RAIO X DO FINANCIAMENTO INTERNACIONAL DO ABORTO
5 May 2007_ Cícero Harada

 
 
 
 
 
Prezados Amigos.
 
O documento abaixo é da mais alta importância.
 
É longo. Se não puderem lê-lo agora, salvem o documento para ler com calma.
 
 
 
 
RAIO X DO FINANCIAMENTO
INTERNACIONAL DO ABORTO
 
 
Em 2002 Frances Kissling, presidente das Católicas pelo Direito de Decidir nos Estados Unidos, concedeu uma entrevista de mais de sete horas de duração narrando a história da organização que ela coordena até hoje. A entrevista original encontra-se no endereço
 
 
e mais adiante, nesta mensagem, o leitor encontrará a tradução de um condensado da mesma.
 
Frances Kissling preside a Catholics for Free Choice, ou Católicas pelo Direito de Decidir, uma organização internacional sediada em Washington que trabalha atualmente com a promoção do aborto nos Estados Unidos, em todos os países da América Latina e na União Européia. No momento já está iniciando sua expansão para os países da África.
 
De Católicas elas possuem apenas o nome, propositalmente escolhido para confundir. Seu verdadeiro objetivo é a implantação definitiva e irreversível da prática do aborto em todo o mundo. Para isto são financiadas, juntamente com uma numerosíssima rede de outras ONGs que atuam em um só conjunto em todo o globo para este mesmo fim, por uma outra impressionante quantidade de fundações que definem as estratégias, financiam o trabalho e não costumam aparecer para o público.
 
A entrevista é grande e o texto abaixo, embora bem menor, é ainda um pequeno resumo. Mesmo assim, os leitores desta mensagem são exortados a imprimirem o conteúdo para poder lê-lo com calma, ainda que este trabalho possa demandar algum tempo. Esta entrevista é importante não por causa do enredo da história principal, centrado na carreira de Kissling e na fundação das Catholics for Free Choice, mas pela extraordinária riqueza de detalhes paralelos que vão sendo mencionados ao longo da narrativa.
 
Estes detalhes, numerosíssimos em toda a narrativa, evidenciam a onipresença das fundações que financiam internacionalmente o aborto, e que o fazem movidos por uma ideologia totalmente diferente daquela que anima os próprios agentes que aparecem para o público como sendo os promotores do aborto. São estas fundações internacionais que já há décadas traçam as estratégias e financiam os trabalhos que serão realizados pelas organizações locais, as únicas que terão alguma visibilidade apenas para um reduzido público. Para a grande maioria do povo nem mesmo estas organizações aparecem, apesar de serem contadas em várias centenas no Brasil e em muitos milhares no estrangeiro, espalhadas por todo o globo em uma rede estrategicamente coesa e coordenada pelo financiamento das grandes Fundações. Para o grande público, no qual estão incluídos a maioria dos políticos e responsáveis pelo destino das nações, a explosão da pressão pela legalização do aborto parece ser um fenômeno natural, conseqüência inevitável do desenrolar da história, da expansão das comunicações ou do desenvolvimento político, contra o qual nada pode ser feito porque nada haveria para ser feito.
 
Poucos conhecem o gigantesco trabalho que esta máquina descomunal desenvolve no Brasil para promover o aborto e o quanto ela penetrou em todas as instâncias estratégicas da política governamental, mesmo contra a opinião da maioria do povo brasileiro, que é esmagadoramente contra não somente a prática como também contra a legalização do aborto. Muito menor é o número dos que conhecem as fundações que elaboraram toda esta estratégia, que promovem todo este trabalho e que estão todas sediadas no estrangeiro, decidindo desde lá o que deverá ser implantado no Brasil. E até mesmo para a própria Frances Kissling, que está no coração deste trabalho, como se depreende claramente de suas palavras, as verdadeiras intenções destas fundações das quais ela recebe o dinheiro para desenvolver suas atividades, estão envoltas em muitas dúvidas.
 
Para incentivar a leitura deste condensado, é interessante chamar a atenção do leitor para a importância de alguns dos numerosos detalhes que aparecem ao longo desta história e que revelam justamente aquilo que está para além da história que está sendo narrada. Espero poder incentivar o leitor a um estudo sério deste documento e também mais adiante deste mesmo assunto.
 
 
 
A. Financiamento internacional do aborto ilegal na Itália.
 
Após ter sido diretora de clínicas de aborto nos Estados Unidos, Kissling foi chamada pelas Fundações que financiam o aborto no mundo para dirigir-se à Itália e convencer as feministas italianas e o Partido Radical, já responsável na época pela aprovação do divórcio e naquele momento tentando obter a legalização do aborto na Itália, a aceitar dinheiro americano para o estabelecimento de uma rede de clínicas clandestinas de aborto no país. Kissling afirma que as feministas, em conjunto com o Partido Radical, já administravam algumas das clínicas clandestinas italianas, mas as Fundações americanas estavam dispostas a financiar muito mais.
 
 
 
B. Financiamento do aborto nos Estados Unidos.
 
A IPPF (International Planned Parenthood Federation), é uma organização multinacional fundada por movimentos feministas em Londres na década de 50 para promover o aborto em todo o mundo. Hoje a filial americana da IPPF é proprietária de uma rede que abarca 20% de todas as clínicas de aborto nos Estados Unidos e é a maior provedora de abortos americana. Mas até a total legalização do aborto nos Estados Unidos ocorrida em 1973, quando a decisão Roe x Wade da Suprema Corte legalizou o aborto até os nove meses em todo o território americano, a IPPF apenas trabalhava na propaganda pela legalização da prática e não queria entrar diretamente no negócio das clínicas "para não ser estigmatizada". Kissling afirma que foram as fundações que obrigaram a IPPF a entrarem diretamente no negócio da fundação e gerenciamento do própria prática do aborto, tornando-se hoje a maior provedora de abortos na América e do mundo.
 
 
 
C. Financiamento do aborto ilegal no Terceiro Mundo.
 
Atualmente o IPAS, com a conivência das autoridades brasileiras da saúde, ministra cursos de técnicas de aborto a mais de mil novos médicos por ano no Brasil. A desculpa é que os cursos são para capacitar os médicos a realizarem abortos em casos de estupro, mas a verdade é que a instituição quer formar no Brasil quadros imensos para prover abortos em quaisquer circunstâncias. Em janeiro de 2007 o IPAS ministrou um curso de técnicas de abortos em Manaus, na Maternidade Ana Braga. Em fevereiro de 2007 no Rio de Janeiro, no Hospital Fernando de Magalhães no bairro de São Cristóvão, novamente Manaus na Maternidade Moura Tapajós, na Santa Casa de Sobral no Ceará, na cidade de Palmas capital do Estado de Tocantins, ma cidade de São Paulo, no Hospital da UNIC em Cuiabá, e outros dois em Goiânia, um deles na Santa Casa de Goiânia. Em Março de 2007 foi dado um curso de técnicas de aborto no Hospital Universitário de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Em abril de 2007 estão previstos mais dois cursos no Instituto de Perinatologia da Bahia em Salvador. E em Maio de 2007 está previsto outro na própria Secretaria Estadual da Saúde em Boa Vista, Roraima. Todos estes cursos são anunciados publicamente e com antecedência há mais de dez anos, desde o primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, e ninguém jamais tomou nenhuma providência a respeito, nem na classe médica nem fora dela.
 
 
 
 
Mas nos anos 70 o IPAS era apenas um instituto norte americano de aconselhamento para a gravidez e, embora já promovesse a prática do aborto, tal como fazia a IPPF, também o IPAS não queria entrar no negócio da fundação e gerenciamento de clínicas.
 
Segundo Kissling, as mesmas fundações que obrigaram a IPPF a fundarem e gerenciarem a maior rede de clínicas de aborto nos Estados Unidos obrigaram naquela época também o IPAS a fazer o mesmo, mas nos países subdesenvolvidos, onde o aborto é ilegal. Como Kissling ela própria tinha experiência anterior no gerenciamento de clínicas de aborto e já havia feito um trabalho na Itália junto ao Partido Radical como representante das fundações que se dedicam ao financiamento do aborto, acabou por ser a escolhida para implantar as primeiras clínicas de aborto do IPAS fora dos Estados Unidos. Com o financiamento das Fundações, mas trabalhando para o IPAS, Kissling conta como venceu a resistência dos médicos austríacos e abriu a primeira clínica de abortos na Áustria, onde o aborto já estava legalizado mas nenhum médico ousava abrir a primeira clínica. Em seguida ela conta igualmente como dirigiu-se para a América Latina onde conseguiu abrir para o IPAS uma clínica de aborto ilegal na capital do México.
 
 
D. Como as Fundações decidem as políticas a serem seguidas  pelos promovedores de aborto.
 
O papel decisivo das Fundações que não aparecem ostensivamente fica evidenciado mais adiante quando Kissling se viu envolvida no centro de uma disputa entre alguns sindicatos de provedores de aborto que haviam se formado nos Estados Unidos, cada um defendendo uma política diferente sobre o modo como deveria ser conduzido o negócio do aborto no país. É significativo que a decisão final não veio do consenso entre os próprios envolvidos no assunto, mas do fato que, em um determinado momento, as Fundações, em particular John Rockefeller III, decidiram financiar pesadamente apenas um dos lados envolvidos, o qual acabou vencendo em poucos meses aos demais e contratando a própria Kissling para compor o quadro de seus dirigentes.
 
 
 
E. O verdadeiro objetivo das Fundações
 
Mais intrigante ainda são as inúmeras vezes em que, em suas mais de sete horas de depoimento, Kissling afirma desconfiar das verdadeiras intenções das entidades que apóiam e financiam o seu trabalho. Feminista e defensora convicta do aborto, Kissling gostaria que as mulheres tivessem o direito de abortar porque deveriam ser elas quem decidissem sobre se devem ou não ter um filho. Mas Kissling estranha constantemente ao longo de todo o texto da entrevista o fato de que, embora as Fundações não a contradigam e a apóiem, elas parecem mais interessadas no objetivo de diminuir a população mundial do que em promover os direitos das mulheres e em particular o direito ao aborto. Kissling afirma que tudo isto é "muito complicado" e que ela própria não consegue entender claramente o que realmente se passa nos bastidores do movimento.
 
Kissling narra que na Conferência sobre População promovida pela ONU no Cairo em 1994 houve uma mudança mundial de paradigma, quando ficou decidido que a ênfase das questões populacionais passaria do próprio problema do controle populacional para a defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Mas ela própria, que participou da Conferência, passou a perguntar nos bastidores do evento aos seus principais participantes e organizadores:
 
"Se fosse provado que a promoção dos direitos reprodutivos tivesse como resultado um maior número de bebês, nós ainda continuaremos lutando por estes direitos?"
 
E é a própria Kissling que afirma em seguida:
 
"[Naquela Conferência] eu perguntei isto para um mundo de pessoas, e a maioria não queria responder a estas perguntas quando eu as fiz".
 
Segundo Kissling hoje um dos dilemas de algumas feministas consiste em que elas não sabem se podem acreditar se realmente foi "adotado um novo paradigma", ou se o trabalho delas não está sendo usado apenas como mais uma estratégia disponível entre muitas para promover a redução populacional. Conforme as suas palavras, se, então, na verdade,
 
"isso tudo não seria parte de um discurso e parte de uma estratégia para reduzir a população".
 
Kissling conclui uma destas digressões com uma expressão que, sem dizer nada, não poderia explicar melhor como ela vê, ou não consegue ver claramente, a questão:
 
"É tudo muito complicado".
 
 
 
F. O verdadeiro interesse das Fundações em financiarem o trabalho das CDDs.
 
Nos final dos anos 70 e no início dos anos Kissling tornou-se presidente das Católicas pelo Direito de Decidir, uma organização que até aquele momento existia quase que apenas nominalmente. Aqui outra vez pode-se percebe a onipresença das Fundações que se dedicam ao financiamento do aborto.
 
Nas palavras de Kissling, as Católicas pelo Direito de Decidir eram a menor entre as organizações então existentes destinadas à promoção do aborto, mas já contava com um orçamento de um quarto de milhão de dólares por ano, obtido inicialmente junto às mesmas Fundações que haviam financiado alguns anos antes a entrada da IPPF e do IPAS no mundo da rede das clínicas de aborto, com as quais Kissling já havia trabalhado. Mas foi quando as Católicas receberam uma doação simbólica de 20 mil dólares da Fundação Ford que a organização decolou. A doação era insignificante, mas, no dizer de Kissling,
 
"isto representou um ponto de virada, isto é, o fato de ter recebido uma doação da Fundação Ford. Isto significava que tínhamos sido finalmente admitidas naquele [outro] mundo".
 
Segundo uma reportagem publicada pelo New York Times em 27 de fevereiro de 2007,
 
"hoje o orçamento [anual] das Católicas pelo Direito de Decidir, [apenas da seção norte americana], é de três milhões de dólares, amplamente financiado por Fundações bem conhecidas, entre as quais a Fundação Ford".
 
[Backing Abortion Rights while Keeping the Faith:
http://www.nytimes.com/2007/02/27/us/27choice.html?pagewanted=2&_r=1] .
 
 
A filial mexicana das Católicas pelo Direito de Decidir conta com um orçamento de um milhão de dólares anuais, e a filial brasileira, a maior depois da mexicana, fundada nos anos 90 graças à intervenção da Fundação MacArthur, está situada bastante próxima disto.
 
Por que tanto interesse em promover esta organização? Kissling em sua entrevista não conta o que aconteceu depois do ponto de virada em que entraram para o outro mundo cuja porta de entrada foi a doação da Fundação Ford. Mas sabe-se que entre os empreendimentos das Católicas nos anos seguintes estiveram a organização iniciada em 1999 de uma campanha mundial chamada "See Change" ("Sé Mude") para destruir a influência da Santa Sé no debate relacionado com o aborto dentro da ONU, exigindo que as Nações Unidas deixassem de reconhecer o Vaticano como um estado independente e o rebaixasse ao status de uma simples organização não governamental como as próprias CDDs. A campanha contou com o apoio de milhões de dólares provenientes da Ford Foundation, da Hewlett Foundation, da Packard Foundation, da Buffet Foundation e outras mais. Terminou dois anos depois quando, apesar de todo o dinheiro envolvido, a Assembléia Geral da ONU confirmou por unanimidade o status da Santa Sé.
 
 
 
 
Atualmente as Católicas pelo Direito Decidir estão desenvolvendo, em parceria com o Centro de Defesa dos Direitos Reprodutivos de Nova York e a Rede da União Européia de Peritos em Direitos Fundamentais, um trabalho de pressão sobre a União Européia para que sejam revogadas várias concordatas entre os países membros e a Santa Sé e possa ser extinto na Europa o direito à objeção de consciência por parte dos médicos que alegam motivos éticos para se recusarem a realizarem abortos. O Centro de Defesa de Direitos Humanos de Nova York, que trabalha em parceria com as CDDs, é uma das muitas outras organizações que tem o apoio financeiro das mesmas Fundações que sustentam o trabalho de Kissling. Segundo as denúncias feitas recentemente por Alberto Monteiro, foi o Centro de Defesa de Direitos Humanos de Nova York a organização que orquestrou cinco anos atrás a legalização do aborto no Nepal, conforme pode ser lido à página 28 do seguinte relatório:
 
 
O Centro foi também quem orquestrou, no ano passado, a legalização do aborto na Colômbia:
 
 
e agora está treinando uma equipe de 15 advogados, em parceria com a Federação Polonesa de Mulheres e a Universidade de Varsóvia, para derrubar a posição a favor da vida do governo polonês junto à Corte Européia de Direitos Humanos:
 
 
Mas se Kissling não revela a história do que aconteceu depois de sua entrada no outro mundo pós reconhecimento da Fundação Ford, o interesse que está por trás do apoio milionário a este tipo de iniciativa está claramente delineado na sua entrevista. O problema não é diretamente a Igreja Católica. O problema é a questão da implantação do aborto em todo o mundo de uma forma irreversível.
 
Segundo Kissling, a grande idéia por trás de seu trabalho, que granjeou o apoio de tantas fundações, consiste no reconhecimento de que enquanto os movimentos se limitarem apenas a legalizarem o aborto, nenhuma conquista poderá ser definitiva. O direito ao aborto somente será definitiva e irreversivelmente estabelecido entre as mulheres quando, mais do que a legislação, puder ser derrubada a própria moralidade do aborto, e nisto a Igreja Católica não passa apenas de um alvo instrumental.
 
 
"A moral católica é a mais desenvolvida",
 
 
diz Kissling.
 
 
"Se você puder derrubá-la, derrubará por conseqüência todas as outras".
 
 
Nas palavras de Kissling:
 
 
"As pessoas neste país questionaram a legalidade do aborto, mas de tal maneira que não questionaram o tema da moralidade. A incapacidade de tratar esta questão no nível moral é uma grave ameaça para o sucesso a longo prazo do movimento a favor do aborto. Você nunca realmente irá vencer definitivamente se a questão da moralidade for levantada [tal como ela é apresentada hoje]. Se nós, como movimento, tivermos que tratar de moralidade na questão do aborto, nós perderemos, porque o discurso moral é controlado pelos homens e pela religião, e é construído contra as mulheres. O argumento dos bispos diz que o aborto é um assassinato, que abortar é matar e que a vida começa na concepção. Mas esta perspectiva católica é o lugar certo onde começar o trabalho, porque a posição católica é a mais desenvolvida. Assim, se você puder refutar a posição católica, você refutou todas as demais. Nenhum dos outros grupos religiosos realmente têm declarações tão bem definidas sobre a personalidade, quando a vida começa, fetos e etc. Assim, se você derrubar a posição católica, você ganha".
 
 
A proposta de Kissling caíu como uma luva para as Fundações que financiam o aborto no mundo. Muitos anos antes, as organizações Rockefeller já haviam passado inúmeras mensagens mais do que contundentes de que o problema populacional jamais seria resolvido sem entrar fundo nas questões éticas. Em fevereiro de 1969, cerca de dez anos antes do ingresso de Kissling na presidência das Católicas pelo Direito de Decidir, Bernard Berelson, naquela época presidente do Conselho Populacional, a entidade que ocupa o lugar de cérebro entre as organizações Rockefeller que se dedicam à questão populacional, havia publicado um estudo muito grande na revista de maior circulação do Conselho, então conhecida como "Studies In Family Planning". O estudo, que ocupava a revista inteira, vinha apresentado pelo título sugestivo de "Além do Planejamento Familiar" ("Beyond Family Planning"). No final do estudo, o autor, falando como presidente da principal das organizações Rockefeller dedicadas ao tema do controle populacional, concluía com as seguintes palavras, que na época fizeram história:
 
 
"Em alguns países as pessoas que estão tentando fornecer contraceptivos temporários como meio de controle populacional estão também relutantes em estender a prática à esterilização e firmemente opostas ao aborto, embora novamente a roda da história pareça estar movendo o mundo naquela direção sob a pressão do crescimento populacional.
 
Quanto em valores éticos estaria uma sociedade disposta a renunciar em favor da solução de um grande problema social?
 
Estas não são perguntas simples, nem fáceis de se responder".
 
 
 

 
ENTREVISTA COM FRANCES KISSLING:
 
PRESIDENTE DAS CATÓLICAS PELO
DIREITO DE DECIDIR REVELA
A HISTÓRIA DA ORGANIZAÇÃO
 
 
 
 
 
Resenha da entrevista concedida em setembro de 2002, em Washington, D.C.
 
 
- Meu nome é Frances Kissling. Nasci na cidade de Nova York em 1943.
 
Minha mãe foi uma mulher que casou-se, divorciou-se, casou-se novamente e divorciou-se uma segunda vez.
 
Uma coisa que eu penso ser importante em termos do trabalho que hoje realizo é que minha mãe nunca deveria ter tido filhos. Minha mãe no fundo nunca quis nenhum de seus filhos. Ela teria sido muito mais feliz, teria tido uma vida muito melhor se ela não tivesse ficado grávida de mim e continuado sua gravidez.
 
Lembro-me que recentemente, um par de anos atrás, fiz uma apresentação no Boston College. A apresentação foi iniciativa do ministério da Igreja Cristã Evangélica no Colégio de Boston, pois Ministério Católico jamais teria me convidado. Uma estudante veio falar comigo depois da palestra e disse: "Você realmente deveria refletir o quanto deveria agradecer à sua mãe por tê-la deixado nascer e não ter feito um aborto". E eu lhe respondi: "Veja, quero contar algo para você. Minha mãe nunca deveria ter tido filhos. Num certo sentido ela teve uma vida miserável porque ela teve filhos. E eu estaria contente em não ter nascido para que minha mãe pudesse ter tido uma vida melhor. Para mim isso teria sido OK. A questão toda é que como feto você não é nada. Você não pode ter esta consciência reflexa de sua própria vida. É como adulto que você pode refletir sobre isto e tomar decisões. Neste sentido teria sido OK não ter vindo a este mundo. Teria sido tudo certo. E se teria sido bom para a minha mãe, teria sido OK".
 
- Quais foram seus momentos decisivos que fizeram com que você quisesse continuar como uma jovem católica?
 
- Eu penso que em grande parte isto se deveu aos relacionamentos extremamente positivos que eu tive com as freiras nas escolas. Eu era muito amiga de um grande número delas. Elas eram ótimas.
 
- O que aconteceu para você ter querido se tornar uma freira quando tinha dezesseis ou dezessete anos?
 
- Nós éramos ensinadas que havia três estados de vida. O estado mais alto era a vida religiosa, o segundo mais alto depois deste era o casamento, e o terceiro era a vida de solteiro. Foi uma questão de hierarquia. Você sabe, eu sempre quis ficar no topo da hierarquia. Eu nunca me interessei em permanecer na parte de baixo da hierarquia. E se no meu meio social e nos quadros que me eram apresentados o mais alto era ser uma freira, então eu queria o mais alto do que eu conhecia.
 
- Mas você estudou na Universidade de St. John durante um ano antes de ter entrado no convento. O que estudou ali?
 
- Literatura inglesa. A mesma coisa que tinha estudado na Escola Nova.
 
- OK. Fale-me sobre o seu tempo de convento.
 
- Foi no tempo anterior ao Concílio Vaticano II. Não foi uma época infeliz. Não foi nenhuma experiência desastrosa. Foi tudo absolutamente normal. Não vi nada da multidão de coisas de que hoje falam sobre esta era. Você, por exemplo, tomava banho sem roupa. Sim, é isso mesmo. Não tinha essa de que você tinha que ir para debaixo do chuveiro usando as roupas de baixo. Quase tudo no convento era razoavelmente normal, exceto o fato de que você tinha que usar roupas muito compridas e um véu sobre a cabeça.
 
- Há mais alguma coisa de seu tempo de convento sobre que teríamos que falar? Você não quer dizer o que as freiras falavam sobre sexo?
 
- As freiras não falavam nada sobre sexo. Nada mesmo. Nós nunca falávamos sobre isso. Nem mesmo nas aulas sobre saúde. Aliás, acho que nem tínhamos aulas sobre saúde. Nunca vi diagramas mostrando úteros nem nada destas coisas. Estas coisas não existiam. O que mais parecia com isso eram aulas de economia doméstica. Mas tenho uma memória zero de uma única discussão real sobre sexualidade. Não havia nenhuma expectativa de que fossemos sexuais. Não havia razão para falar de sexo. Você sabia o que era adultério. Você sabia o que era luxúria. Você sabia que todos esperavam que ninguém tivesse sexo antes do casamento. E não havia realmente mais nada, nada, nada para se falar sobre sexo. Não havia pílulas anticoncepcionais. Acho que quando estava terminando o colegial eu ainda nem sabia o que era um aborto.
 
- OK. Como foi então que você decidiu abandonar o convento?
 
- Sai porque eu não acreditava. Lembro-me que tive algumas conversas com outras irmãs e outras postulantes sobre controle de natalidade, divórcio e segundo casamento. E eu não acreditava no que a Igreja ensinava sobre estas coisas. A idéia de ser uma representante da Igreja institucional ao mesmo tempo em que discordava destas posições não fazia sentido para mim. Eu não concordava com os ensinamentos da Igreja. Na verdade, eu nunca tinha concordado com os ensinamentos da Igreja, mas eu não pensei que isso fosse uma coisa importante até que eu me vi em uma posição onde os ensinamentos da Igreja iriam ser a minha vida. E assim, quando eu deixei o convento eu parei de ir à Igreja. Você pode dizer que a partir deste ponto eu não era mais uma católica ativa. Mas eu mesma particularmente não me considerava mais ser uma católica.
 
- Você se tornou sem religião a partir daquele momento?
 
- Sim, exatamente. Mas novamente, pensando de uma certa maneira, eu nunca havia sido uma pessoa piedosa. O meu catolicismo nunca se baseou em ir à missa, rezar o rosário, etc. Não era isso para mim o que significava ser católica. O catolicismo para mim sempre foi mais filosofia do que teologia. Assim, eu deixei a Igreja e fiquei sem religião. E não tive nenhuma raiva. Quero dizer, eu não me senti bem, mas não acho que a Igreja fêz nunca nada de terrível para mim. Na verdade, eu sempre senti e ainda sinto que a Igreja desempenhou um papel muito importante e positivo na pessoa que hoje eu sou. Eu sei que eu tive uma boa educação católica. Meus professores me trataram sempre com carinho. Minha educação foi individualizada. Meus talentos sempre foram reconhecidos e estimulados. Tudo isto foi uma base espiritual e intelectual razoavelmente rica. Mas o problema é que eles estavam errados. Isto é o tipo de coisa do modo como eu a sinto. Sempre repito em minhas palestras que o maravilhoso da Igreja Católica, e também da maioria das religiões, é que elas colocam as grandes questões. Mas dão respostas intoleráveis. Esta é a realidade. Mas eu sinto alegria ao perceber que elas colocam as questões que ninguém mais irá levantar.
 
Quando saí do convento, não pensei mais sobre o que gostaria de ser. Eu ia ser uma freira. E agora eu não ia ser uma freira. Eu sempre soube que nunca quis casar-me. E eu tenho certeza que isto teve muito a ver com os casamentos de minha mãe. Eu também nunca quis ter filhos. Nisto eu sou como minha mãe, exceto pelo fato de que eu consegui o que ela deveria ter tido. Conversei sobre isso com a minha mãe antes dela morrer. Eu perguntei se ela lembrava de algum período de minha vida em que eu pudesse mostrar algum interesse no casamento, se ela se lembrava, quando eu era criança, nas minhas brincadeiras, se fazia parte das minhas brincadeiras ter um marido ou ter filhos? E ela me respondeu: "Não, isso nunca existiu".
 
- Quando você ouviu falar pela primeira vez dos movimentos das mulheres?
 
- Eu nunca fiz parte de nenhum grupo feminista. Eu nunca participei de um grupo de conscientização de qualquer coisa. Eu sabia que havia um movimento feminista. Mas eu sempre me senti poderosa por mim mesma. Quero dizer, um aspecto de minha vida, não gosto muito de usar a palavra poderosa, mas eu sempre senti o poder. Eu sempre senti que era eu que estava de posse de minha vida. Eu estava no poder. Eu nunca fui o instrumento de ninguém. Tive namorados e homens com quem me envolvi. Mas não era nada terrivelmente importante. A maioria de meus primeiros relacionamentos eu não diria que foram sérios ou importantes para mim. Foram mais relacionamentos sexuais do que relações de comprometimento. Por isso nunca precisei me sentir necessitada de libertação. Isso nunca foi um aspecto de minha identidade. Em um certo sentido, eu me tornei parte do movimento pelo direito ao aborto antes que tivesse me tornado parte do movimento pelos direitos da mulher.
 
E isso foi, novamente, uma coisa acidental. Eu estava morando com um homem. Tínhamos alugado uma casa de verão. Eram os anos de 1969 e 1970. As pessoas de quem alugamos a casa de verão, uma delas era médico. Ele conhecia alguns médicos do Hospital Albert Eisntein que estavam abrindo uma clínica de aborto. O aborto se tornou legal no estado de Nova York em julho de 1970. [O aborto não era ainda legal no restante dos Estados Unidos. Graças ao então governador de Nova York, Nelson Rockefeller, o aborto tinha sido legalizado durante os dois primeiros trimestres da gravidez no nosso estado. Não era necessário justificar razões médicas, psicológicas ou econômicas para consegui-lo, bastava o pedido da mulher. A paciente, além disso, não era obrigada a residir em Nova York para conseguir o aborto]. Os médicos do Albert Einstein estavam procurando alguém que gerenciasse a clínica e pensaram que eu seria boa nisto. O meu senhorio me apresentou aos médicos e eles me contrataram para dirigir a clínica.
 
Isto foi em 1970, no fim de 1970, na cidade de Nova York, na primeira onda de clínicas de aborto que foram abertas naquela época. Tudo o que estas clínicas faziam era aborto. Quem quer que ali estivesse, só se fazia aborto. Eles ensinavam planejamento familiar depois do aborto, mas ninguém se dirigia àquelas clínicas como um paciente de planejamento familiar. Minha clínica era chamada de Pelham Medical Group em Westchester, New York. Mas a maioria destas clínicas foram fundadas por empresas com fins lucrativos gerenciadas por médicos homens. Foi assim que tudo começou. A Planned Parenthood, [filial americana da IPPF, hoje a maior rede de clínicas de aborto dos Estados Unidos], não quis abrir nenhuma clínica em Nova York. A Plannned Parenthood nunca estiveram na vanguarda dos serviços de aborto nos Estados Unidos, nem na Califórnia, nem em Nova York, no Colorado, no Havaí. Eles só começaram tardiamente. Mesmo depois que o aborto se tornou legal em todos os Estados Unidos em 1973, foi muito difícil conseguir que a Planned Parenthood abrisse uma única clínica de aborto. Eles não queriam ser estigmatizados. Hoje a maioria das clínicas de aborto não tem o volume impressionante de trabalho que tínhamos naquela época. Quando o aborto se tornou legal em meados de 1970 em Nova York, a cidade virou um zoológico. Nova York era um zoológico. Você podia ver mais de uma centena de mulheres esperando para abortar em uma clínica pequena em um dia de sábado. Nenhum médico chegou a trabalhar em período integral, mas havia uma multidão de médicos. Um médico podia trabalhar nisto dois dias por semana, dezesseis horas. Mas as equipes eram full time. Durante os primeiros três anos as mulheres vinham para Nova York de todo o país. As mulheres desciam no aeroporto de La Guardia. Havia um perfeito clima de Oeste Selvagem nos novos procedimentos que haviam sido legalizados. As mulheres chegavam de estados onde o aborto era ilegal. No que lhes dizia respeito, tratava-se de uma coisa ilegal. A mentalidade era da clandestinidade mesmo se a coisa já era legal. Os motoristas de táxi raptavam a pacientes que haviam marcado hora com você e as levavam para outras clínicas onde os donos pagavam para os motoristas por cada cliente que eles traziam. As clínicas foram obrigadas a contratar furgões e limusines para pegarem elas mesmas os pacientes no aeroporto para que as pacientes não fossem seqüestradas. Você também via outras mulheres, mulheres jovens, junto com os seus namorados, que chegavam ao estacionamento às seis da manhã depois de terem dirigido do Kentucky, sem terem dormido à noite, assustadas, não sabendo o que iria acontecer, esperando que a clínica abrisse. Para elas tinha sido a Noite dos Mortos Vivos. Pela primeira vez elas podiam ir a um lugar e conseguir um aborto que fosse legal e estivesse tudo correto. Mas por outro lado, tudo tinha todas as características de uma atividade ilegal. Você sabia que era legal, mas ainda era, em termos de mentalidade, uma coisa ilegal. Porque naquele único lugar era legal, mas em toda a volta, na cabeça de todo o mundo, o mundo, tudo, a questão era resumida em procurar um aborteiro ilegal. Você sentia este clima.
 
- Quanto tempo você pensou sobre a questão do aborto antes de ser contratada para a clínica?
 
- Não muito. Eu nunca fiquei grávida. Nunca tive uma experiência pessoal sobre o aborto. Em toda a minha vida só fiz sexo inseguro duas vezes em muitos anos em que eu poderia ter ficado grávida, desde a minha primeira relação sexual até que me esterilizei aos trinta e três anos. Não tive um só momento de indecisão quando me pediram que administrasse a clínica. O que eu pensei foi: "Oh, eu posso fazer isso". Para mim esta foi a primeira experiência de um emprego que tivesse algum significado. Eu estava em uma posição na qual eu poderia fazer algo de bom e algo que percebia que era política, cultural e socialmente importante. E eu seria paga para isso. E eu também era o chefe. Tudo isso soava grandioso, e eu não podia pensar em nada melhor.
 
Três anos mais tarde, quando foi aprovada a decisão Roe x Wade, que legalizou o aborto em todos os Estados Unidos, eu estava trabalhando na clínica . Nesta altura, toda a minha família já estava envolvida com a clínica. Meu irmão era o motorista do furgão que recebia as mulheres. Minha mãe era a chefe das telefonistas. Minha irmã mais jovens era conselheira telefônica.
 
- Que impacto a decisão Roe v. Wade teve no seu trabalho?
 
- Eu trabalhei na clínica Pelham por aproximadamente dois anos quando me tornei a diretora executiva de um lugar chamado Eastern Women's Center, que era uma outra clínica de aborto em Manhattan. E eu estava trabalhando no Eastern Women's Center quando o aborto se tornou legal em todos os Estados Unidos. Eu deixei esta outra clínica no final de 1973, ou no início de 1974. Assim, não pude sentir muito o impacto.
 
- OK, para onde você foi no final de 1973?
 
- Saí de férias por um ano. Fui para o Sudeste Asiático com o meu companheiro. Moramos em Panang e viajamos através do Sudeste Asiático por um ano. Foi uma grande experiência. Depois voltamos e quando chegamos fomos contactados pelo IPAS, que naquela época era conhecido como International Pregnancy Advisory Services (Serviço Internacional de Aconselhamento da Gravidez). Passei a trabalhar para o IPAS.
 
O problema era que quando o aborto se tornou legal em 1973, a família Scaife de Pittsburgh, no caso, a Sra. Cordelia Scaife May, doou um milhão de dólares à Planned Parenthood para que ela começasse a abrir clínicas de aborto em todo o país. Foi esta a maneira que uma parte da Planned Parenthood encontrou para quebrar a resistência da outra parte que não queria entrar no negócio de abrir clínicas de abortos. E, no ano seguinte, mais um milhão de dólares foi doado ao IPAS para que o IPAS começasse a fazer o mesmo serviço principalmente nos países em vias de desenvolvimento. Don Collins fazia parte do esquema. Ele era o responsável por este programa na Fundação Scaife naquela época. Estas pessoas nos contrataram. Eles eram pioneiros independentes, como Lone Rangers, viajando em todo o mundo tentando convencer as pessoas a receberem o dinheiro deles para abrirem clínicas ilegais de abortos. E alguém me recomendou para que me contratassem para trabalhar com eles. Fui contratada, primeiro como consultora, para trabalhar junto ao Partido Radical e ao movimento feminista na Itália.
 
Naquela época o aborto ainda não era legal na Itália e as mulheres estavam indo para a Iugoslávia para conseguirem um aborto. Havia também uma série de clínicas clandestinas, ilegais, de aborto, que eram administradas pelo movimento feminista e, de uma certa forma, por extensão, junto com o Partido Radical. O Partido Radical foi o partido responsável pela reforma do divórcio e pelo referendo que legalizou o divórcio. E eles foram também o partido que estava patrocinando o referendo de 1975 sobre o aborto legal na Itália. Os homens que me contrataram acharam que, por eu ser uma feminista e por ser uma radical, talvez eu poderia convencer os italianos a aceitarem o nosso dinheiro. Esta foi a primeira vez que eu me vi frente a frente com o lado do problema populacional dentro da questão do aborto. Eu não sabia nada sobre as pessoas interessadas no controle populacional e os interesses internacionais escondidos atrás da questão do controle populacional e nada sobre tudo isso. Eu só conhecia o direito ao aborto.
 
No fim o Partido Radical decidiu que eles não iriam ficar com o dinheiro americano, porque era uma coisa potencialmente muito problemática. Eles achavam que eles "sabiam" que nós éramos todos da CIA. E mesmo que nós não fossemos, como nos disseram, eles seriam acusados de qualquer maneira de terem recebido dinheiro da CIA, e assim era melhor que eles não ficassem com o dinheiro.
 
O IPAS em seguida me pediu para ir à Tunísia e ver o que estava acontecendo por ali em termos de aborto. Eles me mandaram também para a Nigéria, e ali passei os que foram os três piores dias de toda a minha vida.
 
O trabalho seguinte que eu fiz para o IPAS foi abrir uma clínica de abortos na Áustria. Eu não sei se as pessoas que estão hoje no IPAS conhecem mais esta história de sua própria organização, porque todos os que estavam ali nesta época já saíram, morreram ou se aposentaram. O aborto foi legalizado na Áustria em 1976. O IPAS queria abrir uma clínica na Áustria de que ela já era proprietária e que poderia usar como fonte de renda para o trabalho nos países subdesenvolvidos. Eles fizeram primeiro uma parceria com a Maria Stopes da Inglaterra, que já estava abrindo clínicas em todo o mundo, e isto sob a perspectiva do problema do controle populacional. Assim a Marie Stopes da Inglaterra e a IPAS norte americana tentaram abrir juntos uma clínica na Áustria para que eles tivessem uma fonte de renda. Mas o funcionário que administrava a Marie Stopes não teve nenhum sucesso. Foi então que o IPAS me propôs: "Por que você não tenta? Vá e veja se você pode fazê-lo". Eu disse que aceitava e levei comigo um dos dois médicos que tinham sido donos da Clínica Pelham, que também era um excelente homem de negócios. Lá fomos nós juntos para a Áustria para ver se achávamos um médico com quem poderíamos abrir uma clínica de abortos. Lá chegando, encontramos o Dr. [Alfred] Rockenschaub. Era um social democrata, e o diretor da Semmelweis-Clinic, que era um grande, muito grade e prestigioso hospital austríaco. Ele nos explicou que não se faziam abortos na Áustria. Já era tudo legal, mas não havia nenhum serviço disponível. Lembro-me bem da conversa que tive com ele. Nós falamos: "Ninguém está fazendo abortos na Áustria. O que está acontecendo aqui?" Ele respondeu: "Bem, agora que tudo já é legal, ninguém quer encalhar o barco na rocha". Foi assim que começamos a caçar os médicos nas salas de emergência dos pronto socorros e falando com os médicos nas salas de emergência. A teoria do Dr. Hachamovich, que era o médico que tinha vindo comigo da América, era a de que tínhamos que encontrar um médico afundado em problemas. Tínhamos que encontrar alguém que estivesse se divorciando, que precisasse de dinheiro, alguém que estivesse disposto a enfrentar riscos. E assim nós continuamos perguntando e perguntando até que finalmente encontramos alguém a quem pudemos contratar. Em seguida contratamos uma mulher nativa para administrar a clínica. E abrimos finalmente a primeira clínica de aborto legal na Áustria. Nós a abrimos, a administramos durante algum tempo, a mantivemos andando e então nos mudamos, deixando para o IPAS. Eu trabalhei com o IPAS durante um ano e meio fazendo este tipo de coisa. Durante este tempo eu fui também para o México onde ajudei o IPAS a abrir uma clínica, desta vez ilegal, no México. Isto foi entre 1975 e 1976.
 
- Desculpe parecer ingênua, mas como é que se abre uma clínica ilegal?
 
- Primeiro você tem que encontrar um médico que queira fazer os abortos. Isto é a primeira coisa, achar um médico. O caso é que o IPAS já tinha este médico esperando no México. Em seguida você aluga um lugar e começa a fazer os abortos.
 
- Mas o que é que impede o governo de fechar o estabelecimento?
 
- O que impediu o governo de fechar os provedores de aborto ilegal nos Estados Unidos antes de 1970? Suborno e falta de vontade política. Nunca houve uma vontade política real de parar os abortos clandestinos. Além disso a Igreja Católica não se preocupa que se façam abortos. O que eles não querem é que seja legal. Isto faz parte do pacote.
 
Enquanto eu estava trabalhando para o IPAS como consultora fui a uma Conferencia em 1976 na Universidade do Tennessee em Knoxville. A Conferência era sobre o aborto. Era uma pequena conferência, talvez houvesse ali uma cem pessoas, cento e vinte pessoas. Um dos propósitos desta conferência era a de fundar uma associação de provedores de aborto. Em um certo sentido aquela conferência foi berço da National Association of Abortion Facilities [Associação Nacional dos Estabelecimentos de Aborto], NAAF. O impulso veio com muita força por parte dos provedores de aborto com fins lucrativos que nos últimos anos haviam entendido de forma crescente que estavam sendo considerados como cidadãos de segunda categoria, em um clima onde a Preterm e a Planned Parethood eram considerados os bons meninos. Agora que finalmente estas organizações haviam começado também elas a fazer abortos, elas estariam fazendo isso por motivos altruístas e não em busca de lucro. Mas haveria também esta "escória médica" que haviam aberto clínicas para fazer aborto por dinheiro. E a Preterm e a Planned Parethood supostamente não queriam ter nada a ver com esta gente. Mas esta gente achava que eram homens dignos a fazer coisas boas. E agora eles queriam sua própria associação profissional. Assim, eles estavam fundando a Associação Nacional dos Estabelecimentos de Aborto (NAAF). E eu estava ali e esta gente gostava de mim. E eles me disseram: "Frances, você não gostaria de participar do Comitê Administrativo?". E eu respondi: "Com certeza, eu vou participar do Comitê Administrativo". Foi deste modo que comecei. Rapidamente começou uma fortíssima pressão por parte da Planned Parenthood e dos outros provedores sem fins lucrativos querendo impor a posição de que a NAAF era uma péssima idéia: "Esta gente tem a política errada e tudo o mais que há de errado, e nós não podemos deixar isto acontecer". Eu trabalhei nesta época para fazer com que pudéssemos descobrir uma maneira de que todos pudéssemos sentar em torno da mesma mesa, através de uma representação proporcional. As clínicas feministas teriam duas cadeiras e as grandes instituições sem fins lucrativos teriam muitas cadeiras e também as grandes instituições lucrativas, sem esquecer dos consultórios médicos.
 
Mas isto não funcionou. Em um certo sentido os provedores com fim lucrativo estavam com a razão, haviam sido eles que tinham tido a idéia. Eles não eram obrigados a dar a estas pessoas o que elas queriam. Fora com elas.
 
Assim a estratégia não funcionou e eu saí da NAAF. E todo mundo que não era parte da NAAF formou o que se veio a chamar-se de National Abortion Council [Conselho Nacional do Aborto], NAC. E eu me tornei a presidente do Conselho Nacional do Aborto.
 
O objetivo explícito do Conselho Nacional do Aborto era trazer de joelhos a Associação Nacional dos Estabelecimentos de Aborto. E foi o que de fato veio a acontecer depois de menos de seis meses de competição entre as duas organizações. A NAAF não cresceu mais, e o Conselho Nacional do Aborto teve acesso a muito mais dinheiro porque nós éramos os bons meninos que conhecíamos os grandes financiadores. John D. Rockefeller III financiou a NAC. Finalmente um comitê, um comitê de negociação, foi estabelecido. As duas organizações se fundiram na Federação Nacional do Aborto (National Abortion Federation) e eu fui novamente nomeada como a primeira diretora executiva.
 
Exerci o cargo por um ano e meio ou dois anos. Durante este período produzimos um guia do consumidor para pacientes em busca de um aborto e tínhamos um encontro profissional cada ano para treinamento, desenvolvimento e educação. Foi isto o que fizemos naqueles primeiros estágios.
 
Foi nesta época, no final de 1977, quando morreu Rosie Jimenez. [O movimento a favor da vida havia conseguido que o governo americano não oferecesse mais o aborto como um serviço de saúde pública gratuito através da Medicaid. Como conseqüência, a jovem imigrante mexicana Rosie Jimenez acabou morrendo em um aborto clandestino com uma curiosa por não ter podido pagar uma clínica particular]. E Ellen Frankfort, que era minha amiga e escritora feminista em Nova York me procurou para que eu a pudesse ajudar a escrever um livro a respeito. Ela me perguntou se eu poderia ajudá-la e eu lhe disse que sim.
 
Fizemos uma viajem até McAllen, o lugar onde Rosie havia morrido. A acusação do movimento feminista era a de que Rosie teria morrido por causa do corte de verbas para a Medicaid. Os relatórios oficiais diziam, porém, que ela não havia morrido por causa do corte de verbas da Medicaid. Ela havia morrido porque era uma jovem americana de origem mexicana, envergonhada por ter engravidado, e que por causa disso havia cruzado a fronteira para praticar um aborto no México com uma parteira. Nós fomos ao local e constatamos que toda a história estava contada errada. Não era isso o que tinha acontecido. Ela havia se dirigido ao próprio médico que na cidade de McAllen havia feito seus dois abortos anteriores, quando estes ainda eram cobertos pela Medicaid, mas que negou o terceiro porque a Medicaid já não pagava mais os abortos. E assim ela se dirigiu a uma parteira ilegal da própria McAllen, fêz um aborto, infeccionou-se e morreu.
 
Depois de quatro anos de aborto legal e de direito constitucional nos Estados Unidos da América, estávamos diante de uma situação onde parecíamos ter retornado à realidade em que as mulheres pobres que não mais podiam utilizar-se da Medicaid, se elas morassem no estado errado, não mais teriam acesso ao aborto, enquanto que as mulheres ricas o continuariam tendo.
 
E eu sempre estive do lado, a maior parte das vezes sem nenhuma má vontade para com os demais, dos mais pobres. Como católica, devido à própria missão social da Igreja, sempre tive a noção de que os pobres deveriam ser a nossa primeira prioridade.
 
E agora eu era a diretora executiva de uma associação que fazia parte de um movimento que não compartilhava exatamente as estratégia que eu pensava que deveria fluir destes valores. Vou tentar explicar-me mais claramente.
 
Eu não acho que o movimento pelo direito ao aborto seja um movimento racista. Mas eu acho que o movimento pelo controle populacional é não só um movimento racista como também é um movimento classista e eugenista. Mas à medida em que eu mergulhava mais profundamente no estágio seguinte de meu trabalho, que veio a se tornar internacional, passei a perceber o quanto os problemas populacionais passaram a se tornar uma questão importante que não tinha tido lugar algum na primeira parte de minha carreira. Toda a primeira parte de minha carreira foi um comprometimento com o movimento pela saúde reprodutiva. Era um movimento da área da saúde. Era um movimento de direitos. Era um movimento da área da saúde que não tinha nada a ver com questões de controle populacional.
 
Assim, de qualquer forma, naquele momento eu decidi que deixaria a Federação Nacional do Aborto e iria trabalhar com Ellen no livro sobre a morte de Rosie. Nós escrevemos o livro. O livro foi um completo fracasso, como é o caso da maioria dos livros na América. Mas foi um livro muito bom. Sim, foi um livro excelente, mas não vendeu. Isto acontece. Bem, você sabe, houve também os que disseram que não vendeu porque a mensagem dos pobres não pega na América. Os americanos não se preocupam com os pobres, eles se preocupam com os seus direitos e suas crianças e seus filhos.
 
Logo depois que o livro ficou pronto surgiu uma mulher de nome Patricia McMahon, que em um certo sentido foi a segunda diretora executiva das Católicas pelo Direito de Decidir. Patricia McMahon era uma mulher irlandesa da classe trabalhadora. Esteve na Irlanda ente 1976 e 1977, e ficou abismada com o estado das mulheres irlandesas e da contracepção na Irlanda, e voltou para a América querendo fazer alguma coisa a respeito. Ela entrou em contato com a Fundação Ms e disse: "Quero fazer algo a respeito". E eles responderam: "Existe aí um grupo chamado Católicas pelo Direito de Decidir. Por que não telefona para elas?". Ela telefonou e falou com as Católicas. Não só, mas também convenceu-as a contratá-la como a primeira diretora executiva em tempo integral. Elas a contrataram, mas não tinham dinheiro. E mesmo assim Patrícia começou a construir uma forte diretoria. Foi assim que ela me encontrou e me perguntou se eu não queria fazer parte da diretoria das Católicas pelo Direito de Decidir.
 
Este foi o momento decisivo da minha vida. E a questão era, seria eu católica? Sou católica? Eu não ia à Igreja, eu não acreditava nos ensinamentos da Igreja sobre sexualidade, mulheres, reprodução, mas seria eu ainda assim uma católica? E assim começou uma batalha dentro de mim. Eu resolvi pensar a respeito.
 
Eu sempre senti que o movimento do direito ao aborto se ressentia de uma dimensão moral, que o trabalho nas clínicas consiste em ver a política do preto e branco, é legal ou não é legal. Não se discute se é certo ou errado, quando é certo e quando é errado.
 
Assim, de qualquer forma, fiquei muito interessada na proposta porque as Católicas pelo Direito de Decidir tinham um espaço onde as dimensões morais dos problemas poderiam ser exploradas. Eu também sempre acreditei que as mudanças sociais ocorrem na periferia, nas margens, nunca no centro. Do ponto de vista da estratégia política eu não acredito que se possam promover grandes mudanças sociais fazendo parte do establishment. Eu acho que se você quer realmente provocar uma mudança é muito melhor fazê-la a partir das margens do que se você tentar fazê-lo procurando ser popular no centro.
 
E assim eu resolvi que iria reentrar nos meios católicos, no mundo e na comunidade do catolicismo.
 
- Você não tinha permanecido fora da Igreja por quinze ou dezesseis anos?
 
- Isso mesmo, desde os anos 1963 ou 1964, até 1978 ou 1979, de que estamos falando agora.
 
E em primeiro lugar eu me considero, e muitas pessoas dizem o mesmo, eu sempre me considerei a mim mesma como uma pessoa espiritual. No que eu acredito? Eu posso dizer que eu acredito que esta vida tem um sentido. Eu estou aqui para fazer alguma coisa. Eu tenho uma obrigação de fazer alguma coisa. E isto é uma crença, porque a vida poderia ser totalmente sem sentido. Eu acredito, não por causa de qualquer motivo racional, que há um sentido além do sentido que eu dou à vida. Isto é um início. De um certo modo, isto é um ponto de partida. Quero dizer, se você acredita nisto, você passa a acreditar que há alguma coisa fora de cada um de nós como indivíduos. O que nos dá este significado? Se o significado não vem de dentro de mim, então ele vem de onde? Então este é um ponto de partida no caminho de reestabelecimento da fé a partir do início, em vez de ser a partir do Catecismo: existe um Deus, e o resto que você sabe. Mas eu acredito que no fim você volta ao Catecismo básico.
 
Em segundo lugar, eu trabalhei em outro ponto. Na medida em que eu trabalhei nas Católicas pelo Direito de Decidir, eu fiquei exposta à Igreja Católica de hoje, em contraposição à Igreja Católica pré Vaticano II que eu conheci, e eu descobri que eu sou mais católica que a maioria dos católicos progressistas que eu pude conhecer.
 
- Certo. Convidaram você para fazer parte da diretoria das Católicas pelo Direito de Decidir. E como bem disse, sua decisão era que sim você era uma católica. Mas eu queria que você desenvolvesse aquela parte de que você estava particularmente interessada em aceitar porque o trabalho levava a sério as implicações morais do aborto.
 
- Correto. Eu penso que se olharmos historicamente para o movimento do direito ao aborto nos Estados Unidos sempre houve algum tipo de uma distinção nítida entre os aspectos legais e morais. E assim sendo o movimento pelo direito ao aborto concentrou-se muito na questão do direito, e nada na questão da moralidade.
 
Agora você sabe que isto mudou nos anos 80. Porém com certeza o estabelecimento de um movimento contra o aborto foi um fenômeno católico. Ele foi fundado pelos bispos católicos e concentrou-se muito na questão de que o aborto era imoral porque você estaria tirando a vida do feto.
 
Fora isso, se você pensar historicamente sobre a relação entre a mulher e a moralidade e olhar a questão através de uma lente feminista, a moralidade e os conceitos da moralidade sempre foram usados contra as mulheres. Portanto você nunca realmente irá vencer como mulher se a questão da moralidade for levantada. Se nós, como movimento, tivermos que tratar de moralidade na questão do aborto, nós perderemos, porque o discurso moral é controlado pelos homens e é construído contra as mulheres.
 
Assim, em primeiro lugar, existe uma questão simples. Algo é considerado legal ou ilegal, e a moralidade não é o fator determinante.
 
Em segundo lugar, os sistemas morais são predominantemente utilizados contra as mulheres.
 
E agora o terceiro elemento é a religião, que é mais intimamente ligada à moralidade do que aos direitos.
 
Todas estas coisas contribuem umas com as outras de tal maneira que as pessoas não questionem o tema da moralidade.
 
Assim, neste contexto, tanto em termos de minha formação católica, como em termos de minha experiência em clínicas de aborto, eu acreditei então, e agora acredito mais firmemente, que a incapacidade de tratar esta questão no nível moral é uma grave ameaça para o sucesso a longo prazo do movimento a favor do aborto. Portanto, as Católicas para o Direito de Decidir pareciam ser o espaço ideal onde estas questões poderiam ser tratadas não apenas como questões Católicas, mas também como questões morais mais amplas. Eu penso que em alguns sentidos, mesmo nas suas origens, nas mentes das três mulheres que fundaram as Católicas pelo Direito de Decidir, elas nunca chegaram a imaginar que as Católicas viessem a engajar-se tão profundamente no discurso moral como elas são hoje.
 
O modo como as Católicas pelo Direito de Decidir tratavam destes temas em seu período inicial de fundação, digamos, desde 1973 até o momento em que eu me envolvi com elas, que foi quando começou o verdadeiro envolvimento com as questões morais, a questão do aborto era vista como um problema de consciência, do direito dos católicos em discordarem, e este tipo de coisas. Tratava-se do direito à liberdade religiosa.
 
Quando eu entrei para a diretoria das Católicas, eu estava trabalhando há dois anos em uma Fundação chamada o Projeto Jovem, eu era a diretora executiva desta organização em Washington D.C. A Fundação fazia doações a organizações de base em toda a América que estivessem envolvidas com mudanças sociais. Eu gastei um ano viajando em várias regiões onde procurava educar estes movimentos sobre como relacionar-se com as pessoas de origem latina e hispânica e aconselhando, por outro lado, a Fundação sobre a atuação destes movimentos. Com isto pude aprender como as Fundações financiadoras trabalham. Quero dizer, estes dois anos tornaram-me a arregimentadora de fundos bem sucedida que sou hoje porque eu aprendi, do lado de lá de trás da mesa, do lado de onde se decide para onde irá ser doado o dinheiro, o que estas Fundações querem saber, como dizê-lo e como explicar do que se trata cada projeto. Eu consegui desenvolver um sentido de igualdade nas relações entre o doador e o receptor de maneira a trabalhar nesta estrutura de um modo que você não pareça um mendigo pedindo dinheiro. Eu sei como dar às Fundações a chance que elas procuram para que elas possam investir o seu dinheiro com sucesso. Sem mim, vocês não conseguirão o sucesso que desejam. O doador não pode ter sucesso se não há pessoas que possam fazer um grande trabalho ao receber o dinheiro. Assim, você sabe, eu desenvolvi toda uma filosofia em torno deste ponto.
 
Foi assim que Pat McMahon, que foi a diretora executiva das Católicas pelo Direito de Decidir desde 1978 até 1982, aproximadamente, conseguiu tirá-la do nada e conseguiu a primeira doação da Fundação Sunnen em St. Louis, Missouri. E a Fundação Sunnen, através dos primeiros anos das Católicas pelo Direito de Decidir, aquele período de tempo que se estende provavelmente até o fim dos anos 80, foi uma das principais financiadoras das Católicas pelo Direito de Decidir, e uma financiadora controvertida, porque a família Sunnen, que eram as controladoras da Fundação, estavam muito fortemente comprometidas com o conceito de que havia pessoas em excesso em nosso planeta. Uma perspectiva do controle populacional global, mesmo em se tratado de uma Fundação que investia basicamente na área doméstica e no direito ao aborto em seus termos próprios.
 
Isto é um outro problema muito complicado.
 
Quando você examina os tipos de caracteres que desfilam ao longo da história deste movimento, você encontra em primeiro lugar pessoas que são estritamente partidárias dos direitos reprodutivos. Pessoas que acreditam no direito de escolha da mulher, que são comprometidas com o aborto por causa dos sofrimentos e dos direitos da mulher e tudo o resto.
 
Mas há outros que entraram neste movimento e que estão muito mais preocupados somente com uma outra coisa, que há um excesso de pessoas em todo o mundo e com os efeitos que este excesso de pessoas irão causar no planeta, nos Estados Unidos, na economia, nas conseqüências negativas individuais deste excesso de pessoas no bem estar individual de cada um. São pessoas que entraram para o movimento somente porque elas querem ver menos gente.
 
Mas, geralmente falando, eu penso que as pessoas e as organizações que estão interessadas no aborto tendo como motor a redução da população não fazem isso como uma consciência feminista. Eles não vêem o mundo e os problemas do mundo através da ótica do feminismo. Eu lembro que na Conferência do Cairo passei o tempo conversando e fazendo perguntas a muita gente. Você sabe, a Conferência do Cairo foi decisiva neste ponto porque foi um ponto de viragem do paradigma "existe-um-execesso-de-gente", "nós-temos-que-estabilizar-a-população" para o paradigma em que a chave está na educação da mulher e no bem estar da mulher. Eu perguntei para um mundo de pessoas, e a maioria não quis responder estas perguntas quando eu as fiz, se fosse provado que a educação das mulheres tivesse como resultado um maior número de bebês, nós ainda continuaríamos lutando pela educação das mulheres? Você sabe, o pensamento óbvio que está por trás desta pergunta é: "A educação das mulheres é apenas um meio para se alcançar um outro fim ou ela é um valor e um fim em si mesmo?
 
Então na verdade a questão é outra. Existiu realmente uma mudança de paradigma no Cairo ou estamos falando apenas no nível de táticas e estratégias? Entregue as pílulas para as mulheres, despeje-as com aviões se necessário, mas entregue as pílulas. Esta era a abordagem de Rei Ravenholt, a idéia de que se você disponibiliza a tecnologia as pessoas irão utilizá-la. Mas agora a maioria das pessoas acredita que há um limite para a eficiência desta estratégia. Esta estratégia irá conseguir 70% do objetivo esperado de reduzir o tamanho e o crescimento da população. Mas você ainda tem o problema dos outros 30%, e este é um grande problema, porque ainda é visível a necessidade de reduzir a população em algumas partes do mundo. Na Índia, por exemplo. Na África eu creio que há menos necessidade porque ali a AIDs já está fazendo o serviço, não é o que eu penso, mas é o que a elite populacionista diria. Mas de qualquer maneira existe uma necessidade de uma contínua redução populacional na Índia, na China e em outros lugares. E a entrega de anticoncepcionais ajudou, mas não fêz o serviço completo. Assim a questão é, o que mais é necessário acontecer para alcançar o objetivo desejado?
 
- Desculpe, de que objetivo está falando?
 
- Diminuir ainda mais as taxas. Convencer as pessoas a ter menos filhos.
 
Existe uma aceitação geral no campo populacional de que é necessário haver outras estratégias e outras técnicas, incluindo a educação das mulheres, para diminuir a população. O exemplo de Kerala, na Índia, é o exemplo geral que todo mundo cita: para cada dois anos a mais de educação, cada mulher irá adiar mais uma gravidez.
 
Então isso é tudo parte de um discurso e parte de uma estratégia para reduzir a população. E a questão central que está na minha mente é, como feminista, a questão do quanto realmente ocorreu no Cairo uma mudança de paradigma e do quanto isto não seria apenas um aumento do número de estratégias disponíveis para alcançar de novo o mesmo objetivo de reduzir o problema populacional.
 
Hoje um dos dilemas para muitas pessoas do movimento feminista, feministas que advogam pela saúde das mulheres e advogam pela saúde reprodutiva, é que nós não acreditamos que as pessoas da Agência Internacional do Desenvolvimento adotaram realmente nenhum novo paradigma, e agora nós nos tornamos as pessoas que estão pedindo financiamento para eles. É tudo muito complicado.
 
- Quando você decidiu entrar para a diretoria das Católicas para o Direito de Decidir em 1982, como era o discurso naquele momento em ambos os lados?
 
- Nós estávamos nos estágios iniciais, muito, muito, muito iniciais da estratégia das multidões anti aborto. Era o período em que os protestantes conservadores decidiram que a crença que eles tinham tido, isto é, que era errado envolver-se em política, que um protestante conservador, um evangélico ou um fundamentalista deveria em sua vida separar-se do demônio, o que incluía a política, um mundo que não poderia estar no mundo de uma pessoa de fé evangélica. E de repente chegou o momento em que eles começaram a apavorar-se pelo modo como os seus valores haviam sido erodidos pelos direitos das mulheres, pelo direito ao aborto, pelo sexo livre e tudo o mais. Tudo o que eles tinham de mais caro estava desmoronando, e assim eles não tinham outra saída a não ser derrubar sua idéia de manter-se longe da política e começar a envolver-se na política. Isto estava começando justamente naquele período.
 
- Então, quando você assumiu em 1982, descreva-me como era a organização das Católicas em 1982.
 
- Em 1982 havia uma equipe que consistia na editora da revista Conscience, uma organizadora de colaboradores, a diretora executivo, que acabei sendo eu, e uma secretária, uma ou duas secretárias. Talvez houvesse duas secretárias administrativas. Esta era a equipe. E o orçamento era, o orçamento de toda a organização, em torno de 250 a 275 mil dólares por ano. Era isto o que o grupo era. Para o ano de 1982, éramos certamente a menor de todas as organizações de direitos reprodutivos.
 
- Pode ser, mas de onde vocês tiravam um quarto de milhão de dólares por ano?
 
- Da Fundação Sunnen, da Fundação Ms., da Fundação Playboy. Quando eu entrei, elas tinham acabado de receber sua primeira doação da Fundação Ford, cerca de 20 mil dólares, para entrevistar as mulheres e produzir um estudo sobre como elas se sentiam após deixarem a clínica de abortos. E com certeza isto representou um outro ponto de virada, isto é, o fato de ter recebido uma doação da Fundação Ford. Isto significava termos sido finalmente admitidas naquele mundo.
 
- OK. Quanto de coragem era necessário para ser uma Católica pelo Direito de Decidir no final dos anos 70 e no início dos 80?
 
- Provavelmente menos do que é necessário hoje, porque tudo isto era antes que João Paulo II tivesse sido Papa. Os bispos católicos eram muito ativos nestas questões, mas realmente não tinham prestado muita atenção às CDDs.
 
Uma das realidades entre as Católicas pelo Direito de Decidir era que entre os grupos de católicos progressistas, nós realmente estivemos entre os primeiros. As Católicas pelo Direito de Decidir vieram antes que existisse uma Conferência pela Ordenação das Mulheres, e as Católicas já existiam antes que houvesse um movimento pela reforma da Igreja e antes que houvesse um movimento pelos direitos homossexuais na Igreja. Os elementos progressistas da Igreja Católica estavam começando a se organizar no mesmo período em que as Católicas estavam também se organizando.
 
Uma das coisas que é parte da estratégia de tornar a identidade das Católicas pelo Direito de Decidir mais explicitamente católica foi a idéia de testar se havia ou não havia um número significativo de líderes católicos que estariam prontos a assinar uma declaração, uma declaração moderada, sobre o aborto. Estas pessoas teriam coragem de sair, mesmo que apenas um pouquinho, de dentro do seu armário? Foi assim que Dan Maguire, sua então esposa Marjorie e eu, esboçamos uma declaração intitulada "A Declaração Católica sobre o Aborto".
 
Nós começamos pedindo às pessoas que a assinassem. Conseguimos um número razoável de pessoas, provavelmente um total de cinqüenta pessoas assinaram a declaração no primeiro ano. Eram todos teólogos liberais católicos. Algumas eram freiras, havia um sacerdote ou dois, a maior parte pertencia à vida acadêmica, porque a declaração teve sua partida dada em uma conferência acadêmica. Em seguida decidimos publicar um anúncio a respeito no jornal New York Times. A declaração era basicamente simples. A parte que foi mais criticada dizia que havia mais de uma posição católica legítima sobre a questão do aborto. Ela mencionava as pesquisas de opinião públicas. As pesquisas mostravam que os católicos eram a favor do aborto. A declaração também chamava os bispos a abrir um diálogo sobre a questão do aborto, e dizia que a questão do aborto deveria ser abordada dentro da comunidade católica de modo que as pessoas pudessem expressar-se a respeito e trabalhar com a mesma. A declaração também exortava os bispos a não penalizar ninguém, que a penalização dos católicos que eram a favor do aborto não era o caminho a ser trilhado. Isto é essencialmente o que a declaração dizia. Nenhuma pessoa que tivesse assinado a declaração estaria assinando que sua posição seria a favor do aborto. A declaração não dizia que a posição a favor do aborto era a posição correta. Ela simplesmente enumerava uma série de fatos e pedia o diálogo em uma abordagem não punitiva.
 
O Vaticano não fêz nada. Ninguém fêz nada. Quero dizer, houve muito pouca reação. Conseguimos uma pequena cobertura na imprensa. Depois das eleições, o Vaticano escreveu para os superiores das ordens religiosas que tinham membros que haviam assinado a declaração e disse: "Vocês devem fazer com que estas mulheres se retratem".
 
Existe um órgão dentro do Vaticano chamado Congregação para os Religiosos e Institutos Seculares. Este órgão mudou de nome, mas na época o nome era este. E o órgão era encarregado de todas as ordens de freiras, os Jesuítas e as Misericórdias, os homens, as mulheres e tudo o mais. E assim ela escreveu para os superiores destas comunidades, as madres superioras, as secretarias gerais ou como queira chamá-las, e disseram: "Estes membros da sua comunidade assinaram uma declaração que apareceu no New York Times, e isto é contra os ensinamentos da Igreja, e nós queremos que chamem tal irmã e lhe digam que retrate sua assinatura".
 
E assim aconteceu que havia vinte e quatro irmãs, havia na realidade vinte e cinco irmãs que a assinaram, mas o Vaticano somente identificou vinte e quatro. Havia uma que eles não desconfiaram que fosse uma irmã. E havia também dois irmãos e dois sacerdotes que também haviam assinado a declaração. Para resumir, os padres e os irmãos se retrataram. Eles me chamaram pelo telefone. Mandaram cartas para mim dizendo que eu retirasse seus nomes da declaração. OK. Mas as mulheres não quiseram se retratar, e assim seguiu-se uma guerra de dois ou três anos e negociações com o Vaticano sobre o que iria acontecer. E tudo foi muito, muito público. Uma das coisas sobre a organização e os esforços para reformar a Igreja Católica é não deixar as coisas acontecerem em segredo. Nós sabíamos que o New York Time era o nosso melhor amigo. Você sabe, a batalha pela reforma da Igreja Católica tem que ser feita nas páginas dos jornais e na TV e no rádio porque nós não temos acesso aos mecanismos da Igreja, e assim temos que usar os mecanismos seculares para conseguir veicular a mensagem.
 
Assim tudo isso foi colocada nas páginas de todos os jornais dos Estados Unidos. As freiras foram identificadas. Houve conferências de imprensa. Houve de tudo, e assim tudo isso foi um momento enormemente importante. Foi provavelmente o momento de coroação da solidificação do reconhecimento que os católicos eram a favor do aborto. Você sabe, quando as Católicas pelo Direito de Decidir começaram, todos acreditavam que os católicos não eram a favor do aborto, e que os católicos faziam o que os bispos lhes diziam para fazer. E assim o processo de fundação das CDDs até 1984 foi um processo de tornar tudo isso visível e tornar conhecido para todo mundo que nós católicos fazemos o que queremos.
 
Eu penso que sempre fêz parte de nossa estratégia reconhecer que há pessoas a quem você pode alcançar e pessoas a quem você não pode alcançar. Nós sempre estivemos conscientes, desde o início, que há muito mais pessoas ambivalentes na questão do aborto do que foi geralmente reconhecido pelo movimento a favor do aborto. Durante anos nós sempre achamos que estes eram em torno de 75%. Assim, sempre fomos a maioria. A realidade é que cerca de 20% das pessoas são decididamente a favor do aborto e 10% são decididamente anti aborto. Este número aumentou. Mas o resto, os outros 60%, eles são a favor do aborto. Eles não são decididamente a favor do aborto, para eles o aborto é uma coisa terrível, mas eles não gostariam que fosse ilegal, eles são ambivalentes. E a missão das Católicas pelo Direito de Decidir é alcançar estas pessoas.
 
- Sim, e uma das coisas que me fascinaram na Internet foi toda a questão da animação, em que momento a alma é introduzida, toda a questão do início da vida e de quando um feto se torna bebê.
 
- Bem. nós tratamos disto, nós somos as pessoas no movimento que temos que dizer que você deve tratar da questão do feto. Você sabe, nós nunca ganharemos este negócio se nós deixarmos os fetos com eles.
 
- Eles tem imagens dos coraçõezinhos batendo, dos dedinhos, e outras coisas assim.
 
- Você sabe disso. Quando você contrapõe um feto contra uma mulher a mulher perde. Você sabe disso. Bebês contra mulheres, os bebês vencem. Sempre. Então nunca pareceu para nós que você poderia ignorar isso. Agora, com certeza, como católicas, nós somos mais forçadas a tratar com a questão do feto, porque a apresentação pública do argumento dos bispos diz que o aborto é um assassinato, abortar é matar, a vida começa na concepção. Nosso trabalho tem sido colocar esta questão em primeiro plano desde uma perspectiva católica. Você também sabe disso. A perspectiva católica é um bom lugar para começar, tanto em termos filosóficos, sociológicos como teológicos, porque a posição católica é a posição mais desenvolvida. Assim, se você puder refutar a posição católica, você refutou todas as demais. OK. Nenhum dos outros grupos religiosos realmente têm declarações tão bem definidas sobre a personalidade, quando a vida começa, fetos e etc. Assim, se você derrubar a posição católica, você ganha.
 
- E assim esta declaração de 1984 trouxe tudo para a arena pública.
 
- E também, novamente, mostrou a diferença que há entre homens e mulheres, porque aqui você tem quatro rapazes que imediatamente fizeram o que o Vaticano lhes ordenou que fizessem e estas vinte e quatro mulheres que disseram: "Não, nós não vamos nos retratar".
 
O caso foi que o Vaticano perdeu um grande tempo, eles perderam um grande tempo em termos de sua autoridade, porque eles não conseguiram obter o que eles queriam. E um par delas eram teimosas. As duas que eram de West Virginia eram as melhor conhecidas. Foram elas que escreveram o livro "Não Voltar Atrás", Barbara Ferraro e Patricia Hussey. Elas foram asa únicas que disseram desde o início: "Olhem, não somente nós não queremos dizer a eles que aceitamos os ensinamentos da Igreja, como também queremos dizer a eles que nós somos a favor do aborto".
 
No final a comunidade as apoiou porque a questão, novamente, era uma questão de poder. A questão era quem estava no controle, a comunidade ou o Vaticano.
 
O Vaticano, pela lei canônica, não tem o direito de demitir uma irmã de uma ordem. É a ordem que demite a irmã. O Vaticano pede à ordem que demita a irmã. Se a ordem diz não, o Vaticano tem um recurso, mas o recurso não é demitir a irmã, o recurso é demitir a superiora. Assim a batalha passou para um outro nível além do nível do aborto. A batalha foi a das comunidades religiosas afirmando sua autoridade dentro do direito canônico de decidir quem é membro de sua comunidade e quem não é membro de sua comunidade. No fim as superioras acabaram dizendo: "Nós não vamos demitir as irmãs". A superiora das irmãs mostrou o pescoço, desafiou o Vaticano. E ela venceu. Todas venceram. Quando tudo estava acabado e a comunidade havia vencido, as duas irmãs que deviam ter sido demitidas pediram dispensa e agora não são mais freiras. São apenas duas mulheres administrando uma casa de desabrigados em West Virginia.
 
- Certo, E o que significou para a sua organização o fim desta discussão?
 
- Muito mais visibilidade, muito mais discussão sobre o tema do aborto, muitos mais aliados para a organização. Para a maioria de 90%, tudo terminou positivamente, para uma minoria de 10% houve um ressentimento de quem achou que colocamos as irmãzinhas em apuros. Nós teríamos usado delas. Mas não foi isso, foi tudo muito importante e um excelente momento.
 

 
44. REUTERS INICIA CAMPANHA MIDIÁTICA INTERNACIONAL PARA FORÇAR BRASIL A LEGALIZAR ABORTO
6 May 2007.
 
 
REUTERS INICIA CAMPANHA MIDIÁTICA INTERNACIONAL PARA FORÇAR BRASIL A
LEGALIZAR ABORTO
 
 
 
A Reuters, uma das principais agências de notícias do mundo, está iniciando uma campanha midiática internacional para impulsionar o governo Lula a retomar com força as iniciativas políticas no sentido de legalizar o aborto no Brasil.
 
Um artigo altamente tendencioso, traduzido em várias línguas e distribuídos para vários países do mundo, supostamente baseado em uma entrevista com vários médicos do Posto de Saúde da Barra Funda, um bairro da periferia pobre do Centro de São Paulo, mas que na realidade cita apenas uma única médica do local, afirma que no Brasil os profissionais da saúde estão revoltados com a próxima vinda do Papa e culpam a Igreja Católica pela sua posição contra a legalização do aborto que estaria causando dano à saúde das mulheres. Segundo a reportagem, os médicos sabem que muitas de suas pacientes grávidas irão morrer ao saírem do posto quando procurarem um aborto inseguro e eles se vêem diante de
 
"UM DILEMA MORAL E UMA SITUAÇÃO HORRÍVEL",
 
porque poderiam ser cassados se indicassem uma clínica clandestina segura para que suas pacientes pudessem abortar com segurança. "Todo este sofrimento", teriam afirmado os médicos à Reuters, poderia ser evitado se
 
"O PRESIDENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA SE DECIDISSE A DESAFIAR A IGREJA CATÓLICA NA QUESTÃO DO ABORTO, AGORA QUE ELE NÃO TEM MAIS QUE DISPUTAR A REELEIÇÃO".
 
O artigo foi traduzido pela Reuters para o português, espanhol, inglês e italiano e está sendo veiculado em vários países do mundo.
 
No Brasil foi publicado no dia 4 de maio de 2007 pelo "Estado de São Paulo", sob o título "À espera do Papa, médicos criticam Igreja e discutem aborto".
 
 
Sob o título "Visiting Pope steps into abortion battle in Brazil", o artigo foi publicado nos Estados Unidos pela revista Scientific America,
 
 
pelo Washington Post,
 
 
pelo Boston Globe,
 
 
pela ABC News,
 
 
pelo Yahoo Health,
 
 
pelo Yahoo News,
 
 
pelo Yahoo Asia News,
 
 
pela News Max,
 
 
pela própria Reuters,
 
 
e por vários outros jornais.
 
A Americas.org, uma entidade que afirma "trabalhar pelos direitos humanos em uma economia globalizada", disponibilizou uma cópia do artigo qualificando-o de
 
 
"UM INSTRUMENTO EDUCACIONAL PARA IMPLEMENTAR A COMPREENSÃO DE TEMAS ENVOLVENDO A ECONOMIA GLOBAL E A JUSTIÇA SOCIAL".
 
 
 
 
Com modificações ainda mais tendenciosas, o texto também foi publicado pelo portal da IPPF, a maior rede de clínicas de abortos dos Estados Unidos. O artigo editado pela IPPF dá a entender que a posição do povo brasileiro estaria cada vez mais a favor do aborto em um desafio aberto à autoridade papal, quando na verdade sabe-se que as pesquisas de opinião pública mostram que no Brasil a rejeição ao aborto têm aumentado de modo contínuo a cada ano desde pelo menos 1993. Mas o texto publicado pela IPPF afirma já em seu início que
 
"Quando o Papa Bento XVI visitar o Brasil na próxima semana, ele descobrirá que sua autoridade estará sendo desafiada, não apenas pelo comportamento sexual dos brasileiros, mas também pelas mudanças de atitude em relação ao aborto. Muitos ignoram a posição da igreja em relação ao aborto e os médicos queixam-se dos líderes católicos pelos danos causados à saúde das mulheres e pelo enfraquecimento da luta contra a AIDS. Os defensores do direito ao aborto querem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafie a Igreja Católica na questão do direito ao aborto agora que ele está em seu segundo mandato e não pode ser reeleito".
 
 
 
O texto da Reuters foi publicado em espanhol na Venezuela, sob o título "Batalla en Brasil por el aborto crece antes de la visita del Papa ", pelo jornal El Universal,
 
 
pela Agência Reuter na Argentina,
 
 
e também pela Agência Reuters no Chile:
 
 
Em italiano, sob o título "Papa dal 9 maggio in Brasile, confronto sull'aborto", a Agência Reuters divulgou na terra do Papa uma versão mais curta e suave do mesmo texto:
 
 
 
 
 
 
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BRASIL: O ESTADO DE SÃO PAULO
 
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À ESPERA DO PAPA, MÉDICOS CRITICAM IGREJA E DISCUTEM ABORTO
 
 
04 de maio de 2007
 
Profissionais culpam líderes católicos por prejudicarem luta contra a Aids
 
Reuters
 
SÃO PAULO - Médicos de uma clínica de saúde pública em um bairro carente de São Paulo deixam seu trabalho todos os dias sabendo que muitas das suas pacientes grávidas - imigrantes bolivianas, moradoras de favelas e prostitutas - farão abortos inseguros, desenvolverão infecções uterinas e, em casos extremos, morrerão.
 
A dias da visita do papa Bento XVI ao país, os médicos da clínica, na zona leste da capital paulista, culpam os líderes católicos por prejudicarem a saúde das mulheres e a luta contra a Aids.
 
No Brasil, os médicos podem ser cassados por fazer abortos ilegais ou mesmo por encaminhar as mulheres às clínicas clandestinas que atendem a população de classe média alta.
 
Quando uma paciente pobre quer interromper uma gestação indesejada, os médicos são então pegos em um dilema moral. "Isso nos coloca numa posição horrível", disse Ruth Loreto Sampaio de Oliveira, ginecologista do Centro de Saúde Escola Barra Funda. "Tivemos pacientes que morreram depois de recorrerem a abortos arriscados."
 
As mulheres de baixa renda muitas vezes induzem abortos com um medicamento chamado misoprostol, vendido ilegalmente por ambulantes nas ruas de São Paulo. Algumas exageram na dose, rompendo o útero. Outras confiam em poções caseiras que contêm peróxido, que causa queimaduras, ou em aparelhos improvisados.
 
O sofrimento, segundo os médicos, poderia ser evitado. Eles esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafie a Igreja no quesito aborto, agora que ele não tem mais que disputar a reeleição.
 
Seu ministro da Saúde, José Gomes Temporão, quer um referendo sobre o tema, embora as pesquisas mostrem que os brasileiros rejeitariam a concessão de mais opções à mulher. Mesmo assim, líderes antiaborto temem que se repita no Brasil o mesmo que em Portugal, que liberou o aborto em um plebiscito em fevereiro, e a Cidade do México, que legalizou em abril. "Este ano está sendo preocupante para as pessoas que acreditam que a vida começa na concepção", disse Luiz Bassuma, presidente da frente parlamentar antiaborto.
 
Confronto na Igreja
 
As políticas públicas já se chocam com a doutrina da Igreja a respeito de planejamento familiar, ciência e Aids. O ministério da Saúde fornece pílulas anticoncepcionais e ligadura de trompas gratuitamente, além de autorizar abortos na rede pública em caso de estupro ou risco de vida para a mãe.
 
"A Igreja entra no caminho sempre que tentamos ampliar o acesso ao controle de natalidade, mas perdeu a batalha sobre a política para a Aids", disse a médica Tânia Lago, que dirige os programas de saúde feminina do Estado de São Paulo. "É uma doença que mata, então os políticos se dispuseram a enfrentar a Igreja."
 
O cardeal Geraldo Majella, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, demonstrou sua indisposição com a política pública, quando o governo distribui mais uma vez milhares de camisinhas antes do Carnaval deste ano.
 
"Não podemos concordar com preservativos, porque eles podem transformar a vida em vida sem responsabilidade", disse.
 
Os católicos, que representam 74 por cento dos brasileiros, parecem ignorar a doutrina. A freqüência com que eles recorrem ao aborto e aos anticoncepcionais é a mesma dos não-católicos, segundo estudos.
 
"Há uma enorme lacuna entre o que os católicos pensam sobre a saúde reprodutiva e as regras que a hierarquia da Igreja defende", disse Dulce Xavier, da entidade Católicas pelo Direito de Decidir.
 
Os ensinamentos da Igreja sobre a abstinência sexual também parecem entrar por um ouvido e sair por outro no Brasil, país que só perde para a Grécia em uma lista dos que mais praticam sexo publicada recentemente.
 
"Se eu disser aos meus pacientes para praticar a abstinência, todo mundo riria da minha cara", disse Marta Campagnoni, médica que dá aulas de planejamento familiar na clínica da Barra Funda.
 
 
 
 
 
 
 
 
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VENEZUELA: EL UNIVERSAL
 
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BATALLA EN BRASIL POR EL ABORTO CRECE ANTES DE LA VISITA PAPA
 
 
Brasil.- Los médicos de una deteriorada clínica de salud pública en un pobre sector de Sao Paulo dicen que sus mayores temores se hacen realidad con demasiado frecuencia, reseñó Reuters.
 
Dejan el trabajo cada día sabiendo que muchas de sus pacientes embarazadas -inmigrantes bolivianas, residentes de barrios pobres y prostitutas- se harán inseguros abortos, desarrollando infecciones uterinas y, en casos extremos, muriendo.
 
El aborto es ilegal en Brasil, el país con mayor población católica del mundo y escenario la próxima semana de la primera visita del Papa Benedicto XVI a América.
 
Los médicos de la clínica culpan a los prelados católicos de perjudicar la salud de las mujeres y el combate al sida.
 
Los médicos pueden perder sus licencias por realizar abortos o incluso por enviar a mujeres a clínicas clandestinas seguras que atienden a las brasileñas ricas. Por eso se encuentran ante una encrucijada moral cuando una paciente pobre quiere poner fin a un embarazo no deseado.
 
"Esto nos pone en una posición horrible", dijo la doctora Ruth Loreto Sampaio de Oliveira, una ginecóloga de la clínica. "Nosotros tuvimos pacientes muertas luego de recurrir a abortos riesgosos", agregó.
 
Las mujeres pobres frecuentemente se inducen abortos con un medicamento ilegal llamado misoprostol, adquirido en los mercados callejeros de Sao Paulo .
 
Algunas toman demasiado, rompiendo sus úteros. Otras apelan a pociones caseras que contienen peroxide, que causa quemaduras, o a máquinas improvisadas.
 
El sufrimiento puede ser evitado, dicen las médicas, quienes esperan que el presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafíe a la Iglesia Católica sobre el derecho al aborto ahora que está en su segundo mandato y no puede buscar la reelección.
 
El ministro de Salud quiere que se realice un referendo sobre el aborto. Según encuestas de opinión, los brasileños rehusarían dar a las mujeres el derecho a la opción.
 
Pero, activistas contrarios al aborto dicen que están preocupados porque Brasil podría seguir la senda de Portugal, que lo legalizó luego de un plebiscito realizado en febrero.
 
"Este año ha sido preocupante para la gente que cree que la vida comienza con la concepción", dijo Luiz Bassuma, jefe de la bancada contraria al aborto en el Congreso, en una columna periodística.
 
Los activistas dicen que el aborto será eventualmente legalizado en momentos en que la Iglesia Católica, aunque poderosa, ha perdido peso político en Brasil desde el fin de la dictadura militar em 1985 y el surgimiento del sida.
 
Choques con la iglesia
 
Las políticas del Gobierno ya chocan con la doctrina de la Iglesia sobre planeamiento familiar, ciencia y sida.
 
El Ministerio de Salud provee de todo gratuitamente, desde píldoras para el control de la natalidad a ataduras de trompas, y provee abortos en casos de violación o cuando la vida de la madre corre peligro. El Congreso permite investigaciones con células madre de embriones humanos congelados.
 
Algunos estados del país permiten las uniones entre homosexuales. Un fiscal federal quiere que los tribunales consideren los matrimonios gay como un derecho constitucional.
 
Además, el Gobierno entrega gratuitamente millones de condones cada año para la prevención del sida, muchos en escuelas secundarias públicas, causando la ira de la Iglesia pero elogios de las Naciones unidas.
 
"La Iglesia se pone en el camino cada vez que tratamos de ampliar el acceso al control de la natalidad, pero pierde la batalla sobre la política de sida", dijo la doctora Tania Lago. "Es una enfermedad que mata, por lo que los políticos estuvieron dispuestos a enfrentarse con la Iglesia", agregó.
 
La médica dirige programas de salud para el gobernador del estado de Sao Paulo, José Serra, quien como ministro de Salud del país en la década de 1990 creó un programa de combate al sida con la entrega gratuita de condones y de cócteles contra la enfermedad.
 
"No podemos estar de acuerdo con los condones porque convierten la vida en una vida sin responsabilidad", dijo el cardenal Geraldo Majella, presidente de la Conferencia Nacional de Obispos de Brasil, antes de comenzar este año la fiesta de Carnaval, cuando el gobierno entregó millones de preservativos.
 
Los católicos también ignoran la doctrina de la Iglesia en la materia. Un 74 por ciento de los 188 millones de brasileños son católicos y sus tasas de aborto y uso de condones reflejan a la población en general, según estudios.
 
"Existe una enorme brecha entre lo que piensan los católicos acerca de la salud reproductiva y las normas que defiende la jerarquía de la Iglesia", dijo Dulce Xavier, del grupo Católicos por el Derecho a Decidir.
 
Además, Brasil figura segunda entre las poblaciones más activas sexualmente, después de Grecia, según una encuesta divulgada en abril. Los griegos tienen, en promedio, 164 relaciones sexuales por año, y los brasileños 145.
 
La enseñanza de abstinencia de la Iglesia cae en oídos sordos en Brasil, donde el presidente Lula ha dicho que "el sexo es algo que le gusta a todos, es una necesidad biológica de los humanos".
 
"Si le digo a mis pacientes que practiquen la abstinencia, todos se reirán en mi cara", dijo la doctora Marta Campagnoni, quien imparte clases de planeamiento familiar en la clínica de salud.
 
 
 
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ESTADOS UNIDOS: WASHINGTON POST
 
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VISITING POPE STEPS INTO ABORTION BATTLE IN BRAZIL
 
 
By Terry Wade
 
Reuters
 
Wednesday, May 2, 2007
 
SAO PAULO (Reuters) - At a dilapidated clinic in a gritty section of Sao Paulo, doctors know that many of the pregnant Bolivian immigrants, shantytown dwellers and prostitutes they treat will go on to seek abortions elsewhere.
 
Abortion is illegal in Brazil, the world's biggest Catholic country, and back street abortions are rife, often leading to uterine
infections and, in some cases, death.        
 
When Pope Benedict visits here May 9, he will find his authority is being challenged, not just by sexual behavior in Brazil, but also by changing attitudes to abortion.
 
Brazilians tend to be sexually liberal -- having multiple partners is common, prostitution is legal, and even the president says "nearly everybody likes sex."
 
Many ignore the church on birth control and abortion. The government hands out condoms -- also opposed by the Catholic church -- to prevent the spread of AIDS. And doctors blame Catholic leaders for hurting women's health and weakening the fight against AIDS.
 
"The church gets in the way," said Dr. Tania Lago, who runs women's health programs for Sao Paulo state.
 
CONFRONTING CHURCH
 
Safe, clandestine clinics cater to rich Brazilians, but poor women induce abortions with an illegal drug called misoprostol, bought in Sao Paulo street markets. Too much can result in a ruptured uterus.
Others rely on homemade potions containing peroxide, which causes burns, or improvised devices.
 
For Dr. Ruth Loreto Sampaio de Oliveira, a gynecologist at the Centro de Saude Escola Barra Funda clinic in Sao Paulo, this is her worst fear.
 
"We've had patients die after resorting to risky abortions," she said.
 
Supporters of abortion want President Luiz Inacio Lula da Silva to confront the church on abortion rights and birth control now that he is in his second term and cannot seek re-election.
 
Polls have shown Brazilians would reject abortion if Lula's health minister is successful in bringing the debate to a referendum.
 
But anti-abortion leaders say they are concerned by developments in other Catholic countries: Portugal legalized abortion after a plebiscite in February, and Mexico City legalized abortion in April.
 
"This year has been worrisome for people who believe life starts at conception," Luiz Bassuma, head of the anti-abortion caucus in Congress, said in a newspaper column.
 
Activists believe abortion will eventually be legalized as the church, while powerful, has lost political sway since the end of military rule in 1985 and the emergence of AIDS.
 
IGNORING DOCTRINE
 
Government policies already clash with church doctrine on family planning, science and AIDS.
 
The health ministry provides everything from free birth control pills to tubal ligations, and gives abortions in cases of rape or when a mother's life is in danger. Congress has approved stem cell research on frozen human embryos.
 
Some states allow gay civil unions. One federal prosecutor wants courts to deem gay marriage a constitutional right.
 
Moreover, officials hand out millions of free condoms each year to prevent AIDS, many at public schools, angering the church but drawing praise from the United Nations.
 
"The church lost the battle over AIDS policy," said Dr. Lago of Sao Paulo state. "Because it's a disease that kills, politicians were willing to face off with the church."
 
Catholics make up 74 percent of Brazil's 185 million people and their rates of abortion and contraceptive use mirror the broader populace, studies show.
 
"There's a huge gap between what Catholics think about reproductive health and the rules the church hierarchy defends," said Dulce Xavier of Catholics for Free Choice.
 
On such issues, the church looks increasingly out of touch.
 
"We cannot agree with condoms because they turn life into a life without responsibility," Cardinal Geraldo Majella, head of the National Bishops Council, said just before this year's Carnival celebrations, when the government gave out condoms.
 
Archbishop Angelo Amato last week called gay marriage evil, abortions terrorism, and their clinics slaughterhouses.
 
Church teachings on abstinence fall on deaf ears in Brazil, where love motels with names like Desire and Opium line the highways.
 
"If I told my patients to practice abstinence, everybody would laugh in my face," said Dr. Marta Campagnoni, who runs family planning classes at the Barra Funda health clinic.
 
 
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ITÁLIA: AGENZIA REUTERS
 
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PAPA DAL 9 MAGGIO IN BRASILE, CONFRONTO SULL'ABORTO
 
 
Mercoledì, 2 maggio 2007
 
SAN PAOLO (Reuters) - Dal 9 maggio, giorno in cui comincia la sua visita in Brasile, Papa Benedetto XVI dovrà fare i conti con una questione aperta e dolente per la Chiesa, quella dell'aborto.
 
In realtà in Brasile, il più grande paese cattolico del mondo, l'interruzione volontaria di gravidanza è vietata, mentre è diffusa la pratica dell'aborto clandestino, che spesso porta a contrarre infezioni uterine e, in qualche caso, alla morte.
 
Il Pontefice si troverà di fronte a una sfida alla sua autorità: non solo per i comportamenti sessuali, ma anche per il modo in cui si considera l'aborto, dato che l'opinione pubblica sta cambiando.
 
I brasiliani tendono alla libertà sessuale: avere più partner è comune, la prostituzione è legale e anche il presidente dice che "a quasi tutti piace il sesso".
 
Molti non tengono in conto la dottrina della Chiesa sul controllo delle nascite e sull'aborto. Il governo distribuisce preservativi - contro l'opinione della Chiesa - per prevenire la diffusione dell'Aids. E i medici accusano le gerarchie cattoliche di attentare alla salute delle donne e di indebolire la lotta contro l'Aids.
 
"La Chiesa sta creando ostacoli", dice la dottoressa Tania Lago, che dirige il programma di salute femminile dello Stato di san Paolo.
 
Le brasiliane benestanti ricorrono a cliniche clandestine e sicure, ma le donne povere si procurano l'aborto assumendo un farmaco illegale, il misoprostol, che si compra per strada a San Paolo. L'uso eccessivo provoca perforazioni dell'utero. Altre donne invece si affidano a pozioni fatte in casa che contengono perossido, che provoca bruciature, o a rimedi improvvisati.
 
Per la dottoressa Ruth Loreto Sampaio de Oliveira, una ginecologa della clinica Centro de Saude Escola Barra Funda di San Paolo, questo è il timore peggiore: "Abbiamo avuto pazienti morte dopo aver fatto ricorso ad aborti rischiosi".
 
 
DIBATTITO APERTO
 
I sostenitori dell'aborto vogliono che il presidente Luiz Inacio Lula da Silva affronti la Chiesa sulla questione del diritto all'interruzione volontaria di gravidanza e sul controllo delle nascite, ora che è stato eletto per il secondo mandato e non potrà essere rieletto una terza volta.
 
I sondaggi indicano che i brasiliani direbbero no all'aborto, se il ministro della Salute del governo Lula sottoponesse la questione a referendum. Ma i leader del fronte anti-aborto affermano di essere preoccupati dagli sviluppi in corso in altri paesi cattolici: il Portogallo ha legalizzato l'aborto dopo un plebiscito a febbraio e il Messico ha preso la stessa decisione ad aprile.
 
Gli attivisti credono che l'aborto verrà legalizzato anche in Brasile, dato che la Chiesa, anche se resta forte, ha perso il suo peso politico nel paese, dopo la fine della dittatura militare nel 1985 e l'emergenza-Aids.
 
Le politiche del governo sulla pianificazione familiare, la scienza e l'Aids già di fatto si scontrano con la dottrina della Chiesa. Il Parlamento ha approvato la ricerca sulle cellule staminali provenienti da embrioni umani congelati. Alcuni Stati (il Brasile è una repubblica federale) consentono le unioni civili tra omosessuali. E si dibatte anche se i matrimoni gay sono un diritto costituzionale.
 
Le autorità distribuiscono milioni di preservativi gratis ogni anno per prevenire l'Aids, provocando l'irritazione della Chiesa.
 
"La Chiesa ha perso la battaglia sulla politica verso l'Aids", dice la dottoressa Lago. "Dato che è una malattia mortale, i politici hanno preferito opporsi alla Chiesa".
 
Il 74% dei 185 milioni di brasiliani sono cattolici e i tassi di aborto e contraccezione tra di loro rispecchiano quelli di tutta la popolazione, indicano vari studi.
Está previsto um referendo para breve.
 
Até lá...
 
45. LEGISLAÇÃO EM VIGOR EM PORTUGAL:
Lei nº 6/84 de 11 de Maio:
 
Exclusão de ilicitude em alguns casos de interrupção voluntária da gravidez.
 
..................
 
Artigo 1º
 
Os artigos 139, 140 e 141 do Código Penal passam a ter a seguinte redacção:
 
.....................
 
Artigo 140
 
Exclusão de ilicitude do aborto
 
1 - Não é punível o aborto efectuado por médico, ou sob a sua direcção, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido e com o consentimento da mulher grávida quando, segundo o estado dos conhecimentos e da experiência da medicina:
 
a) Constitua o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida;
 
b) Se mostre indicado para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida, e seja realizado nas primeiras 12 semanas de gravidez;
 
c) Haja seguros motivos para prever que o nascituro venha a sofrer, de forma incurável, de grave doença ou malformação, e seja realizado nas primeiras 16 semanas de gravidez;
 
d) Haja sérios indícios de que a gravidez resultou de violação da mulher, e seja realizado nas primeiras 12 semanas de gravidez.  ( Via_Orlando)


46. Razões para escolher a vida _ Nota Pastoral do Conselho Permanente Conferência Episcopal Portuguesa sobre
o referendo ao aborto
 
1. A Assembleia da República decidiu sujeitar, mais uma vez, a referendo
popular o alargamento das condições legais para a interrupção voluntária da
gravidez, acto vulgarmente designado por aborto voluntário. Esta proposta
já foi rejeitada em referendo anterior, embora a percentagem de opiniões
expressas não tivesse sido suficiente para tornar a escolha do eleitorado
constitucionalmente irreversível, o que foi aproveitado pelos defensores do
alargamento legal do aborto voluntário.
 
Nós, Bispos Católicos, sentimos perplexidade acerca desta situação. Antes
de mais porque acreditamos, como o fez a Igreja desde os primeiros séculos,
que a vida humana, com toda a sua dignidade, existe desde o primeiro
momento da concepção. Porque consideramos a vida humana um valor absoluto,
a defender e a promover em todas as circunstâncias, achamos que ela não é
referendável e que nenhuma lei permissiva respeita os valores éticos
fundamentais acerca da Vida, o que se aplica também à Lei já aprovada. Uma
hipotética vitória do "não" no próximo referendo não significa a nossa
concordância com a Lei vigente.
 
2. Para os fiéis católicos o aborto provocado é um pecado grave porque é
uma violação do 5º Mandamento da Lei de Deus, "não matarás", e é-o mesmo
quando legalmente permitido.
 
Mas este mandamento limita-se a exprimir um valor da lei natural,
fundamento de uma ética universal. O aborto não é, pois, uma questão
exclusivamente da moral religiosa; ele agride valores universais de
respeito pela vida. Para os crentes acresce o facto de, na Sua Lei, Deus
ter confirmado que esse valor universal é Sua vontade.
 
Não podemos, pois, deixar de dizer aos fiéis católicos que devem votar
"não" e ajudar a esclarecer outras pessoas sobre a dignidade da vida
humana, desde o seu primeiro momento. O período de debate e esclarecimento
que antecede o referendo não é uma qualquer campanha política, mas sim um
período de esclarecimento das consciências. A escolha no dia do referendo é
uma opção de consciência, que não deve ser influenciada por políticas e
correntes de opinião. Nós, os Bispos, não entramos em campanhas de tipo
político, mas não podemos deixar de contribuir para o esclarecimento das
consciências. Pensamos particularmente nos jovens, muitos dos quais votam
pela primeira vez e para quem a vida é uma paixão e tem de ser uma
descoberta.
 
Assim enunciamos, de modo simples, as razões para votar "não" e escolher a
Vida:
 
1ª. O ser humano está todo presente desde o início da vida, quando ela é
apenas embrião. E esta é hoje uma certeza confirmada pela Ciência: todas as
características e potencialidades do ser humano estão presentes no embrião.
A vida é, a partir desse momento, um processo de desenvolvimento e
realização progressiva, que só acabará na morte natural. O aborto
provocado, sejam quais forem as razões que levam a ele, é sempre uma
violência injusta contra um ser humano, que nenhuma razão justifica
eticamente.
 
2ª. A legalização não é o caminho adequado para resolver o drama do "aborto
clandestino", que acrescenta aos traumas espirituais no coração da
mulher-mãe que interrompe a sua gravidez, os riscos de saúde inerentes à
precariedade das situações em que consuma esse acto. Não somos insensíveis
a esse drama; na confidencialidade do nosso ministério conhecemos-lhe
dimensões que mais ninguém conhece. A luta contra este drama social deve
empenhar todos e passa por um planeamento equilibrado da fecundidade, por
um apoio decisivo às mulheres para quem a maternidade é difícil, pela
dissuasão de todos os que intervêm lateralmente no processo, frequentemente
com meros fins lucrativos.
 
3ª. Não se trata de uma mera "despenalização", mas sim de uma
"liberalização legalizada", pois cria-se um direito cívico, de recurso às
instituições públicas de saúde, preparadas para defender a vida e pagas com
dinheiro de todos os cidadãos.
"Penalizar" ou "despenalizar" o aborto clandestino, é uma questão de
Direito Penal. Nunca fizemos disso uma prioridade na nossa defesa da vida,
porque pensamos que as mulheres que passam por essa provação precisam mais
de um tratamento social do que penal. Elas precisam de ser ajudadas e não
condenadas; foi a atitude de Jesus perante a mulher surpreendida em
adultério: "alguém te condenou?... Eu também não te condeno. Vai e
doravante não tornes a pecar". [ver as nossas "Telegráficas sobre o aborto"]
 
Mas nem todas as mulheres que abortam estão nas mesmas circunstâncias e há
outros intervenientes no aborto que merecem ser julgados. É que tirar a
vida a um ser humano é, em si mesmo, criminoso.
 
4ª. O aborto não é um direito da mulher. Ninguém tem direito de decidir se
um ser humano vive ou não vive, mesmo que seja a mãe que o acolheu no seu
ventre. A mulher tem o direito de decidir se concebe ou não. Mas desde que
uma vida foi gerada no seu seio, é outro ser humano, em relação ao qual tem
particular obrigação de o proteger e defender.
 
5ª. O aborto não é uma questão política, mas de direitos fundamentais. O
respeito pela vida é o principal fundamento da ética, e está profundamente
impresso na nossa cultura. É função das leis promoverem a prática desse
respeito pela vida. A lei sobre a qual os portugueses vão ser consultados
em referendo, a ser aprovada, significa a degenerescência da própria lei.
Seria mais um caso em que aquilo que é legal não é moral.
 
3. Pedimos a todos os fiéis católicos e a quantos partilham connosco esta
visão da vida, que se empenhem neste esclarecimento das consciências.
Façam-no com serenidade, com respeito e com um grande amor à vida. E
encorajamos as pessoas e instituições que já se dedicam generosamente às
mães em dificuldade e às próprias crianças que conseguiram nascer.
 
Lisboa, 19 de Outubro de 2006

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