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Oito de julho de 2002. Acabara de sair de um comovente momento que
me rendera algumas lágrimas. Despedi-me de minha família,
dos meus amigos, no aeroporto internacional Galeão, no Rio de
Janeiro. Agora, lá estava eu, sentado na janela junto à
asa esquerda do avião. O dia nublado lá embaixo das nuvens
escuras quase não foi notado devido o lindo céu, salpicado
de estrelas, que pude ver de lá de cima. Pensei em como havia
chegado ali, neste momento, como que um filmo passou em minha mente,
lembrando-me de toda a trajetória da minha vida. Éramos uma família muito pobre, porém, eu era uma criança feliz. Minha avó materna abandonara seus nove filhos e, como minha mãe era a mais velha e era a única casada, teve a responsabilidade de cuidar de todos eles, portanto, quando criança, morávamos 8 pessoas em uma humilde casa emprestada, com 4 cômodos, sustentados somente pelo salário mínimo que ganhava meu pai no ofício de motorista caminhoneiro. O fato de poder possuir muita coisa do que queria não me incomodava. Eu sabia que existiam famílias muito mais pobres do que a minha e, apesar dos grãos de feijões batidos no velho liquidificadores acrescidos com bastante água para dar para todos, apesar dos bolinhos de chuva feitos de trigo e açúcar e apesar do incomodo papel de embrulhar pão, no lugar do macio papel higiênico, eu era, como disse, uma criança alegre e existia um motivo para esta alegria. Lembro-me quando, aos domingos pela manhã, acordávamos todos para ir a Escola dominical, na Igreja Evangélica Assembléia de Deus. Naquele antigo templo, construído com traços da arquitetura barroca, eu ouvia muitas coisas a respeito da Bíblia, muitas delas eu não entendia, mas, ainda assim, era palavras que iam martelando e impregnando no meu coração. Vivi no "ambiente da igreja", sem, contudo, compreender a realidade do que chamavam de evangelho. O tempo foi passando e com muita luta, meus pais foram vencendo na
vida. Conseguiram comprar uma casa com dinheiro emprestado. Minha mãe
montou um bazar (loja que vende roupas usadas), até quando conseguiu
construir uma linda loja. Meu pai comprou um carro simples, até
que conseguiu adquirir uma van de luxo com 12 lugares onde trabalhava
fazendo turismo. Após pagarem a casa, começaram a reformar
aquela construção considerada caso perdido, até
transforma-la em uma das casas bonitas do bairro. Agora não precisávamos
mais comer suco de feijão e, a maior de todas as conquistas;
trocamos o papel de embrulhar pão pelo papel higiênico.
Quantas vitórias não acham? Obviamente que sim, afinal,
todos querem prosperar. Mas essas vitórias resultaram na maior
de todas as derrotas, pois, continuávamos nos levantando aos
domingos pela manhã, não para ir a igreja, mas para ir
as praias, ou clubes tomar banho de piscina, ou viajar para algum lugar,
ou até mesmo para ficar assistindo televisão desfrutando
do conforto daquela linda casa. Agora eu tinha muita coisa do que queria,
contudo, sentia que faltava algo, algo que eu havia deixado para trás,
mas as verdades da vida tornaram-se surdo e cego para a alegria que
dantes possuía. Adentrava na fase da adolescência, sorrindo
com os lábios, mas banhando o meu travesseiro com as lágrimas
do meu coração. Em meado de maio de 1998, continuava vivendo aquela vida sem propósito, sem um objetivo que me satisfizesse, até que recebi um convite, um convite simples, mas que causou a diferença da minha vida. Dois amigos chamaram-me para ajuda-los a realizar algumas tarefas da gincana que acontecia em sua igreja. Aceitei o convite para que pudesse mostrar a mais alguém meu dinamismo e minhas habilidades. Então após cerca de 8 anos, lá estava eu, novamente dentro de uma igreja e que por coincidência, ou melhor Jesuscidencia, era a mesma igreja que freqüentava quando criança. Dei de tudo para que minha equipe ganhasse aquela gincana. Não estava muito interessado no que faziam ou diziam, mas, tudo que faziam e diziam, principalmente nos cultos que voltei a freqüentar, traziam a memória tudo que já havia aprendido sobre Deus. Passei mais três semanas, após aquele convite, redescobrindo e descobrindo muitas coisas, até que, ao final daquelas semanas, no dia 13 de junho de 1998, em um culto nesta igreja, enquanto ouvia a pregação com o Pr. Sóstenes Silva, descobri a maior delas, descobrir o que eu havia perdido, o que faltava para tirar de mim a amargura e a tristeza, para tornar alegres os versos da minha poesia, para banhar em felicidade o meu travesseiro. Descobri que o que eu tanto queria, mas nunca encontrava era a salvação que Deus nos concedeu em cristo Jesus e, naquela noite, isto foi tão real para mim que, ao perguntar o pregador quem desejava ter uma experiência com Deus, levantei-me do meu lugar e caminhei para frente sendo banhado em lágrimas, onde senti Deus tirando de dentro de mim toda a tristeza, dúvida e pecado e colocando sua paz, sua alegria e seu amor. Aquele dia foi o final da gincana, minha equipe ficara em 3º lugar, mas eu havia alcançado a maior das vitórias, havia tido um encontro com Cristo. Desde aquele dia tenho procurado conhecer mais e mais ao Senhor e, agora meus pais confiam em mim, agora não ando com uma máscara, pois meus sorrisos são sinceros, agora não vivo mais no engano e na mentira, pois tenho uma consciência limpa diante de Deus e dos homens, agora eu tenho a certeza da vida eterna e tenho um propósito e um alvo digno na vida. Chegamos! Aeroporto internacional Eduardo Gomes, Manaus - Am, aqui começo a dar os primeiros passos em direção ao objetivo para o qual entreguei minha vida. Fazer com outros encontrem o que encontrei, fazer com que pessoas como você saibam que, não importa qual seja o problema, Jesus é a única solução, fazer com que pessoas como você, também tenham a certeza da vida eterna. Hora do desembarque, hora de continuar subindo, cada vez mais alto, em direção ao Pai.
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