DICIONÁRIO TEOLÓGICO BRASILEIRO- LÁZARO
SOARES DE ASSIS
Dicionário de Bolso, compilado
para responder às perguntas mais freqüentes de alunos e membros de EBD sobre TEOLOGIA
LÁZARO SOARES DE ASSIS
Doutor em Teologia, em Ciências da Religião,
em
Filosofia da Religião e em Divindade.
Direitos Reservados, na forma da
Lei.
Dr. LÁZARO SOARES DE ASSIS,
ThD, PhD, DD
Rua Orlandina Sathler, 58 - Centro
36985-000 - CHALÉ/MG
Telefones.:
{(33)3345-1308 e 3345-1520} Atual: 31-3826-6042
E-mail: prlazaro@terra.com.br ou geralgjs@terra.com.br
Citações desta obra
poderão ser livremente utilizadas, desde que mencionada a fonte.
ABREVIATURAS E SIGLAS:
a.C. - antes de Cristo
ARA - Bíblia Sagrada, Edição
Almeida Revista e Atualizada
ARC - Bíblia Sagrada, Edição
Almeida Revista e Corrigida
AT - Antigo Testamento
BEP - Bíblia de Estudo
Pentecostal
BLH - Bíblia na Linguagem de Hoje
cf. - confere, confronte (do
lat. conferre)
d.C. - depois de Cristo
e.g. - por exemplo (lat. exempli gratia)
gr. - grego
heb. - hebraico
JPS
- Jewish Publication Society Old Testament
lat.
- latim
NKJV
- New King James Version
NT - Novo Testamento
RV - Versão Reina-Valera
(Espanhol)
As palavras que aparecem
repetidas entre parêntesis, correspondem à pronúncia correta do respectivo
vocábulo.
APRESENTAÇÃO
A presente obra é, por
assim dizer, uma extensão ou continuação de nosso trabalho anterior, Dicionário Bíblico de Bolso.
Diferentemente da obra
anterior, o presente trabalho se propõe a ser um instrumento de pesquisa para
aqueles que se interessam pela Teologia, mas que em virtude de fatores os mais
variados, não têm acesso a grandes Dicionários ou a
conceituadas Enciclopédias, que às vezes, custam caro.
De forma muito especial o salmista,
expressando-se acerca do homem "bem aventurado", diz, que ele não
apenas foge de circunstâncias que desagradam a Deus, mas também "...na Lei de
Jeová está sua delícia, e em Sua Lei medita de dia e de noite." (Sl 1:2,
na RV).
Este Dicionário, portanto, pretende ser
instrumento de Deus para você possa deliciar-se, deleitar-se cada vez em
conhecer e em prosseguir em conhecer o Senhor (cf. Os 6:3).
Nossa oração e o desejo
sincero de nosso coração, é que o Senhor da Igreja possa tornar este pequeno
Dicionário um grande veículo para abençoar sua vida no
conhecimentos de Sua vontade. Que Ele, em Cristo, lhe abençoe!
Seu
irmão e amigo,
Rev. Lázaro Soares de Assis
lsassis@aol.com.br
PREFÁCIO
Demóstenes dizia muito
bem, quando afirmava que conhecimento começa com definição. Todo professor,
todo aquele que ensina ou todo aquele que estuda precisa se lembrar disto e ter
cuidado para definir bem as Doutrinas. A Bíblia abunda em grandes palavras de
tremenda importância e nós devemos exercitar muito cuidado
definindo estas palavras.
Por mais desagradável
que possa ser, precisamos reconhecer que, infelizmente, nossa
Igrejas estão cheias de líderes sem nenhum conhecimento
bíblico-teológico. Muitas vezes, são Igrejas pequenas. Mas, nem sempre. Algumas
vezes, são líderes de grandes rebanhos, pessoas investidas no ministério de
"pastor" (poimen),
ou seja, provedores de pasto, quando eles mesmos estão morrendo de inanição,
morrendo de fome, ou, pelo menos, evidenciando desnutrição bíblico-teológica.
Este livro, não se
propõe a ser um "mantra", uma palavra mágica para solucionar tal
problema. Na realidade, este livro é um desafio para que "conheçamos e
prossigamos em conhecer o Senhor..." (Os 6:3). É também um eco ao apelo de
Paulo à Timóteo (2Tm 2:15): "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que
se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade".
Que
Deus, em Cristo abençoe sua vida e que você aceite o desafio!
Chalé(MG), outubro de 2001.
Rev. Lázaro Soares de Assis
lsassis@aol.com.br
ABENÇOAR - Este termo vem do verbo
grego eulogeo,
cujo significado básico é dar prosperidade e bondade, tendo Deus como Fonte
destas graças. Portanto, quando Deus abençoa, os abençoados são contemplados
pelo favor divino (cf. Gn 24:48). Quando alguém é contemplado pela bênção do
Senhor, diz-se que esta pessoa é makarios, que pode significar
simplesmente "feliz", mas que segundo a opinião de alguns eruditos de
renome, na verdade é um superlativo: "felicíssimo"! Quanto à bênção
de Deus, ainda vale lembrar aquelas maravilhosas palavras: "A bênção do
Senhor é que enriquece; e Ele não a faz seguir de dor alguma."
(Pv 10:22). Finalmente, é preciso ressaltar que a bênção do Senhor é
resultado de nossa fidelidade: "Vede que hoje eu ponho diante de vós a
bênção e a maldição: a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso
Deus, que eu hoje vos ordeno" (Dt 11:26,27).
ABLUÇÃO - Na religião judaica
havia quatro tipos diferentes de lavagem cerimonial: 1) a lavagem das mãos, não
explicitadamante requerida no A.T., embora inferida com base em Lv 15:11, que
nos dias do N.T. tornara-se prática generalizada e séria (Mc 7:6; Mt 15:2); uma
outra prática similar era a lavagem dos pés (cf. Jo 13:5); 2) a lavagem dos pés
e das mãos, em preparação para o serviço sacerdotal (Êx 30:19; 40:31),
lembrando que o Tabernáculo e mais tarde, o Templo tinham uma bacia para esse
fim; 3) a imersão do corpo, a fim de participar apropriadamente do serviço do
Senhor (Lv 8:6; 16:24); e 4) a lavagem de vasos, casas, vestes e outros itens
usados para propósitos religiosos (Êx 19:14; Lv 14:52; 15:6-8; Mc 7:4).
ABRAÃO, SEIO DE -
Termo metafórico usado para referir-se ao Céu. Nos tempos bíblicos, existia o
costume das pessoas se reclinarem em sofás para as refeições, ficando próximas
umas das outras. Estar no "seio de Abraão" é exatamente uma metáfora
tomada deste costume. Ela significa, então "tomar parte no banquete
celestial" (Lc
16.22-23).
ACESSO - Inicialmente, podemos definir
acesso como permissão ou liberdade de chegar perto e comunicar-se com
alguém (cf. Ef 2:18). Ao analisarmos o
vocábulo grego que ocorre no texto de Ef 2:18, prosagoge, certamente nosso entendimento do termo
se amplia. Este substantivo possui vários significados, dentre os quais podemos
destacar: "acesso", "aproximação", "relação através da
qual somos aceitáveis diante de Deus e temos garantia de que Ele nos é
favorável". Deriva-se do verbo prosago, que significa "conduzir",
"trazer", "abrir um acesso para Deus",
"aproximação".
ADIVINHAÇÃO -
O termo hebraico mais comum é qasam. Na Bíblia, este termo é
empregado para designar toda e qualquer forma de magia que se proponha a
predizer o futuro e aconselhar quanto a ele (2Rs 17:17), prática
terminantemente proibida ao povo de Israel, qualquer que fosse sua modalidade (Lv 19:26,31). Na
língua grega, o termo mais comum para adivinhação é manteia, cujos
sentidos básicos são: "adivinhação" e "predição". É com manteia, em sua forma
aportuguesada, mancia, que se
formaram os vocábulos que designam a maioria das formas de adivinhação, tais
como: cartomancia, rabdomancia, hidromancia,
hepatomancia, etc. Neste Dicionário, você encontrará verbetes com algumas
formas de adivinhação que estão relacionadas com a Bíblia: Astrologia,
Bibliomancia, Feitiçaria, Necromancia e Rabdomancia.
ADOÇÃO - Costuma-se definir Adoção como
o ato de tornar legalmente filho aquele que não é filho por natureza. Pela
adoção Deus aceita como membros da Sua família os pecadores que se voltam para
Ele com arrependimento e fé
(Rm 8:15-18; Gl 3:26-28; 4:5). O termo Adoção vem do grego huiothesia, cuja gama
de significações é muitíssimo vasta, como por exemplo:
"adoção", "adoção de crianças", "adoção de
filhos", " adoção como filhos"; por extensão, também denota a
"natureza e condição dos verdadeiros discípulos de Cristo, que recebendo o
Espírito de Deus em suas vidas, se tornam filhos de Deus".
ADOPCIONISMO - Nome de uma heresia baseada em
interpretações errôneas de textos como Rm 1:4; Hb 2:10 e Hb 5:8,9,
entre outros. Em síntese, esta doutrina herética afirma que Jesus não nasceu
Filho de Deus, mas que em determinado momento na Sua vida, Ele se tornou
Filho de Deus, isto é, teria sido "adotado" como Filho. Segundo
alguns que defendem essa heresia, essa
"adoção" ter-se-ia dado por ocasião do Batismo de Jesus.
Outras correntes dentro dessa heresia, afirmam que essa
"adoção" não ocorreu, enquanto Jesus não ressuscitou. Essa
doutrina herética, foi radicalmente combatida
no Concílio de Nicéia (325 d.C.).
ADORAÇÃO -
Nas páginas das Escrituras Sagradas, o termo Adoração pode significar:
"culto", "honra", "reverência" e
"homenagem" prestados a poderes superiores, sejam seres humanos,
anjos ou Deus (cf.
Sl 96:9). Como a Bíblia é um descortinamento progressivo da Revelação, ela nos
revela quatro etapas de desenvolvimento da adoração a Deus: 1) os Patriarcas
adoravam, construindo altares e oferecendo sacrifícios (Gn 12:7-8; 13:4); 2) posteriormente,
veio a adoração no Tabernáculo e mais tarde no Templo, com um sistema completo
de Sacrifícios; 3) a adoração nas Sinagogas, que teve início durante o
Cativeiro; e 4) a adoração cristã, que inclui a pregação (At 20:7), leitura das
Escrituras (1Tm 4:13), oração (1Tm 2:8), louvor (Ef 5:19) e ofertas (1Co 16:1-2), além de
Batismos (At 2:37-41) e da Ceia do
Senhor (1Co 11:23-29).
ADULTÉRIO -
Termo que designa uma relação sexual que um homem casado tem com uma mulher que
não é sua esposa ou vice-versa (cf. Jr 23:10; Jo 8:3). No texto de Jo
8:3, aparece o substantivo grego moicheia, cujo significado básico é
"adultério". Sua origem é o verbo grego moicheuo, "cometer adultério",
"ser um adúltero", "cometer adultério com", "ter
relacionamento ilícito com outra pessoa que não seja o esposo ou a
esposa". Num sentido metafórico, a idolatria era chamada de
"adultério" (cf. Jr 3:8; Ez 23:37).
ÁGAPE - Vocábulo de origem grega, agape, cujos significados principais são:
"amor", "caridade"; deriva-se do verbo agapao. Este termo,
ágape, era usado para denotar o "banquete de caridade", ou
"festa de amor fraternal", ou ainda, "banquete entre
amados". Seja qual for o significado escolhido, este termo denotava de
fato aquela reunião de fraternidade e amor cristão, que comumente
era encerrada com a celebração da Ceia do Senhor (1Co 11:20-34; 2Pe 2:13; Jd
1:12).
AGNOSTICISMO - Termo que designa uma das formas de negação
da existência de Deus. A palavra Agnosticismo, é de origem grega, a, "não" e gnosis,
"conhecimento". Ou seja, "não saber". O Agnosticismo
crê que nem a criação, e nem mesmo os alegados fatos quanto à existência
de Deus podem fazê-lO conhecido. O adepto do
Agnosticismo diz crer unicamente no que pode ver e tocar. Assim, todas as
demais coisas, incluindo a fé em Deus são relativas. Isto é, o homem não
pode saber qualquer coisa sobre Deus, haja vista que as
alegadas provas de Sua existência estão fora do
domínio das coisas materiais.
AGRICULTURA - Termo designativo do cultivo do
campo. É mencionada na Bíblia pela primeira vez em Gn 4:2, onde se diz que Caim
foi "lavrador da terra"; no heb. "lavrador"
é 'abad.
Na Palestina eram cultivados cereais, além de figueiras, oliveiras e vinhas.
Para não desgastar o solo, observava-se o "Ano Sabático" (o ano de
descanso da Terra). Na preparação do solo usava-se o arado. A colheita dos
cereais era feita com foices, e o produto era amarrado em feixes. Depois, os
cereais eram trilhados (isto é, debulhados, cf. Is 28:27) e padejados (ou seja,
separados os grãos da palha, depois de debulhados, jogando-os no ar com pás; os
grãos do cereal caíam na eira e o vento espalhava a palha ,
cf. Is 41:16). Em seguida, os grãos eram recolhidos em celeiros.
ÁGUA - Termo que ocorre 299 vezes na
Bíblia, versão ARC e 278 na ARA. No hebraico, é mayim; no grego, hidros. Ambos os
termos significam "água", "águas"; designa
"água", num sentido genérico: de rios, fontes, piscinas, do dilúvio,
ondas do mar, etc. Nas páginas das Escrituras Sagradas, a água é vista como
líquido essencial à vida; assim, em virtude da escassez de água na Palestina, a
água é extremamente valorizada. Para ter água, muitas vezes o povo dependia de
rios. Alguns destes, eram meros ribeiros de duração temporária, chamados wadys; também se
utilizavam fontes, poços e cisternas (Is 35:6). Metaforicamente, a água é usada
na Bíblia para simbolizar uma imensa gama de coisas: 1) Deus: "Manancial de Águas Vivas"
(Jr 2:13; 17:13); 2) Cristo:
"Água da Vida" (Jo 7:37-39); 3) fidelidade
conjugal: "água da própria cisterna" (Pv 5:15); 4) algo passageiro: "água corrente"
(Jó 11:16); 5) algo que não volta mais:
"água derramada e não recolhida" (2Sm 14:14); 6) um inimigo poderoso que está se aproximando:
"torrentes transbordantes" (Jr 47:2; e 7) um perigo iminente: "águas que me
rodeiam" (Sl 88:17).
ALELUIA - Na
língua hebraica, o termo é hallal, cujo significado é
"louvor". Portanto, hallel, termo
também hebraico, significa "louvai" e Yah, forma
abreviada do nome próprio de Deus, Yahweh. Ou seja,
aleluia,
significa "louvai a Yah(weh)". Na verdade, o
termo aleluia é um
convite ao eterno louvor à Deus. No grego, o termo foi
vertido como allelouia, que significa
"louvar", "celebrar", "elogiar",
"enaltecer", "magnificar", entre outros. A palavra aleluia fazia
parte da liturgia do Templo (cf. Sl 106; 11-113; 135; 145-150), desde seus
primórdios, e como aclamação de louvor foi adotado no NT (cf. Ap 19:1-6) e é
utilizado pela Igreja Cristã.
ALIANÇA -
Termo que ocorre no grego, diatheke,
"pacto", "aliança", "concerto". Trata-se de um
acordo que Deus, por causa do Seu amor (Dt 7:8-9), fez com o Seu Povo. Essa
Aliança (ou trato, contrato, pacto - termos usados na ARC), consiste no
seguinte: o Eterno, o Deus Todo-Poderoso, cumprindo Sua
promessa aos Patriarcas (cf. Gn 17:1-8; 28:13-15), era o Deus de Israel,
e, conseqüentemente, Israel era o Povo de Deus (Êx 6:7; 19:4-6). Deus abençoava
o povo, e este, por sua vez, lhE obedecia (Dt 7:7-11).
Em cumprimento à palavra profética (cf Jr 31:31-34), Deus estabeleceu uma Nova
Aliança (ou Novo Testamento), que foi confirmada ou selada pela morte de Cristo
(Mc 14:24; Hb 8:6-13; 9:16-22). O povo de Deus é perdoado dos seus pecados (cf.
Rm 11:26,27), recebe bênçãos eternas (cf. Hb 9:15),
vive uma vida de dedicação a Ele e vive a Seu serviço (cf. 2Co 3:6; Hb
10:19-25). O termo diatheke,
ainda pode significar um contrato feito por autoridades de uma ou mais nações
ou cidades-estado, acertando condições de paz, ajuda mútua, comércio, etc.,
(1Sm 11:1), ou ainda um trato feito entre pessoas (cf. 2Sm 3:12).
ALMA - No hebraico, nephesh, no grego psuche, ambos os
termos significando "alma", ou seja, a parte não-material e imortal
do ser humano (Mt
10:28), sede da consciência própria, da razão, dos sentimentos e das
emoções (Gn 42:21). Os dicotomistas
entendem que o ser humano é corpo e alma, sendo espírito sinônimo de alma. Os
tricotomistas acreditam que o ser humano é corpo, alma e espírito (cf. Lc 1:46,47; 1Ts 5:23). "Alma vivente" quer dizer
"ser vivo" (Gn
2:7). Na Bíblia muitas vezes a palavra "alma" é empregada em lugar do
pronome pessoal: "Livra a minha alma da espada" quer dizer
"salva-me da espada" (Sl 22:20, na BLH). Outras vezes "alma"
quer dizer "pessoa"
(Nm 9:13). A
filosofia grega dedicou muita atenção ao problema da alma, conseguindo com isto exercer
grande influência na Teologia e no pensamento cristão. Platão, por exemplo,
cria na existência e transmigração da alma. A alma é uma entidade espiritual,
incorpórea, que pode
existir dentro do corpo ou fora dele. A
alma é um espírito que habita um corpo, ou nele tem estado, como
as almas dos que tinham sido mortos por causa da Palavra de Deus e pelo testemunho
de Jesus Cristo (Ap 6:9). Desde os primórdios da História do Cristianismo,
tem havido duas idéias acerca da alma, e conseqüentemente, a respeito
da natureza do homem e dos animais. São elas, a
interpretação tricotomista e a interpretação dicotomista. Para maiores esclarecimentos veja os verbetes
"dicotomia" e "tricotomia. De forma generalizada, os escritores
bíblicos, de forma especial
os do AT, não fazem distinção
precisa entre psiche
(alma animal, que é a parte inferior do ser
humano) e pneuma (espírito ou alma racional, parte
superior do homem). Por
isso é comum o uso de ambos os vocábulos como designando a mesma coisa. Ordinariamente, os autores
sagrados referem-se ao homem como sendo um composto de corpo e
alma, ou corpo e espírito, e não de corpo,
alma e espírito, a não ser no NT (1Co 15:44; 1Ts 5:23; Hb 4:12). Segundo
Scofield, sendo o homem "espírito", é capaz de ter conhecimento de
Deus e comunhão com Ele; sendo
"alma", ele tem conhecimento de si próprio; sendo "corpo",
tem através dos sentidos, conhecimento do
mundo". O corpo é tabernáculo da alma, a alma sede da
personalidade, e o
espírito o canal de comunhão com Deus.
ALTA
CRÍTICA - Termo usado para
descrever o estudo das Escrituras do ponto de vista da literatura em
contraste com a "Baixa Crítica", que trata do texto das Escrituras e
sua transmissão. A Baixa Crítica é também conhecida como Crítica Textual. A Alta Crítica tem três interesses
principais: 1) detectar a presença de fontes literárias que subjazem uma obra; 2) identificar os
tipos literários que perfazem a
composição; e 3) fazer suposições sobre questões de autoria e data.
Talvez possa parecer que o termo "Alta Crítica" tenha um significado místico ou sinistro, mas, na realidade,
é um
processo que todos os estudiosos seguem em graus diferentes, pois no
propósito de obter uma compreensão apropriada da natureza dos escritos
bíblicos, é importante examinar o caráter das fontes. Pode observar o valor da
Alta Crítica, por exemplo, em relação à descoberta do sentido exato de Ed
1:2-4; 6:3-5. Embora a
Alta Crítica seja útil para a
interpretação das Sagradas
Escrituras, deve-se considerar, entretanto, que se mal aplicada,
pode trazer resultados desastrosos, devido à facilidade de se obter resultados
da pura especulação na ausência de dados
externos. Infelizmente, é isto que vem ocorrendo com grandes nomes da
Alta Crítica.
ALTAR - No grego, thusiasterion. Termo que possui uma enorme gama de
significados: 1) o altar para matar e queimar as vítimas; 2) o altar para ofertas
queimadas que ficava no Templo de Jerusalém; 3) o altar de incenso que estava
no santuário ou Santo Lugar; e 4) qualquer altar para sacrifícios. Em geral,
era uma mesa feita de madeira, terra ou pedras, sobre a qual se
ofereciam os sacrifícios
(Êx 27:1; 20:24; Dt 27:5). Os altares de madeira eram revestidos
de algum metal e tinham "pontas" (chifres) nos quatro cantos (Lv 4:25). Um
costume bastante interessante, é que fugitivos ficavam em segurança quando
corriam e se agarravam a essas pontas (1Rs 2:28). No sentido metafórico, a
palavra "altar" denota a
cruz na qual Cristo sofreu uma morte expiatória. Assim, "comer deste
altar", significa desfrutar dos efeitos e das bênçãos concedidas por meio
da morte expiatória de Cristo.
ALTAR DO HOLOCAUSTO, O - Nome do primeiro objeto que era encontrado no Tabernáculo. Ficava localizado em frente da
porta. Era feito de bronze. Media 5 x 5 côvados
(ou seja 2,5 x 2,5 metros); sua altura era de 3 côvados (1,5 metros). Nessas
medidas, temos excelentes simbolismos: a altura de 3
côvados, nos lembra a Trindade, os 3 elementos do Homem
(corpo-alma-espírito), bem como as três horas que Jesus esteve pendurado
na Cruz. A largura também possui grande simbolismo, pois cinco é o número dos
sentidos e seus respectivos órgãos, bem como o número dos mandamentos que se
encontravam em cada uma das tábuas da Lei, servindo assim para demonstrar
a responsabilidade pessoal. O altar possuía quatro lados que simbolizavam os
quatro cantos da terra (Is 11:12), apontando assim para a universalidade da
obra de Cristo (Jo 3:16; 1Tm 2:6).
ALTAR DO INCENSO, O - O Altar do Incenso era todo coberto de ouro. Sobre ele, não se
ofereciam animais por sacrifício como no Altar de Bronze que estava no
Átrio. Nele só se queimava incenso aromático. O cheiro agradável de incenso
subia a Deus. O significado simbólico do incenso é explicado no Sl 141:2 e em
Ap 8:3: são as orações dos santos (os crentes); também compreende as
ações de graças, o louvor e a adoração do povo de Deus, como vemos em Hb
13:15. Tudo isto sobe a Deus, mas é oferecido a Deus sobre o Altar
do Incenso. Por assim dizer, é como se o Altar o levasse a Deus. Assim, o Altar
do Incenso é figura do Senhor Jesus Cristo, Único Mediador entre Deus e
os homens (Jo 14:13; 14:14; 15:16; 1Tm 2:5). Deste modo, cada crente, na
condição de sacerdote, pode aproximar-se de Deus por meio de Cristo Jesus e
oferecer-lhE sacrifícios espirituais, agradáveis a Ele
(1Pe 2:5-9). Uma coisa de grande importância, é aquilo
que disse o salmista no Sl 84:3. Ele diz que o pardal e andorinha têm
ninhos, um lugarzinho onde podem descansar. Em seguida, ele continua,
descrevendo o lugar de descanso como sendo nos "teus altares,
Senhor dos Exércitos..." Observe que a palavra "altares" está no
plural. Isto demonstra, obviamente, que há dois. Esses
altares são o Altar de Bronze e o Altar do Incenso. No Altar de
Bronze, descansamos, pois nossos pecados foram
expiados e perdoados pelo Cordeiro de Deus; no Altar do Incenso, podemos
descansar na oração, na intercessão, no gozo, na adoração, sabendo que o
Senhor está nos escutando e abençoando.
ALTOS -
Esta expressão corresponde ao termo hebraico bamah, que pode significar tanto
"elevação", quanto "santuário". Era costume dos cananeus e
dos povos semitas estabelecer santuários ou centros de adoração religiosa em
lugares elevados. Isto nos leva a lembrar do Olimpo dos gregos. A conexão entre
as divindades e as montanhas, é algo comum nas Religiões. No tocante ao povo de
Israel, eles nada viam de errado nos lugares altos, propriamente ditos.
Originalmente, estes locais tinham sido lugares de culto dos cananeus, mas os
israelitas rededicaram-nos ao culto de Yahweh, pelo menos em alguns casos.
Porém, devido à influência de costumes estrangeiros, com a ajuda da corrupção interior
dos homens, tais lugares vieram a ser dominados por práticas idólatras (e.g.
1Sm 9:12; 1Rs 14:23; 2Rs 23:8). Nos sacrifícios pagãos, até crianças eram
mortas (Jr 7:31). Infelizmente, estas práticas idolátricas acabaram se
infiltrando em Israel, de forma que a história bíblica registra acerca que
"... no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o
coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era perfeito para com o
Senhor, seu Deus, como o coração de Davi, seu pai, porque Salomão andou em
seguimento de Astarote, deusa dos sidônios, e em seguimento de Milcom, a
abominação dos amonitas. Assim fez Salomão o que era mau aos olhos do Senhor e
não perseverou em seguir ao Senhor, como Davi, seu pai. Então, edificou Salomão
um alto a Quemos, a abominação dos moabitas, sobre o monte que está diante de
Jerusalém, e a Moloque, a abominação dos filhos de Amom."
(1Rs 11:4-7).
AMÉM -
Palavra de origem hebraica, , que não é traduzida, mas apenas
transliterada (ou seja, representada nos sinais gráficos) para outros idiomas.
No grego, aparece amen. Passou para o latim, o
inglês, o português, sempre transliterado. É considerada a palavra mais conhecida da fala humana. Como 'amen está
diretamente relacionada e é quase idêntica à palavra hebraica 'amam, que significa
"acredite" ou "fiel", este termo passou a denotar a
confirmação: "verdadeiramente", "assim seja"; isto é, uma
expressão de confiança absoluta. O termo quer dizer,
primariamente "é assim" ou "assim seja". Também pode ser
traduzida por "certamente", "de fato", "com
certeza" (cf. Dt 27:15). É usada como um título para Cristo, que é a
garantia de que Deus cumprirá as promessas que fez ao seu povo (Ap 3:14).
Metaforicamente, amém pode
significar "fiel". Quando o termo é usado no início de um discurso,
denota segurança na declaração que se segue. Quando aparece no fim, o sentido é
"assim seja", "que
possa ser cumprido". O costume de se responder com "amém" no
final de uma leitura Escriturística ou oração, foi
herdado das sinagogas.
AMILENISMO -
Nome que se dá a uma visão acerca do Milênio
(período de tempo compreendido entre o aprisionamento de Satanás e a sua
última Revolta, a Batalha de Gogue e
Magogue, quando Satanás estará preso e Cristo reinará sobre as nações), termo que vem do latim mille,
"mil" e annus,
"ano"; ou seja, mil anos,
equivalente ao termo grego chiliasma.
Segundo a visão amilenista, o milênio não virá no fim do mundo, mas é um símbolo do período da
existência e da ação da Igreja na história, no fim do qual acontecerão a
segunda vinda de Cristo, a ressurreição, o juízo final e a vida eterna. Para
melhores esclarecimentos, gentileza consultar os verbetes Milênio,
Pré-Milenismo e Pós-Milenismo.
AMOR -
Ao contrário da língua portuguesa, o grego possui um grande número de vocábulos
que podem significar "amor". Dentre estes, quatro sempre são
observados de forma destacada: phileo, stergo, erao, e agapao.
Como o assunto é por demais profundo, desejamos abordar apenas alguns aspectos
destes verbos, e ainda, de forma superficial. 1) Phileo - é o termo genérico para amor.
Está relacionado com o sentimento de apreciação por alguém, acompanhado do
desejo de lhe fazer o bem. Portanto, phileo está relacionado com
"amizade", "afeição", "apreço" (e.g. 1Sm 20:17).
Para entender melhor este tipo de amor, basta observarmos que o termo
"hospitalidade", vem de um derivado de phileo, o termo philoxenia. 2) Stergo - o verbo
menos utilizado dos quatro aqui referidos, refere-se a "amar", no
sentido de "sentir afeição". Está relacionado com o amor filial ou
paternal, bem como o amor de um povo por seu governante e vice-versa. Deus é
amor (cf. 1Jo 4:8) e Seu amor é a base de Seu
relacionamento com o homem (Jr 31:3). 3) Erao - este verbo, deu origem ao substantivo eros,
termo bem mais conhecido. Está relacionado com o relacionamento conjugal. É
aquele tipo de amor, que envolve atração sexual e sentimento de posse (e.g.Ct 8:6). 4) Agapao - dos quatro
verbos aqui apresentados, agapao
é o mais utilizado. Denota o amor fraternal, aquela mais elevada qualidade
cristã (1Co
13:13), que dever nortear todas as relações da vida com o próximo e com Deus
(Mt 22:7-39). Esse amor envolve consagração a Deus (Jo 14:5) e confiança total nEle (1Jo 4:17), incluindo compaixão pelos
inimigos (Mt 5:43-48; 1Jo 4:20) e o
sacrifício em favor dos necessitados (Ef
5:2; 1Jo 3:16).
ANÁTEMA - Termo de origem grega, anathema. Originalmente, este termo denotava
algo que era elevado e em seguida, deitado por terra; também denotava
"maldito", "amaldiçoado". O termo que deu origem à esse vocábulo, foi anatithemi, cujo sentido básico é
"partir em palavras", originário de tithemi, "colocar",
"derrubar", "demitir", "separar",
"apartar". Trata-se de prática religiosa antiguíssima,
por meio da qual pessoas ou coisas exigidas por Deus ou dedicadas a Ele eram
destruídas (e.g. Js 6:18,21, na ARC). No NT quer dizer
"amaldiçoado", (conforme foi traduzido pela BLH, em textos como 1Co
16:22; Gl 1:8-9).
ANCIÃO DE DIAS -
Termo usado de forma metafórica, como um Título de Deus. Ocorre em Dn 7:9-22.
Trata-se de um "antropomorfismo". Deus julga o mundo, sendo comparado
a um homem idoso, à figura de um majestoso e respeitável juiz.
ÂNCORA - No grego, o vocábulo é agkura. Este era o termo designativo de uma
pesada peça de ferro presa a uma grossa corrente e que é lançada
ao fundo do mar a fim de manter parado o navio (At 27:29). Em sentido figurado,
representa tudo o que sustenta e dá firmeza em tempos de sofrimento ou
violência (cf. Hb 6:17-19).
ANGELOLOGIA - O termo
teológico apropriado
para esse estudo que ora
iniciamos é Angelologia (do grego angelos, "anjo" e logia,
"estudo", "dissertação"). Angelologia, se
constitui, portanto, de doutrina
específica dentro do contexto daquilo que denominados
de Teologia Sistemática, a qual se ocupa em estudar a existência, as
características, natureza moral e atividades dos anjos. Iniciaremos, portanto,
pelo estudo da existência dos anjos.
ANIMISMO - Termo de origem latina, anima, que quer dizer "alma",
"fôlego". Trata-se da crença de que objetos físicos possuam vida ou espírito próprios, não havendo algo como matéria inanimada.
Os objetos físicos, mesmo que não animados por si mesmos, poderiam ser
habitados por espíritos, que sobreviveriam, mesmo quando os objetos físicos
fossem destruídos. É com base nesta crença, que se criou e popularizou os
"amuletos", os "patuás", as "rosas ungidas", os
"lenços ungidos", etc.
ANJO - A palavra portuguesa anjo possui origem no latim angelus, que por sua vez deriva-se do grego angelos. No idioma hebraico, temos malak. Seu significado básico é
"mensageiro" (para designar a idéia de ofício de mensageiro). O
grego clássico emprega
o termo angelos para o mensageiro, o embaixador em
assuntos humanos, que fala e age no lugar daquele que o enviou. No AT, onde o termo malak ocorre 108
vezes e no NT, 175 vezes. Ao
contrário do que muitas pessoas imaginam, os anjos são seres criados (e.g. Ne 9:6; Jó 38:4-7; Sl 148:2,5;
Cl 1:16), ou seja, não são eternos nem
auto-existentes, características estas que repousam unicamente em Deus.
A Bíblia também nos ensina que os anjos são seres
espirituais, isto é, são "espíritos
ministradores" (Hb 1:14). Outro ensino bíblico é que os
anjos são seres pessoais, pois a eles são atribuídas características pessoais, isto é,
possuem inteligência (2Sm 14:20), vontade (2Tm 2:26) e atividades próprias (Ap 22:8,9). Ainda
podemos ver na Bíblia, que os anjos são seres inteligentes; isto é os anjos
excedem em muito em conhecimento e em sabedoria aos
homens mais brilhantes que a história humana já teve (Ez 28:3,4). Suas
inteligências tiveram origem quando criados, se ampliam até os dias atuais e em
virtude das oportunidades de observação que eles possuem, juntamente com as revelações
diretas da parte de Deus, devem ter-se
adicionado grandemente ao acúmulo de sua inteligência original (2Sm 14:17,20).
São ainda seres poderosos; embora não sejam onipotentes e nem
todo-poderosos, eles desfrutam de maior poder do que o homem (cf. Sl 8:5, na
LXX). Ainda sobre o poder dos anjos, leia os textos a seguir: 2Sm 24:15,16; 2Rs 19:35; Sl 103:20; Dn 10:12,13; Mt 28:2; At
12:7; Ap 20:1-3. São também seres velozes; ou seja, não estão limitados pelas dificuldades
de locomoção próprias do aspecto físico. No mundo angelical, os anjos podem
locomover-se de um lugar para o outro dentro de facilidades inimagináveis à
nossa mente finita (Dn 9:22; Mt 26:53). Finalmente, a Bíblia ainda nos ensina
que os anjos são seres
gloriosos (e.g. Is 6:1-4; Ap 5:11,12).
ANJO DO SENHOR - A
expressão "Anjo do Senhor" ou sua variante "Anjo de Deus", se encontram mais de cinqüenta vezes no
AT. Portanto, é necessário algumas considerações acerca
deste personagem. A primeira aparição bíblica do "Anjo do Senhor",
foi no episódio de Agar, no deserto (Gn 16:7). Outros acontecimentos incluíram pessoas como
Abraão (Gn 22:11,15), Jacó (Gn
31:11-13), Moisés (Êx 3:2), todos os israelitas durante o Êxodo (Êx
14:19) e posteriormente em Boquim (Jz 2:1,4), Balaão (Nm 22:22-36), Gideão (Jz
6:11), Davi (1Cr 21:16), entre outros. A Bíblia nos informa que o Anjo do
Senhor realizou várias tarefas semelhantes às dos anjos, em geral.
Às vezes, Suas
aparições eram simplesmente para trazer mensagens do Senhor Deus, como por exemplo em Gn 22:15-18; 31:11-13. Em
outras aparições,
Ele fora enviado para suprir
necessidades (1Rs 19:5-7) ou para proteger o povo de Deus de perigos (Êx
14:19; Dn 6:22). No entanto, com relação à identidade do Anjo do Senhor, os
eruditos não são e nunca foram unânimes. Porém, não há porque duvidar da antiqüíssima
interpretação cristã de que, nesses casos
acima citados, encontramos manifestações preencarnadas da Segunda Pessoa da Trindade. Mas, como sempre surgem
objeções, apresentamos a seguir três argumentos bíblicos que comprovam, indubitavelmente, que
o Anjo do Senhor é Jesus Cristo antes de
encarnado. 1) Josué 5:14: quando o Anjo do Senhor apareceu a Josué, diz a Palavra do Senhor que ele
"...prostrou-se sobre o seu rosto na terra, e O
adorou, e disse-lhE: Que diz meu Senhor ao seu servo?". Se o Anjo do
Senhor não fosse o próprio Senhor (ou melhor, o Senhor
Jesus como Segunda Pessoa da Trindade), o anjo
(caso fosse simplesmente "um anjo") teria proibido a Josué de
adorá-lo, como ocorreu em Ap 19:10 e Ap 22:8,9. 2) Jz 13:18: Embora concordemos
que possam existir questões inclusive relacionadas com variantes textuais neste
texto, reputamos a mesma como factual e
elucidativa. Quando Manoá, pergunta ao Anjo do Senhor, o Seu
nome, Ele responde: "...porque perguntas assim pelo
meu nome, visto que é maravilhoso?"
Uma comparação desta resposta com a passagem de Is 9:6, demonstra que o Anjo do
Senhor que apareceu a Manoá é o Menino que nos fora dado de Isaías. Isto é, o
Anjo do Senhor, cujo Nome é Maravilhoso (YHWH), é o próprio Senhor, e ao mesmo tempo o
Menino que nos fora dado. 3) A terceira prova que queremos apresentar, é que no contexto
neotestamentário, a Bíblia deixa de utilizar-se do termo "o Anjo do
Senhor" como pessoa específica. Isto é demonstrado pelo fato de que o
artigo definido masculino singular "o" deixa de ser utilizado, sendo
substituído pelo artigo indefinido "um". Alguns exemplos disto,
são os textos de Lc 1:11; At 12:7 e At 12:23, dentre muitos outros.
Infelizmente, nem todas as ocorrências de Anjo do Senhor no NT, na versão ARC,
se encontram
com o artigo indefinido "um", o que ocorre na versão ARA nos textos
citados e em outros correlatos. Esta substituição possui um grande significado.
Isto é, no contexto
do NT, contemporâneo ou posterior à
Encarnação, as manifestações
angelicais não eram do Anjo do Senhor, mas meramente de um de Seus anjos, pois
o Anjo do Senhor já havia sido manifestado na carne (1Tm 3:16).
ANO - Termo designativo do período
de 12 meses lunares (de 28 dias cada, em média), totalizando 354 dias (cf. 1Cr
27:1-15). Para ajuste de calendário, de 3 em 3 anos,
acrescentava-se um mês (repetindo-se o último mês, Adar), que recebia o título
de Ve-Adar (segundo Adar) para ajustar a diferença entre os 12 meses lunares e
o ano solar. Para melhores esclarecimentos, gentileza consultar o verbete
"Calendário"
ANO DE DESCANSO - Também conhecido como
"ano sabático". Era o ano em que a terra descansava. Durante 6 anos a terra era preparada e semeada; no sétimo ano os
israelitas não podiam fazer plantações. O que nascesse naturalmente era
aproveitado pelos donos da terra, pelos pobres, pelos estrangeiros, pelo gado e
por outros animais (Êx 23:10-11; Lv 25:2-7). Nesse ano os israelitas perdoavam
as dívidas dos seus patrícios
(Dt 15:1-11).
ANO DO JUBILEU - Ano de libertação e restauração
comemorado de 50 em 50 anos, em Israel. Nesse ano a terra não
era cultivada, todas as terras vendidas ou confiscadas eram devolvidas
aos seus donos anteriores e todos os escravos eram libertados (Lv 25:8-55; 27:16-25). Isaías proclamou um
novo jubileu (Is 61:1-3), que Jesus interpretou como tendo se realizado com a
Sua vinda (Lc 4:16-21).
ANTICRISTO -
Com o arrebatamento da Igreja do Senhor, criar-se-á um ambiente favorável à
manifestação do Anticristo, também conhecido como o "Homem da
Iniqüidade", o "Filho da
Perdição" (Dn 7:24b-25; 2Ts 2:3-6; 1Jo
2:18; Ap 13:1-8). O
Anticristo será um homem,
personificando o Diabo, porém, apresentando-se como se fosse
Deus (Dn 11:36; 2Ts 2:3,4). A Besta ou Anticristo será uma personagem de uma habilidade
e capacidade desconhecidas até
hoje. Será o maior líder da História; acima mesmo de qualquer
general famoso ou governante mundial conhecido.
Será portador de uma personalidade irresistível. Sua sabedoria e capacidade serão sobrenaturais,
quando consideramos seus atos à luz da
profecia bíblica. Além da ação diabólica direta, outros fatores contribuirão
decisivamente para a implantação
do governo do Anticristo, como poderio bélico, alta tecnologia e poder
econômico, bem como o clima de insegurança que estará
em vigor pelo sumiço dos crentes em Cristo Jesus. O Anticristo será também um grande
demagogo. Será um homem com um poder tremendo de
persuasão. Influenciará
decisivamente as massas com seus discursos inflamados (cf. Ap
13:5). Se quisermos
ter um idéia, embora muito vaga, desse
poder de influência, é só lembrarmos de Adolf Hitler e seu III
Reich! A Bíblia diz que toda a terra se
maravilhará após a Besta (Ap 13:3). Ela exercerá uma influência e um fascínio
extraordinários sobre as massas.
Muitos dirão: "esse, enfim, é um "Zafenate-Panéia" (Gn 41:45), um "salvador da
pátria". Enfim, é como se fosse o Messias, o redentor da humanidade. O Anticristo será recebido ao
aparecer como a solução dos problemas e crises sociais e políticas
que fustigam o mundo inteiro, para os quais os líderes mundiais mais capazes não encontram solução. A Bíblia,
além do nome "o Anticristo",
também o chama pelos seguintes nomes: "Homem da Iniqüidade" ou
"Homem do Pecado" (2Ts 2:3); o "Chifre Pequeno" (Dn 7:8), o
"Príncipe que há de vir" (Dn 9:26) e
"o Assírio" (Mq 5:5, na JPS). A derrocada das Nações do Norte
dará ao Anticristo autoridade total. Sua base política e econômica será o
Império Romano Redivivo, representado pelo Mercado Comum Europeu, a Europa Unificada. Daí, com facilidade, ele
conseguirá o controle da Confederação de
Nações formada na área do Antigo Império Romano
(O Império Romano Redivivo), contornando o Mar Mediterrâneo. Inicialmente,
ele, para galgar o poder,
derribará três "reis" (Dn 7:24).
Essa demonstração de força levará muitas nações a se entregar. Além disso, ele usará sua astúcia e
habilidade sobrenaturais para novas
conquistas. O engano marcará a sua
atuação (Dn 8:25). Muitas nações consentirão em ficar sob
seu controle (Ap 17:13).
Seu período de ascendência será de sete anos: "Ele fará concerto com muitos por sete anos..." (Dn 9:27).
ANTILEGÔMENA - Termo usado para
designar sete livros integrantes do NT, que somente no final do quinto século
foram aceitos por todas as Igrejas cristãs como fazendo parte do Cânon, embora
este tenha sido oficializado no Concílio de Cartago, em 397 d.C. São os
seguintes livros: Hebreus, Tiago, 2Pedro, 2João, 3João Judas e Apocalipse.
ANTROPOLOGIA
- O vocábulo Antropologia, é de origem
grega, composto por antropos,
"homem" e logia,
"estudo", "dissertação". Isto é, Antropologia é o estudo do homem, dentro da Revelação
Bíblica. Podemos afirmar que a Antropologia Teológica, é a Doutrina
do Homem em relação a Deus. Mas também estuda a origem do homem, sua natureza
presente, sua constituição, suas atividades, seus deveres e seu destino.
ANTROPOMORFISMO - Termo originário da língua
grega, antropos,
"homem" e morfe,
"forma". Ou seja, dar forma de homem. Trata-se de uma linguagem figurada
para falar de Deus como se ele tivesse forma, membros, órgãos e sentimentos
humanos. Exemplos: face
(Êx 33:20), boca (Mq 4:4), olhos (Jó 34:21), ouvidos (Sl 17:6),
braço (Is 52:10), mão (1Pe 5:6), arrependimento (Gn 6:6).
APÓCRIFOS - Do grego, apokruphos, "oculto", "secreto",
"misterioso", "mantido escondido". Esta é a designação que
usamos para identificar os livros incluídos no Cânon das Bíblias católicas. Tal
inclusão se deu durante a Diáspora e tais livros foram escritos originalmente
em grego e não em hebraico, embora tenham sido incluídos também na Septuaginta.
A Igreja Romana os chama "deuterocanônicos", ou seja, pertencentes ao
"segundo cânon", em contraste com os demais (os nossos sessenta e
seis livros), aos quais chamam "protocanônicos", ou seja, do
"primeiro cânon". Isto foi oficializado no Concílio de Trento, em
1546, que declarou tais livros inspirados, embora não fizessem parte do Cânon
do AT estabelecido pelos judeus da Palestina. Os livros
apócrifos aceitos pelos católicos são os seguintes: Tobias, Judite,
Sabedoria de Salomão, Eclesiástico ou Sirácida, Baruque, Epístola de Jeremias,
Primeiro e Segundo Macabeus e os acréscimos a Ester (parte grega de Éster) e a Daniel (a parte grega de Daniel). Além
desses existem outros livros que não são considerados inspirados, os quais nós
evangélicos chamamos "pseudepígrafos" e os católicos a estes chamam
"apócrifos".
APOLINARIANISMO - O termo
Apolinarianismo deriva-se do nome
próprio de Apolinário "o Jovem", bispo de Laodicéia (310?-390?d.C.). Esse termo é usado para designar a doutrina
herética que afirma que, em Jesus, o Logos (uma perfeita natureza
divina) assumiu corpo físico,
passando a exercer as funções ordinariamente realizadas pela mente humana. Apolinário foi
o primeiro e um dos mais capazes dentre os que tornaram a peito a
discussão realmente profunda da relação entre o divino e o humano na pessoa de
Cristo. Caloroso defensor
de Nicéia, desfrutou, ao menos por algum tempo, da amizade
do próprio Atanásio. Opunha-se tanto à noção ariana da mutabilidade do Logos
como à noção da completa união das naturezas divina e humana. Apolinário
acreditava que Cristo tinha apenas uma natureza e uma hipóstase. Afirmava que, na
Encarnação, o Logos tornou-se carne, tomando o lugar da alma humana
racional na pessoa de Cristo. Ou, em
outras palavras, ele negava que Cristo tivesse espírito humano, ensinando que
o ser espiritual (Logos) manipulava o corpo de Jesus. Isto é, Apolinário negava
a natureza humana
essencial de Cristo. Assim, é óbvio que
Apolinário enfatizava a
divindade de Cristo a ponto de perder de vista Sua
verdadeira Humanidade. Encontrou forte oposição por parte de Gregório
Nazianzeno, de Diodoro de Tarso, Teodoro de Mopsuéstica, Teodoreto, João
Crisóstomo e da escola de Antioquia. No entanto, foi o segundo concílio geral, realizado em
Constantinopla que lançou por terra
todas as suas pretensões cristológicas, quando declarou a sua doutrina herética, em 381 d.C. Em vida, Apolinário atraiu muitos
discípulos e chegou a formar a sua própria seita. No entanto, logo após a sua morte o
movimento desintegrou-se.
APOLOGÉTICA - Este termo vem do nome de
Apolo, um judeu de Alexandria,
muito eloqüente, instruído na fé cristã por Áquila e Priscila. Tornou-se
poderoso pregador do Evangelho em Éfeso e em Corinto, tornando-se companheiro
de Paulo na Obra Missionária. Segundo as Escrituras, era chamado
"varão eloqüente e poderoso nas Escrituras", conforme At 18:24. O termo Apologética derivou-se exatamente deste aspecto, passando
a denotar a ciência ou disciplina racional que se esforça por apresentar a
defesa da fé religiosa, existindo dentro e fora da Igreja Cristã. O termo é
usado em contraste com polêmica,
que é um debate efetuado entre cristãos a fim de determinar a verdadeira
posição cristã sobre alguma questão específica. É o principal fundamento da
Ortodoxia, isto é, da verdadeira e reta Doutrina Cristã.
APÓSTOLO - O termo Apóstolo vem do grego apostolous,
do verbo apostello,
que significa "comissiono", "envio", "mando" (Ef
4:11ss). Era usado no NT para um representante designado por uma Igreja, como,
por exemplo, os primeiros missionários cristãos, muito embora a utilização
primeva se referisse àqueles que foram testemunhas da ressurreição de Jesus. Um
"Apóstolo" moderno é aquela pessoa levantada e vocacionada por Deus,
enviado como "missionário" por uma Igreja para pregar o Evangelho
onde jamais ele fora pregado, basicamente nos moldes daqueles que saem a pregar
nos países da famosa janela 10/40 ou em países onde o Evangelho sobre
perseguições ou restrições.
ARAMAICO - Nome que se dá ao grupo de
dialetos intimamente relacionados com o hebraico e falados na Terra de Israel e
em outros países do mundo bíblico (cf. 2Rs 18:26, na ARA). Estão escritos em
aramaico os seguintes textos bíblicos: Ed 4:8-6:18; 7:12-26; Dn 2:4-7:28; Jr
10:11.
ARCA DA ALIANÇA, A - A Arca era uma caixa de madeira, revestida de ouro
por dentro e por fora (Êx 25:10-16). Por aí, já podemos observar
que a Arca é uma figura de Cristo. Sobre a Arca, estava colocada uma grande
prancha de ouro, funcionando como uma espécie de tampa, era o Propiciatório,
que media 2,5 x 1,5 côvados (1,25 x 0,75 metros).
Sobre ela estavam os dois querubins de ouro. Ali habitava Deus numa luz
ofuscante inacessível. No entanto, uma nuvem escura cobria o
Propiciatório e envolvia essa luz, o que é explicado em Êx 33:20. Na presente
dispensação, é glorioso saber de nossa nova posição. Os que pertencem a Cristo,
agora podem contemplar a glória do Senhor com os rostos desvendados! Aleluia!
(2Co 3:18). Dentro da Arca, haviam três coisas: 1) as
tábuas da Lei - Os dez mandamentos. Somente Cristo, estando aqui na
terra, pode dizer a Deus: "...a Tua Lei
está dentro do meu coração" (Sl 40:8). Em Seu coração, o Senhor
Jesus portava a Lei de Yahweh; 2) o vaso de ouro com o Maná - Segundo Jo 6, Jesus é o verdadeiro Maná, o alimento para
nossa jornada de peregrinos. Mas o Santo dos Santos é um tipo do
céu. Ali não precisaremos mais do Maná... Por que, então, o Maná
está ali? É porque lá em cima nos servirá como um
memorial (uma lembrança) celeste de todo o gozo que já na terra tivemos em
Cristo Jesus; e 3) a vara de Arão que havia florescido. Vemos a descrição
desse fato em Nm 17. Este terceiro item dentro da Arca, era
uma vara de amendoeira, a primeira árvore que floresce na
primavera, e por isso fala da nova vida após a morte (o inverno). Isso
relaciona essa vara com a ressurreição do Senhor Jesus, o
Sumo Sacerdote que vive para sempre (Hb 6:18-20).
ARCANJO - No grego
encontramos Michael, heb. mika'el.
Em português, Miguel. Significa "quem é como El
(Deus)?". A idéia acerca da existência de arcanjos não
faz parte original da fé judaica.
Na Bíblia, o Arcanjo Miguel é introduzido em Dn 10:13,21
e 12:1, reaparecendo no NT em Jd 9 e Ap
12:7. Embora literaturas extrabíblicas apresentem Gabriel como outro Arcanjo
(num total de sete na literatura apócrifa e pseudepígrafa, onde quatro
nomes são revelados: Miguel,
Gabriel, Rafael e Uriel), a Bíblia só revela a existência de
um único Arcanjo, Miguel. Isto é
demonstrado pelo fato de que nas duas ocorrências da palavra grega archangelos,
"arcanjo", 1Ts 4:16 e Jd 9, o termo só
aparece no singular, ligado unicamente
ao nome de Miguel, donde se conclui que só exista um anjo assim
denominado Arcanjo, ou anjo-chefe, e que esse Arcanjo chama-se Miguel.
Pelo que se pode depreender das poucas passagens que aludem à sua pessoa,
Miguel, assim como Gabriel, é um ser celestial.
Tem, no entanto, responsabilidades especiais como campeão de Israel contra o anjo rival
dos persas (Dn 10:13,21), e ele comanda os exércitos celestiais contra todas as forças
sobrenaturais do mal na última grande
batalha (Dn 12:1). No NT, Miguel aparece apenas em duas ocasiões. Em Jd 9, há referência a
uma disputa entre Miguel e o diabo com
respeito ao corpo de Moisés,
aliás, passagem bastante polêmica, provavelmente uma minúscula alusão a um fato
descrito em literatura apócrifa, que a inspiração de Judas incluiu no cânon. O
outro texto em
que Miguel aparece, é Ap 12:7, que
retoma o tema de Dn 12:1,
apresentando-se Miguel como sendo o vencedor do dragão primordial, identificado como Satanás.
ARIANISMO - Dá-se o
nome de Arianismo ao conjunto
das doutrinas cristológicas
heréticas ensinadas por Ário, presbítero em Alexandria, que viveu em cerca de 265-356 d.C. Ele e seus
seguidores negavam a Divindade
própria de Jesus Cristo. Ário desenvolveu sua doutrina com base em
especulações teológicas gregas, que floresceram
dentro do Gnosticismo. Foi uma elaborada tentativa de definir a relação de Cristo para com Deus,
segundo a razão natural. Esta atividade
racional e especulativa teve lugar principalmente em Alexandria e
Antioquia, sobretudo no século IV d.C.,
tendo obtido o apoio do imperador romano e de teólogos notáveis. Exercia
poderosa atração para as mentes bem informadas da época. Segundo o ensino do Arianismo, Deus é impar
e não-gerado (isto é, agennetos). Fora de
Deus, tudo o mais foi criado
ex-nihilo (do nada) através da vontade de Deus. Assim, criam e ensinavam que não se podia conceber que o
Logos ou o Filho pudesse ter chegado a
existir a não ser por um ato de criação.
Dessa forma, Ário
ensinava que Jesus não poderia ser Deus no
sentido pleno do termo; pelo contrário, devia fazer parte da
criação, isto é, o
Filho foi criado por Deus (ou seja,
o Logos foi genetos).
Por conseguinte,
para Ário, Cristo era, na verdade, Deus
em certo sentido, mas um Deus inferior, de modo algum
uno com o Pai em essência ou eternidade. Para ele, Cristo não era nem
perfeitamente Deus nem perfeitamente homem. Ou seja, Ário cria
que Jesus era um "ser intermediário", menos do que Deus e mais
do que homem. Eusébio, o famoso historiador eclesiástico, após o próprio Ário,
foi o mais bem conhecido defensor do Arianismo.
ARMADURA -
O termo aparece no grego apenas duas vezes no sentido de Ef 6:10ss. No grego, é
panoplia,
ou seja, uma "armadura completa", "inteira", "sem
defeito". O Direito Romano estabelecia que, ao apresentar-se para o
serviço ao respectivo centurião, o soldado poderia abster-se de trabalhar, se,
porventura, sua panoplia,
não estivesse completa ou algum de seu componente, danificado. O Apóstolo Paulo, usa esta linguagem militar, para expressar a necessidade
que o servo de Deus tem de estar munido, vestido, ou revestido de "toda
armadura". A Armadura completa, era composta de
seis peças; cinco, de defesa, mas apenas uma de ataque. Os seus componentes
são: 1) Cinturão da
Verdade (gr. zonnumi), que era a parte útil para sustentar as
armas úteis e, principalmente, a couraça (Mt 5:37; Cl 1:5); 2) Couraça da Justiça
(gr. thoraks), que era a parte da Armadura que protegia os
órgãos da vida; era dividida em duas partes ou duas "asas" (Ef 4:24);
3) Calçados
(ou grevas) (gr. knemides), relacionados com preparação e prontidão; era necessário que os pés dos soldados fossem
bem guardados na batalha, pois caso contrário poderiam atingir o seu tendão
tíbial posterior (conhecido popularmente por "calcanhar de Aquiles")
e ele seria abatido; 4) Escudo (gr. thureos); palavra usada uma única vez em toda a Bíblia,
embora houvessem muitas outras que pudessem designar "escudo", thureos,
corresponde a "porta"; ou seja, era um escudo enorme, que protegia
todo o corpo do soldado, caso alguma outra parte da armadura estivesse com
problemas; somente os soldados de elite, usavam este tipo de escudo; para nós,
é o "escudo da fé" (Lc 17:5; At 11:24; Rm 1:17; 13:11; 1Co 2:5; Hb
11:1,6); 5) Capacete (gr.
perikefalaia), ou seja, proteção para o encéfalo; Paulo
relaciona o capacete do soldado, como a "salvação", ou a
"certeza da salvação" (1Ts 5:8); e 6) Espada (gr. machaira), termo que ocorre vinte e nove vezes no NT; são
onze, os tipos de espada mencionados nas ocorrências; esta, em particular, se
refere à espada pequena, de fácil manuseio, que era utilizada nos confrontos
"corpo a corpo"; Paulo relaciona esta espada com a Palavra de Deus
(cf. 2Co 6:7)
ARMAGEDOM - Este termo possui quatro
possíveis significados: "montanha de Megido", "cidade de Megido", "monte da
assembléia" e "colina frutífera", sendo que a maioria dos
eruditos preferem a primeira opção. No heb., har,
colina, região montanhosa e meguiddo,
Megido (cidade situada ao lado norte do Carmelo). Corresponde ao grego Esdrelom (ou Jezreel).
É uma planície com cerca de 40 km de comprimento por menos de vinte cinco
quilômetros de largura. Este é também o título usado para designar a batalha
armada que marcará o fim da Grande Tribulação e o início do Milênio, onde as
duas Bestas serão destruídas
e Satanás será acorrentado por mil anos. Será, outrossim, o período que marcará a
volta pessoal de Jesus em glória com a
Sua Igreja triunfante: Zc 14:5. Armagedom,
ao norte de Israel, será o
local onde se travará a batalha final. Esse lugar tem
sido famoso por ter sido campo de muitas batalhas importantes para Israel, tais
como a grande vitória de Baraque sobre Canaã e Gideão sobre Midiã (Jz 4,5,7). Saul também morreu ali, tendo sido derrotado pelos
filisteus (1Sm 31). Josias também morreu ali, em sua batalha contra Faraó Neco (2Rs 23:29,30). Aí,
concentrar-se-ão as forças
das nações, sob o comando do Anticristo, em guerra contra Deus e
contra Israel.
ARQUEOLOGIA - O termo
“Arqueologia” compõe-se de dois vocábulos gregos: archaios (antigo) e logia (discurso, estudo,
dissertação), ou seja, estudo sistemático das
antiguidades. É a ciência que investiga o homem e a sua cultura,
desde o tempo em que ele apareceu na face da terra. Ocupava-se com aqueles
remanescentes das civilizações passadas que têm sido descobertos, no sentido
mais amplo, epigráfico e anepigráfico. A Arqueologia Geral é o estudo baseado
nas escavações, deciframento e avaliação críticas dos antigos
registros do passado. É o estudo de restos materiais do passado por meio de escavações em cidades
antigas. Os arqueólogos desenterram essas cidades, decifram inscrições e
avaliam a literatura, a arte e outros aspectos da vida humana do passado.
ARQUEOLOGIA BÍBLICA - Como a Arqueologia tem se desenvolvido
rapidamente, o estudo especial da “Arqueologia Bíblica” tem se
valido desse desenvolvimento e selecionado material remanescente da Palestina e
países limítrofes que se relacionam com o período bíblico e sua narrativa. Esse
material inclui o resto de edifícios, artes, inscrições e qualquer artefato que
ajude a compreender a história, a vida e os costumes dos hebreus e daqueles
povos que, à semelhança dos egípcios, fenícios, sírios, assírios e babilônios,
entraram em contato com eles e puderam influenciá-los. A Arqueologia Bíblica
possui limitações, que se devem à vasta extensão de tempo e de área que ela
cobre. Nenhum local bíblico já foi, e provavelmente nunca poderá ser
completamente escavado. Visto que a Arqueologia, ramo da História, trata
primariamente dos materiais, nunca poderá testar tão grandes verdades bíblicas
como a existência e atividade redentora de Deus e de Cristo, a Palavra em forma
de carne. Na Palestina (e tomemos esse termo para incluir os modernos estados
de Israel, Jordânia e os famosos “territórios ocupados”), tem sido
empregada uma técnica arqueológica especial. Flinders Petrie, em 1890,
desenvolveu um sistema de tomada de informes em seqüência, em Tell el-Hesi,
mediante o qual diferentes níveis de ocupação podem ser distinguidos mediante a
cerâmica característica e outros critérios notáveis (arquitetura, selo, etc.),
encontrados nos diferentes níveis. Esse sistema de estratigrafia e tipologia
tem sido subseqüentemente melhorado pelas escavações seguintes. O resultante índice da cerâmica e a cronologia dos achados é notavelmente
exato, desde o quarto milênio antes de Cristo, enquanto que entre os
séculos XII e XVII a.C., a cerâmica pode ser datada
dentro de limites estreitos. Datas antes disso, são apenas comparativas. A
Arqueologia Bíblica tem avançado gradativamente, graças ao trabalho árduo de
pessoas de muitas nacionalidades e de diferentes profissões e ocupações:
professores, lingüistas, clérigos, militares, missionários, arquitetos,
engenheiros, projetistas, fotógrafos, e muitos outros profissionais de grande talento.
ARREBATAMENTO - Na língua grega, temos o
vocábulo harpazo. Este termo possui vários
significados, tais como: captura repentina; levado de repente; arrancado;
rapto. Aliás, até o início deste século, o termo Arrebatamento, em português,
era substituído por "Rapto". Entretanto, em virtude da conotação
negativa deste termo, foi definitivamente substituído por
"Arrebatamento". Conforme nos ensina a Bíblia, a
volta de Jesus abrange duas fases bem distintas: o
arrebatamento da Igreja e a Sua volta pessoal em glória, para livrar Israel,
julgar as nações e estabelecer Seu Reino milenar. Sobre o Arrebatamento,
existem três opiniões divergentes: 1) o pré-tribulacionismo, que crê que a Igreja
será arrebatada antes da Tribulação; 2) o meso-tribulacionismo (ou mid-tribulacionismo),
que crê que a Igreja subirá no final dos três anos e meio (ou 42 meses ou 1260
dias), que é o primeiro período, conhecido como Tribulação; e 3) o pós-tribulacionismo,
que preconiza a idéia de que a Igreja passará por toda a Tribulação. Nossa
posição concernente a este assunto, é que a Igreja não passará pela Tribulação.
Muito pelo contrário, será arrebatada, antes que se manifeste o Anticristo (cf.
2Ts 2:7). Se observarmos as diferenças e os contrastes entre as duas fases da vinda de Jesus,
seremos forçados a concluir que se houvesse uma
só fase, tudo seria uma grande
contradição. Vejamos, a seguir, as evidências de que Jesus arrebatará
para Si a Igreja, antes de Sua revelação
em glória às nações. Citaremos quase sempre duas referências bíblicas para
contrastá-las, a primeira sobre o arrebatamento, e a segunda sobre a revelação
de Jesus: 1) Jo 14:3 e Cl 3:4; 2)1Ts 4:17 e Zc 14:4; 3) 1Co 15:52 e Mt 24:30;
4) Hb 9:28; Mt 25:31-46; e 5) Ti 2:13.
ASCENSÃO DE
CRISTO - Termo
usado para designar o ato pelo qual Jesus Cristo deixou a terra e retornou em
corpo ao Pai (Lc 24:50-52; At 1:6-11).
ASCÉTICO -
Relativo à ascese, que consiste em negar-se a pessoa a si mesma, impondo um
tratamento severo ao corpo, a fim de aperfeiçoar-se moral e espiritualmente (Cl
2:23). Este costume possui raízes no Gnosticismo Ascético, que era um método
que era adotado para a mortificação do corpo, privando-o de alimentos, dormindo
no chão, açoitando-se a si mesmo. Embora tal prática tivesse por objetivo demonstrar,
na visão gnóstica, a fragilidade e nulidade do corpo, o Cristianismo evidencia,
em seus primórdios, que a ascese pode ser um benefício para o processo de
santificação, desde que o propósito seja santo e o método, biblicamente
autorizado (e.g. Cl 3:5; 1Tm 4:8)
ASIARCA - Termo de origem grega, asiarches, que significa
primariamente, "governante da Ásia". Usualmente, era um homem rico e
influente que era eleito ou nomeado para promover o culto ao Imperador romano e
à deusa Roma. Os Asiarcas financiavam festas religiosas, competições esportivas
e obras públicas. Às vezes o Asiarca recebia o título de "sumo sacerdote
da Ásia", o qual mantinha por um ano ou mais. At 19:31, na ARC, o chama de
"príncipe da Ásia", enquanto que a ARA traduz "asiarca".
ASTAROTE
- Etimologicamente, o termo significa "Esposa". Nas páginas da
Bíblia, Astarote era a deusa da fertilidade e da guerra, adorada por vários
povos do mundo bíblico, em culto lascivo, abjeto, nojento e absurdo, pois
acreditavam que a prostituição cultual, inúmeras vezes praticadas por
"rapazes escandalosos" (na ARC), que na ARA, foi traduzido por
"prostitutos cultuais" (cf. Jz 10:6; 1Rs 11:5), era capaz de
gerar chuva e fertilidade ao agradar Baal e sua esposa Astarote. No tempo de
Jeremias muitas mulheres de Judá a adoravam, com o nome de "Rainha dos
Céus" (Jr
7:18; 44:17-19). Também era conhecida pelos nomes de Astarte e Astorete. Não
confundir Astarote com Aserá, deusa da fertilidade dos cananeus, companheira de
Baal. Na ARA e na BLH Aserá é traduzido por poste-ídolo. Este também era o nome
de uma Cidade de Basã (Dt 1:4).
ASTROLOGIA -
A Astrologia rivaliza
com o Espiritismo pela "honra"
de ser o culto mais antigo. Talvez tenha sido primeiro praticado pelos caldeus em Babilônia, onde,
depois de gozar de alta estima, foi por fim desprezada como sendo mera tramóia.
Do império medo-persa caminhou para a Grécia, sob a
influência dos esforços de Alexandre, o Grande, no sentido
de harmonizar o Oriente o
Ocidente; e consta que ali, na Grécia, foi primeiro desenvolvida com caráter de
ciência por Ptolomeu. Alguns astrólogos são de parecer que toda a
mitologia greco-romana se baseava
na Astrologia. Israel, sob a influência da idolatria nativa da Palestina e Síria, por sua vez afetada pela Babilônia e
a Pérsia e mais tarde pela civilização greco-romana,
abrigou, em várias ocasiões, devotos convictos da Astrologia, embora o Antigo
Testamento a condenasse veementemente (e.g. Dt 18:11). É importante ressaltar que a
Judéia foi em tempos passados província persa e
romana, sofrendo naturalmente influências das mesmas. Hoje, de maneira
crescente, os astrólogos são consultados diariamente. Brochuras, contendo
horóscopos e conselhos
astrológicos, cartas astrais até via Internet estão à disposição
de quem se interessar. Conselhos astrológicos comodamente encaixados juntamente a qualquer outro tipo de literatura são
facilmente adquiridos em qualquer
banca de jornal e revistas. Centenas de milhares de homens e mulheres de
negócios, políticos, empresários os mais variados e muitos outros tipos de
pessoas, sequer saem de suas casas e mansões sem antes consultar o que
"dizem os astros". Os devotos da Astrologia nos Estados Unidos, por exemplo, ultrapassam
a casa dos quinze milhões. É praticamente impossível determinar quantos
brasileiros são devotos da Astrologia. As referências específicas à Astrologia,
na Bíblia, são relativamente
poucas, porque o assunto se encontra sob o título geral
de adivinhação, que é terminantemente proibida, como sendo uma forma de idolatria. No entanto,
encontram-se referências explícitas à
Astrologia em Am 5:21-26 e At 7:41-45. Em Amós, Quium ou Moloque, o
ídolo dos
amonitas e fenícios, era intimamente ligado
ao touro solar como ao planeta
Saturno. 2Rs 23:5 contém uma alusão ao Zodíaco. Is 47:13 denuncia abertamente os astrólogos como
"os que dissecam os céus e fitam
os astros, os que em cada lua nova te
predizem o que há de vir sobre ti" (ARA).
ATEÍSMO - Nome que se dá à negação da existência pessoal de Deus. O vocábulo significa a, "não e Théos, "Deus". Seus seguidores são chamados ateus. Dentre estes, destacam-se
duas classes: os ateus práticos e
os ateus teóricos. Os primeiros, são
sensivelmente pessoas sem Deus, que, na vida prática, não reconhecem a
Deus, e que vivem como se de fato Deus Ele não existisse; "... todas as suas cogitações são: não há Deus" (Sl 10:4).
Os outros são geralmente de uma classe mais intelectual, e baseiam sua
negação da existência de Deus, no desenvolvimento de um raciocínio meramente humano. Tratam de
tentar provar por meios que eles consideram argumentos razoáveis e conclusivos que Deus não existe.
ATRIBUTOS DE DEUS, OS - A palavra atributo, vem do latim ad,
"para" e tribuere,
"atribuir". Ou seja, "aquilo que é atribuído a alguém ou a
alguma coisa". Na Teologia Cristã, esse termo veio a ser utilizado
para indicar aquelas qualidades morais ou propriedades
(atributos) atribuídas a Deus, como partes de Sua Natureza. Em geral,
costuma-se distinguir os atributos de Deus, dividindo-os em duas partes
distintas: atributos naturais, ou
seja, aqueles que fazem parte de Sua Natureza e atributos
morais, referindo-se àquelas qualidades relativas à sua
personalidade.
ATRIBUTOS NATURAIS
DE DEUS - Dentre os
atributos naturais de Deus, os mais conhecidos são os seguintes: 1) a Eternidade de Deus: o atributo da auto-existência sugere o atributo de eternidade,
podendo-se afirmar que um atributo sugere o outro. Deus não teve
princípio e nunca terá fim. Ele conhece os acontecimentos na sua sucessão do
tempo, mas não está limitado de nenhum modo pelo tempo. Ele reconhece que
alguns acontecimentos são passados e que outros são futuros em relação aos
acontecimentos presentes. Contudo, o passado, o presente e o futuro são
igualmente conhecidos para Ele. O Deus da Bíblia é o Único Ser que é
absolutamente eterno, pois Sua existência não conhece princípio ou fim. A
Bíblia ensina claramente que Deus é eterno (e.g. Gn 21:32-34; Dt 33:27;
Sl 90:2; Hb 1:12; Ap 1:8); 2) a Imutabilidade
de Deus: Por "imutabilidade", quando essa palavra é usada
em relação a Deus, se entende que Deus, em Sua natureza, Seus atributos e
conselhos é imutável ou seja, não muda jamais, pois tais coisas pertencendo a
um Ser Infinito como Ele é, são absolutamente perfeitas e, portanto, não
admitem possibilidade de variação (e.g. Nm 23:19; 1Sm 15:29; Ml 3:6; Hb
13:8; Tg 1:17); 3) a Onisciência de Deus: como Pessoa, Deus conhece tudo. Esse
conhecimento Divino não tem limites, restrições ou defeitos. A própria filosofia
nos ensina que o termo latino omni é de
uma abrangência tremenda, a ponto de não podermos compreender
plenamente o seu significado. Isto é, Deus tem um conhecimento tal, que
nosso intelecto sequer pode imaginar. O conhecimento de Deus se estende
no tempo e no espaço, porque Ele não conhece essas barreiras (e.g.
1Rs 8:39; Jó 11:7,8; Sl 139:2,11,12; Is 40:28; Jr
16:17; Lc 16:15; Rm 8:27); 4) a Onipotência
de Deus: o poder de Deus é demonstrado na Bíblia como "ilimitado",
o que pode ser observado na criação, como também é demonstrado na
sustentação da mesma (Gn 1 e 2; Cl 1:16). Ele pode cumprir todos os Seus
desejos (Ef 1:11; Rm 9). Assim, Ele é o
Todo-Poderoso (Gn 17:1; Nm 24:4,16; Sl 19:1; 2Co
6:18, entre outros). Em suma, a Bíblia demonstra que
Deus tem todo o Poder. Em relação à expressão "Todo
Poderoso", precisamos apresentar algumas considerações pertinentes.
"Todo Poderoso", é um dos títulos divinos,
utilizado por quarenta e oito vezes no AT, sempre para
traduzir o termo hebraico shaddai,
cuja raiz tem significado incerto. É fato muitíssimo interessante que
todas estas citações incluem uma auto-apresentação de Deus: "Eu Sou
o Deus Todo-Poderoso". Alguns supõem que o título divino hebraico El Shaddai tem o significado de
"Poderoso", ao passo que outros vinculam esta expressão à
palavra acadiana que significa "monte", o que daria a
este título o significado de "Altíssimo". O que fica bem
claro é que esta expressão alude à onipotência de Deus; 5) a Onipresença de Deus: o termo "Onipresença" vem
do latim omnis, "toda" e praesens, "presença".
Indica aquela qualidade ou capacidade de estar presente em todos os
lugares ao mesmo tempo. Essa qualidade é considerada um dos tradicionais
atributos de Deus. A doutrina cristã não ensina que Deus não está em parte
nenhuma. Pelo contrário, ela ensina que Deus está "imanente"
em tudo. A palavra "imanente" se deriva do latim, immanere, "habitar".
É utilizada em relação a ações e princípios relativos a Deus,
e também relativo a outras entidades espirituais de grande poder. A mente
divina é toda-penetrante, toda-presente, estando presente em todos os
lugares ao mesmo tempo. Quando se fala em onipresença, está-se referindo à
imensidade, pois é preciso um Deus imenso para ser todo-presente. O conceito
da Onipresença de Deus se torna mais claro quando afirmamos que a mente
divina está em toda parte. Existem indícios bíblicos da Onipresença de Deus.
Deus vive livre das restrições do tempo e do espaço - esses conceitos pertencem
aos homens. Várias passagens escriturísticas nos fundamentam
nessa idéia. O Salmo 139, por exemplo, nos assevera que não existe lugar
algum para onde o ser humano possa ir, a fim de escapar de Deus Espírito
(Sl 139:7). O profeta Jeremias nos informa que Deus preenche os céus e a terra
(Jr 23:23). Essa idéia está presente,
também, em textos como At 17:27,28,
especialmente a parte final do v. 27, que diz: "...não está longe de
cada um de nós"; e também em textos como Hb 1:3.
ATRIBUTOS MORAIS
DE DEUS - Os
atributos morais de Deus, são aqueles
relacionados com Seu caráter. Vejamos os atributos de santidade, amor,
misericórdia e graça, considerados pelos estudiosos como os mais destacados:
1) a Santidade de Deus: o substantivo hebraico qodesh envolve a idéia de "separação",
"santidade". É derivado do verbo qadash,
"separar" e está relacionado com o adjetivo qadosh,
"santo", enfatizado na visão de Isaías (Is 6:3). Estes termos
hebraicos estão relacionados com outros termos, também hebraicos, que
significam "glória",
"honra", "abundância" e "peso". Em suas várias
formas e derivações, esta palavra é usada por mais de oitocentas
e trinta vezes só no Pentateuco, o que ilustra claramente a sua
importância para os hebreus. A "santidade", em seu sentido mais
sublime, é aplicada a Deus. Isto é demonstrado pelos seguintes fatos: a)
Deus está separado da criação, mesmo daquela porção que não foi
maculada, os seres angelicais; b) Yahweh é, pois, transcendental, fazendo
contraste com os outros deuses (Êx 15:11) e mesmo com a criação inteira
(Is 40:25); c) Deus é a essência absoluta da santidade, da bondade e da
retidão; d) a santidade de Deus é perfeita e inspiradora (Sl 99:3);
e) a santidade de Deus é incomparável (Êx 15:11; 1Sm
2:2); f) a santidade de Deus deve ser magnificada (Is 6:3; Ap 4:8)
e imitada (Lv 20:7,8; 1Pe 1:15,16); 2) o Amor de Deus: Amor é aquele atributo de
Deus pelo qual Ele se inclina a buscar os melhores interesses de Suas
criaturas e a comunicar-Se a elas, a despeito do sacrifício que nisso está
envolvido; ou, como definição alternativa, o amor de Deus é seu desejo pelo bem
estar desses seres amados e o deleite que tem nisso. O Amor de Deus é
amplamente ensinado nas páginas das Sagradas Escrituras (e.g. Mt 5:44,45; Jo 3:16; 1Jo 4:7,8,16); 3) a Misericórdia e a Graça de Deus: o termo "misericórdia" tem
seu emprego mais freqüente no Antigo Testamento, ao passo que o termo
"graça" é mais freqüentemente
encontrado no Novo. A misericórdia de Deus é misericórdia santa, que sabe
perdoar o pecado, porém não protegê-lo; é um santuário para quem se
arrepende, mas não para quem dela presume.
A Bíblia ensina sobejamente que Deus é misericordioso (e.g.
Dt 4:31; Sl 103:8; 145:8; Lm 3:22). A graça de Deus é Seu
favor imerecido, contrário ao merecimento, mediante o qual a
penalidade merecida e conseqüente é suspensa, e todas as bênçãos positivas são
concedidas ao crente arrependido. Graça", é um
vocábulo moderno usado no NT para traduzir a palavra grega charis, que significa
"favor" sem recompensa ou termo equivalente. Se houver qualquer
ato compensador ou pagamento, por mais ligeiro e inadequado não se trata mais
de charis. Quando empregado para
denotar determinada atitude ou ação de Deus para com o homem, faz então parte
da própria essência da questão é que o mérito humano seja totalmente
excluído. A misericórdia perdoa; a graça justifica. A Bíblia ensina
claramente a graça de Deus (e.g. Rm 3:24; Ef 2:8-10; Tt 2:11,12). O caminho para o céu não atravessa uma ponte de
pedágio, e, sim, uma ponte livre, a saber, a graça não merecida de
Deus, em Cristo Jesus.
AZEITE -
Nome que se dá ao óleo tirado de azeitonas, as quais são produzidas pelas
oliveiras. Era usado na alimentação (1Rs 17:12), para curar ferimentos (Lc
10:34), para passar no corpo como cosmético (Sl 104:15), para iluminação (Mt
25:4), para a unção de enfermos (Tg 5:14) e de hóspedes (Lc 7:46). Era por
intermédio da unção com azeite que pessoas eram separadas para serviços
especiais, tais como reis (1Sm 10:1; profetas (1Rs 19:15-16)
e sacerdotes (Êx 28:41).
BABILÔNIA -
No original babil,
"confusão". Na Bíblia, este é o nome de uma região e sua capital (cf.
Gn 10:10; 2Rs 20:12, na BLH). A cidade foi construída na margem esquerda do rio
Eufrates, onde agora se localiza o Iraque. O texto sagrado de Gn 11:1-9
conta-nos como a construção de uma enorme torre ali iniciada, não foi
concluída, porque Deus confundiu a língua falada pelos seus construtores.
Figuradamente, "Babilônia" é símbolo da Roma pagã e apóstata (1Pe 5:13;
Ap 14:8; 16:19; 17:5).
BACIA DE BRONZE - Entre o Altar do Holocausto e o Santuário,
estava a Bacia de Bronze, cheia de água. Dela, só os sacerdotes
podiam se aproximar, e isto faziam diariamente. Os israelitas comuns,
só podiam ir até o Altar do Holocausto. Aqui temos uma
simbologia também maravilhosa: diz a Palavra de Deus que nós não somos
do povo comum; somos sacerdotes (1Pe 2:5,9; Ap
1:5,6). A Bacia de Bronze continha água (Êx 30:17-21). Como todos
sabemos, a água serve para lavar e é, por extensão, símbolo da lavagem pela
Palavra (Jo 15:3; Ef 5:26). Enquanto o sangue (o Altar) fala da Expiação,
a água (a Bacia) fala da purificação (1Jo 5:6). No Tabernáculo, a Bacia
de Bronze apontava para a necessidade da purificação diária (Êx 30:19).
Lembremo-nos agora do texto de Jo 13:8. Por que será que Jesus quis lavar
os pés dos Seus discípulos? Ele mesmo explica, dizendo a Pedro: "...se Eu não te lavar os pés, não tens parte
comigo..." (Jo 13:8b). Não é suficiente que tenhamos
parte nEle; é preciso que tenham também parte
com Ele, isto é, é preciso que vivamos em Comunhão com Ele. Obviamente, para
termos comunhão com Ele, precisamos andar na Luz (1Jo
1:7) e confiar na atuação do Advogado (1Jo 2:1,2). Quanto à medida da Bacia de
Bronze, a Bíblia não nos dá qualquer informação. Isto também serve de
simbolismo, pois demonstra que a graça e a misericórdia de Deus não têm
fim (Sl 30:5 na ARA; Sl 103:11; Lm 3:22). Outro fato simbólico de
alcance, é a origem da Bacia de Bronze. A
Bíblia nos informa que ela foi fundida dos espelhos das mulheres (Êx 38:8).
Qual o objetivo de um espelho? Obviamente, que os objetivos principais são
enxergar-se a si mesmo, avaliar e contemplar-mo-nos a nós mesmos. Isto
demonstra que o crente não deve se contentar em simplesmente ter
sido feito nova criatura mediante o sacrifício do Filho Unigênito
de Deus, mas deve procurar estar diariamente em íntima comunhão com o Senhor,
por meio do Espírito Santo que em nós habita.
BAIXA CRÍTICA - Em contraste com a Alta Crítica, a tarefa da Baixa Crítica, também
conhecida como Crítica Textual é analisar os inúmeros manuscritos conhecidos
das Escrituras, bem como suas incontáveis variantes, com o propósito de se
chegar o mais próximo possível da tradução exata dos textos bíblicos. Ao
contrário da Alta Crítica, a Crítica Textual tem sido um maravilhoso
instrumento para descobertas que têm fortalecido a cada dia a defesa da
inspiração plenária das Escrituras, bem como sua conservação e transmissão
miraculosas. Ela é chamada "baixa", não por ser inferior à
"alta", mas meramente para diferenciá-las.
BANQUEIRO -
Termo utilizado desde os tempos bíblicos para identificar aquela pessoa que
recebia depósito de dinheiro, pagando juros. Esse dinheiro era emprestado a
juros mais altos ou empregado em negócios (cf. Mt 25:27). Nos tempos antigos as
pessoas enterravam o dinheiro (Js 7:21) ou davam a um vizinho para guardar (Êx
22:7).
BANQUETE - Título como era conhecida
aquela refeição solene em que tomam parte muitos convidados (Gn 19:3; Lc 5:29).
Havia banquetes em várias ocasiões, como, por exemplo, quando se celebravam
casamentos, na ocasião de desmamar o herdeiro, nas reuniões de despedida, no
tempo da Tosquia, etc. Quase sempre, os banquetes eram embelezados por cantores
e dançarinos.
BARBA -
Vocábulo que designa o cabelo do rosto do homem. Entre os povos orientais,
especialmente entre os semitas, a barba crescida era sinal de dignidade e
virilidade. Quando em ocasião de tristeza ou pranto, os israelitas arrancavam
cabelos da barba ou a rapavam em sinal de dor (Ed 9:3; Jr 41:5)
BÁRBARO -
Originário do grego barbaros,
palavra de derivação incerta. Este termo era usado pelos gregos para se
referirem a qualquer indivíduo cuja fala era estrangeira. Era também usado no
para designar qualquer estrangeiro
ignorante do idioma e da cultura grega ou greco-romana. O NT
usa este termo em At 28:2 e Cl
3:11).
BEBIDA FORTE - Bebida alcoólica resultante de
fermentação e que pode embriagar. A bebida mencionada em Is 5:22 era feita de
cevada, misturada com especiarias. A bebida destilada (tipo aguardente, rum,
etc.), de elevado teor alcoólico, não era conhecida nos tempos bíblicos.
BEIJO -
Ato de tocar com os lábios em alguém ou alguma coisa. Era sinal de amor (Ct
1:2). O beijo no rosto era um modo de saudar usado no Oriente desde os tempos
dos Patriarcas, entre pessoas do mesmo sexo e, em ocasiões especiais, entre
pessoas de sexo diferente. Pais e mães beijavam os filhos; os filhos beijavam
os pais; irmãos, entre si; amigos e companheiros, entre si. Os antigos cristãos
se saudavam com o beijo de irmão, também conhecido como "ósculo
santo" (Rm 16:16; 1Pe 5:14).
BÍBLIA -
Do grego biblos,
"livro" ou biblion,
"livrinhos". Este é o nome pelo qual é conhecida a coleção dos
Escritos considerados pela Igreja Cristã como inspirados por Deus. Em
realidade, a Bíblia não é simplesmente um livro; é O Livro. Uma Biblioteca,
escrita durante dezesseis séculos por mais de quarenta pessoas, a maioria das
quais nunca se conheceu. Possui 66 livros, divididos em duas grandes partes,
chamadas "Antigo" e "Novo" Testamentos. O AT possui 39
livros, distribuídos em cinco grupos: Lei, Históricos, Poéticos, Profetas
Maiores e Profetas Menores. O NT, com seus 27 livros, também se divide em cinco
partes: Evangelhos, Histórico, Epístolas Paulinas, Epístolas Gerais
e Profético. O AT foi escrito em hebraico, com pequenas porções em
aramaico. O NT foi escrito em grego, com provável exceção para o Evangelho
Segundo Mateus, que segundo alguns estudiosos tenha sido escrito originalmente
em aramaico.
BIBLIOLOGIA - Vocábulo de origem grega, biblos, "Bíblia" e logia,
"estudo", "dissertação". Isto é, Bibliologia, é o estudo
das Escrituras. Dentro deste campo de pesquisa, estuda-se a inspiração plenária
das Escrituras, a formação do cânon, os livros bíblicos e suas características,
assim como as grandes divisões das Escrituras, autoria dos livros bíblicos e
uma imensa gama de assuntos correlatos.
BIBLIOMANCIA - Trata-se de expediente bastante comum em nossos dias. Conforme o
próprio nome indica, Bibliomancia (do grego biblos, "Bíblia" e manteia,
"adivinhação"), é uma forma velada de adivinhação. Com base em uma
Hermenêutica falha, dizem "consultar" o Senhor, como fazia Davi (e.g.
1Sm 23:4), abrindo a Bíblia ao acaso, a fim de obter resposta para determinada
pergunta. No entanto, se esquecem que vivemos na Dispensação do Espírito,
Aquele que nos faz saber todas as coisas e nos revela toda a verdade (cf. Jo
14:26; 16:13). Ademais, costuma-se praticar Bibliomancia, acerca de assuntos
sobre os quais a Bíblia trata de forma ampla e completa. Ver o verbete
Consultar.
BODE EXPIATÓRIO -
Nome que se dava ao bode que era solto para o deserto no Dia da Expiação. Era
ele um sinal visível e simbólico de que os pecados do povo tinham sido
esquecidos e perdoados (Lv 16:5-28).
CABALA - Termo hebraico, kabel,
"receber". Isto é, tradições transmitidas e aceitas. A Cabala é o
conhecimento místico esotérico do Judaísmo, baseado na interpretação oculta da
Bíblia, à qual foram adicionados elementos de outras religiões e sistemas. A
Cabala teve começo na Palestina; mas foi na Babilônia, durante o período de 550
a 1000 d.C., que experimentou seu primeiro, sistemático e substancial
desenvolvimento. O próximo período de desenvolvimento cabalístico deu-se no
início do século XVI. Seu principal centro, foi em
Safede, na Palestina. No seu desenvolvimento, a Cabala caiu em vários absurdos.
Cada palavra da Bíblia, escrita em hebraico, que eles pensavam ser a língua do
próprio Deus, bem como cada letra, e mesmo cada sinal vocálico e todas as suas
possíveis permutas, combinações, eram consideras questões que encerravam
profundos mistérios. A Bíblia era interpretada não apenas literalmente, mas
também alegórica, homilética e anagogicamente, com a esperança de desvendar
sentidos ocultos. As palavras passaram a ser interpretadas,
de acordo com seus valores numéricos, numa pseudociência chamada Gematria.
CABEÇA - Originário do hebraico,
onde existem várias palavras correlatas, o termo cabeça, é de origem grega, kephale, vocábulo
usado setenta e quatro vezes no NT. Este termo inclui, tanto o crânio, que
abriga o cérebro, como também o rosto. Na Antigüidade, alguns acreditavam que a
cabeça era a sede da inteligência, enquanto outros defendiam a idéia de que
essa função era atribuída ao coração; isto é, o coração seria a "sede das
emoções" (cf. Gn 3:15; Sl 3:3). Em sentido figurado, cabeça pode
significar "chefe" (cf. Ef 4:15; 5:23). "Ter a cabeça
exaltada" quer dizer "vencer" (cf. Sl 27:6). "Inclinar a
cabeça" diante de alguém, simboliza "humildade" ou
"reverência" (cf. Gn 24:26; Êx 4:31). "Cobrir a cabeça",
representava "tristeza" (cf. 2Sm 15:30). Pôr cinza ou pó sobre a
cabeça, indica "consternação" e
"tristeza" (cf. Js 7:6; Jó 2:12). "Rapar a cabeça" também
era sinal de "tristeza" (cf. Jó 1:20) ou de "voto" (cf. Nm
6:9; At 18:18). "Impor as mãos" sobre a cabeça de alguém, era sinal
de transmissão de alguma bênção (cf. 2Sm 13:19; Jr 2:37), como o "Batismo
com o Espírito Santo" (cf. At 19:6) ou de investidura num Ministério
específico (e.g. At 6:6; At 13:3; 1Tm 4:14; 5:22) ou para ministrar a cura no
Nome do Senhor Jesus (cf. Mc 16:18) Sacudir a cabeça, era gesto de zombaria,
incredulidade ou consternação (cf. Is 37:22; Sl 22:7; Mt 27:39).
Metaforicamente falando, Jesus é a Cabeça da Igreja (cf. Ef 5:23; 4:15; Cl 1:18)
CALDÉIA - Nome de um Distrito, ao sul da
Babilônia, que posteriormente, veio a designar a Babilônia inteira, o que
ocorreu durante o Império neobabilônico de Nabucodonosor II (605-562 a.C.).
Nesta ocasião, seu território se estendia desde a pequena aldeia murada de
Hite, à margem direita do Eufrates, até o Golfo Pérsico. Nos tempos bíblicos
era uma região muito fértil (Jr 51:35).
CALENDÁRIO
- Nome que se dá ao sistema de divisão do tempo do ano civil. Os 12 meses do
ano judaico, iniciavam com cada lua nova e seguiam
assim: 1) abibe (Êx 13:4) ou nisã (Ne 2:1), de meados de março a meados de
abril; 2) zive (1Rs 6:1), abril-maio; 3) sivã (Et 8:9), maio-junho; 4) tamuz,
junho-julho; 5) abe, julho-agosto; 6) elul (Ne 6:15), agosto-setembro; 7)
ethanim ou tisri (1Rs 8:2), setembro-outubro; 8) bul ou marquesvã (1Rs 6:38),
outubro-novembro; 9) quisleu (Ne 1:1), novembro-dezembro; 10) tebete (Et 2:16),
dezembro-janeiro; 11) sebate (Zc 1:7), janeiro-fevereiro; 12) adar (Ed 6:15),
fevereiro-março. Como os meses judaicos eram meses lunares, portanto, de vinte
e oito dias, a cada três anos, acrescia-se um 13º mês, para ajuste de
Calendário, chamado Ve-Adar, ou seja, "segundo adar".
CAMINHO, CAMINHO DO SENHOR - Segundo se depreende, este termo tornou-se costumeiro para designar o
Cristianismo (cf. At 19:9; 22:4), em que é apresentado o "Caminho da
Vida", sem dúvida, uma designação antiqüíssima, antes de tornar-se comum o termo cristão, usado pela primeira vez em sentido de escárnio, em
Antioquia da Síria (At 11:26).
CANDELABRO DE OURO - Também chamado de "Castiçal de Ouro" (Êx
25:31-40). É também chamado "Menorah". Dentro do Santo Lugar, o
Candelabro era a primeira coisa que se podia ver. Ele era símbolo da presença
de Jesus, pois Ele é Luz (Jo 9:5). O Candelabro era de ouro puro. Não era uma
simples peça fundida, mas forjada a martelo por um hábil ourives,
partindo-se de um talento de ouro. Para chegar a se transformar naquele maravilhoso Candelabro, o ouro foi sendo continuamente
golpeado. Assim foi com o Senhor Jesus: foi golpeado com os duros
golpes do juízo de Deus, que se destinava ao homem (Is 53:5). A haste e
os seis braços do Candelabro eram uma só peça maciça. Davam suporte a sete
lâmpadas de azeite, as quais forneciam a luz naquela escuridão. As
lâmpadas eram cheias de azeite de oliva, o qual é uma figura
do Espírito Santo (Zc 4:1-6). O mesmo se passa com os crentes que
estão intimamente ligados com o Senhor Jesus Cristo: eles se tornam luz (Mt
5:14). Encontramos ainda a ordem de Nm 8:3: as lâmpadas deviam ser colocadas de
maneira que iluminassem defronte do Candelabro, a sua haste, que representa
Cristo. Isto nos mostra da necessidade de sermos luz não para nossa
glória própria, mas para glória de Deus. A função do sacerdote em relação
ao Candelabro também possui grande simbolismo, pois a parte queimada do pavio
não dava luz e ele devia então remover a sujeira. Assim também é em nossas
vidas: precisamos remover tudo aquilo de ruim que porventura existir em
nós, a fim de que a nossa luz brilhe diante dos homens!
CÂNON -
O termo Cânon, vem do heb. kaneh, que foi vertido para o
grego como kanon.
Originalmente, este termo denotava uma "vara de medir", tendo em
vista o desconhecimento do sistema decimal. Mais tarde, passou a designar o
conjunto dos livros divinamente inspirados.
CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO - O processo de canonização, de qualquer coleção de livros sagrados, é
um processo histórico que necessita de séculos para ser completado. São esmagadoras
e irrefutáveis as evidências a favor dessa verdade. Esse processo histórico
contou diretamente com a assistência do Espírito Santo de Deus, que ao longo
dos séculos dotou os rabinos judaicos para reconhecerem os livros divinamente
inspirados e refutarem os apócrifos e pseudepígrafos. A Igreja Evangélica
reconhece como canônicos, apenas os livros do AT
escritos em hebraico, com raras passagens em aramaico. Já o Romanismo, inclui
no seu "cânon" outros livros, aos quais chamam
"deuterocanônicos", num total de sete, elevando o número de livros
para o AT para 46. Para os judeus e os evangélicos, o cânon do AT não possui
divergências, uma vez que as Bíblias utilizados pelos
evangélicos não foram traduzidas da Septuaginta, mas sim, do Texto
Massorético, constando de 39 livros.
CÂNON DO
NOVO TESTAMENTO - Nenhum dos livros que compõem o NT foi
aceito como canônico antes da
Epístola aos Romanos, pois quando se fizeram as primeiras declarações sobre o
“cânon” neotestamentário, a Epístola aos Romanos sempre foi
incluída, e isto nos pronunciamentos de grupos ou pessoas ortodoxas ou
heréticas. A passagem de 2Pe 3:15-17, que cita o trecho de Rm 2:4, chama-o de
“escrituras”, sendo esse o mais antigo pronunciamento que temos
sobre a canonização de qualquer dos livros do NT. Por conseguinte, pode-se
dizer que a Epístola aos Romanos aparece em primeiro lugar no
“cânon” do NT. Outrossim, essa epístola foi escrita antes de
qualquer dos evangelhos, com a possível exceção exclusiva do evangelho de
Marcos, ainda que, na ordem cronológica, isto é, na ordem da escrita, a
Epístola aos Romanos apareça no sexto lugar entre os escritos de Paulo.
Márcion, aquele antiqüíssimo herege (150 d.C.), incluía a Epístola aos Romanos
em seu cânon, e esse pronunciamento levou outros Pais da Igreja a fazerem seus
respectivos pronunciamentos. Todos esses Pais da Igreja, sem qualquer exceção,
dentre os que se preocuparam com esse problema, também incluíram a Epístola aos
Romanos em seus respectivos “cânones”. Os “cânones”
mais antigos (pertencentes ao século II d.C.) incluíam cerca de dez das
epístolas de Paulo, bem como os quatro Evangelhos, ou seja, os mais antigos
livros do Novo Testamento, num total de cerca de catorze livros. Mas alguns
estudiosos supõem que o próprio Márcion não preparou o “cânon” de
sua época, mas antes, aceitou tão somente a opinião corrente da Igreja de seus
dias. Se assim realmente sucedeu, então talvez possamos fazer retroceder o mais
primitivo “cânon” neotestamentário para 125 d.C. mais ou menos.
Escritores anteriores, que não contavam com qualquer “cânon”
formal, mesmo assim demonstraram respeito e conhecimento por diversas das
epístolas de Paulo, incluindo a epístola aos Romanos. Entre estes podemos citar
Clemente de Roma (95 d.C.), Inácio de Antioquia (110 d.C.) e Policarpo de
Esmirna (110 ou 130 d.C.). Inácio de Antioquia (martirizado em cerca de 110
d.C.), escreveu várias epístolas às Igrejas, como também uma endereçada a
Policarpo, e esses escritos sobreviveram como uma “coleção”.
Cabe-nos o direito, portanto, de suspeitar que muitos crentes, daquela época
primitiva, possuíam várias coleções das epístolas de Paulo. Além disso, é
extremamente improvável que qualquer coleção de epístolas de autoria de outrem
tenha precedido a coleção dos escritos do apóstolo dos gentios. E, assim sendo,
podemos supor que, pelo fim do primeiro século da era cristã, alguma forma de
coleção já fora feita, tendo sido esse o mais primitivo “cânon” do
NT, o qual, sem a menor sombra de dúvida, incluía a Epístola aos Romanos. A primeira
dessas coleções consistia de dez dessas epístolas paulinas, conforme eram
aceitas por Márcion, e, subseqüentemente, por outros Pais da Igreja. A ordem
escrita por Márcion era a seguinte: Gálatas, 1 e 2
Coríntios, Romanos, 1 e 2
Tessalonicenses, Efésios, Colossenses, Filemon e Filipenses. E isso nos mostra
quais as epístolas formadoras do mais primitivo “cânon”. Já a lista
muratoriana, feita posteriormente, pertencente cerca de 200 d.C., apresenta uma
ordem diferente, a saber: 1 e 2 Coríntios, Efésios,
Filipenses, Colossenses, Gálatas, 1 e 2 Tessalonicenses, Romanos e Filemon. Com
esse número e com essa ordem de epístolas paulinas, Tertuliano (cerca de 200
d.C.), parece concordar. Os elementos hereges, que admitiam a canonicidade da
epístola aos Romanos, além de Márcion, foram os seguintes: os ofitas,
Basilides, Valentino, Heracleon e Ptolomeu, Taciano. Crentes de séculos
posteriores, que igualmente aceitavam a Epístola aos Romanos como canônica,
foram: as Igrejas de Viena e Lions, Atenágoras e Teófilo de Antioquia. A lista
final dos livros integrantes do NT, somente
foi oficializado no Concílio de Cartago, em 397 d.C., embora já estivessem sido
utilizados na maioria das Igrejas, mesmo antes de oficializado
CÂNTICO DOS DEGRAUS -
Também chamados de "Cânticos Graduais". Título que ocorre em 15
Salmos na versão ARC (do 120 ao 134). Não se sabe com exatidão o que esse
título quer dizer. Ao que tudo indica, esses salmos eram cantados pelo povo,
quando "subiam" a Jerusalém para as Festas Anuais. Ou ainda, eram
cantados, enquanto os judeus devotos subiam as escadas do Templo de Jerusalém.
Seguramente, os Cânticos Graduais possuem um valor escatológico muito mais
profundo do que possa parecer à primeira vista.
CARNAL -
Termo de origem grega, sarkikos. Seus principais significados são:
"carnal", "natureza carnal". O termo era usado para
designar algo não governado através do Espírito de Deus, bem como algo
relacionado com a depravação, com a natureza humana decaída. Por fim,
"carnal" é o termo usado para expressar o que pertence
à natureza humana deixada à vontade de seus pensamentos e desejos em contraste
com os pensamentos e desejos espirituais, que vêm de Deus. Quando não está
sujeito a Deus, o ser humano tem inclinação para o pecado. O salvo pode ser
"carnal" ou "espiritual" (1Co 2:14-3:1; 1Pe 2:11). Algumas
coisas que a natureza humana produz são mencionadas em Gl 5:19-21; o que o
Espírito produz é referido nos em Gl 5:22,23.
CASA -
No hebraico, beth. Construção em que pessoas moram. Na
Palestina as casas eram feitas de pedra. Os pobres viviam às vezes em cavernas.
As pessoas errantes, que se deslocavam em busca de alimentos e de pastagens
para os seus rebanhos, viviam em barracas feitas com peles de cabra ou de
camelo (Gn 4:20). No litoral do mar Mediterrâneo construíam-se casas de barro.
O teto era feito de palha e barro.
CASAMENTO -
Instituição divina pela qual um homem e uma mulher se unem por amor numa
comunhão social e legal com o propósito de estabelecerem uma família (Gn
1:27-28; 2:18-24). É permanente e só pode ser dissolvido pela morte (Rm 7:2-3)
ou, excepcionalmente, pelo divórcio (Mt 19:3-9).
CASTIGO -
Termo usado para denotar um sofrimento imposto a quem é culpado (Pv 11:21). Os
pais castigam os filhos (Pv 19:18). Os tribunais condenam os culpados (Rm
13:4). Deus castiga (Hb 10:29-31). Os condenados eram castigados com açoites
(Dt 25:2-3) e (ou) jogados na prisão, que era chamada calabouço (At 16:19-24).
A Lei de Moisés previa a pena de morte para vários crimes (Ex 21:12-17,22-23;
22:18-20; Dt 22:20-25). Os judeus apedrejavam; os romanos cortavam a cabeça ou
crucificavam.
CATIVEIRO -
Situação dos israelitas quando os moradores do Reino do Norte (Israel) foram
derrotados e levados como prisioneiros para a Assíria em 722 a.C. (2Rs 17:6;
18:11), e os moradores do Reino do Sul (Judá) foram derrotados e levados como
prisioneiros para a Babilônia em 586 a.C. (Jr 52:24-30). Este termo também pode
servir para designar o lugar onde alguém fica como prisioneiro (Ap 13:10).
CÉDULA -
Originalmente, o termo deriva-se do grego cheirographon, uma letra, que a pessoa
escreveu com sua própria mão; uma nota escrita à mão na qual reconhece um valor
em dinheiro que alguém depositou em sua mão ou que lhe foi emprestado, a ser
devolvido no momento designado. Tal termo está relacionado com grapho, cujos
principais significados são: "escrever", "lavrar um
documento", " emitir compromisso
escrito". Em Cl 2:14, Paulo usa tal termo para expressar um dos aspectos
da Obra Redentora de Cristo: ele "riscou", "anulou",
"liquidou" a cédula de dívida que nos era contrária, ou seja, a
cédula de nossa dívida, cravando-a na Cruz.
CÉSAR -
Título aplicado à uma família romana, da qual Caio
Júlio César foi o membro mais famoso. Com o passar do tempo, "César"
se tornou o título oficial dos imperadores romanos (Lc 20:25). No NT, menciona-se quatro césares: Augusto, Tibério, Cláudio e
Nero.
CHAMAR -
Verbo usado nas Escrituras, para expressar o ato de convidar pessoas para que
aceitem a salvação realizada por meio de Jesus Cristo (Gl 1:6). Essa é uma
decisão tomada por Deus, desde a eternidade. Exteriormente esse convite é
comunicado às pessoas através da mensagem de Deus e interiormente, pela ação do
Espírito Santo, que cria a fé salvadora. Também pode expressar o ato de
convocar certas pessoas para que se dediquem a trabalhos especiais no Reino de
Deus (Rm 1:1). Também essa convocação é uma decisão divina,
tomada desde a eternidade (Is 49:1,5; Jr 1:5; Gl 1:15).
CHIFRE -
Termo de origem hebraica, qeren, originário de qaran:
"chifre", "chifre, como projeções no altar", "chifre,
como instrumento musical". No grego, o termo é keras, "um
chifre", "uma extremidade projetando uma forma como um chifre".
Uma ponta dura e curva, que aparece na fronte de alguns animais (Ap 17:3). O
chifre era usado para conter líquidos e também servia como corneta (Js
6:4). Num sentido metafórico,
"chifre" é símbolo de força, coragem, poder e autoridade (Zc 1:18,19).
CIDADES DE REFÚGIO -
Nome que se dava a seis cidades, nas quais podiam se refugiar e permanecer
aqueles que cometessem um homicídio sem tê-lo premeditado. O texto a seguir
demonstra bem a utilização das Cidades de Refúgio: "Falou mais o Senhor a Moisés,
dizendo... Quando passardes o Jordão à terra de Canaã, fazei com que vos
estejam à mão cidades que vos sirvam de cidades de refúgio, para que ali se
acolha o homicida que ferir a alguma alma por erro... Três destas cidades
dareis daquém do Jordão, e três destas cidades dareis na terra de Canaã;
cidades de refúgio serão. Serão de refúgio estas seis cidades para os filhos de
Israel, e para o estrangeiro, e para o que se hospedar no meio deles, para que
ali se acolha aquele que ferir a alguma pessoa por erro. Porém, se a ferir com
instrumento de ferro, e morrer, homicida é; certamente o homicida morrerá. Ou,
se a ferir com pedra à mão, de que possa morrer, e ela morrer, homicida é;
certamente o homicida morrerá. Ou, se a ferir com instrumento de madeira que
tiver na mão, de que possa morrer, e ela morrer, homicida é; certamente morrerá
o homicida. O vingador do sangue matará o homicida: encontrando-o, matá-lo-á.
Se também a empurrar com ódio, ou com intento lançar contra ele alguma coisa, e
morrer; ou por inimizade a ferir com a sua mão e morrer certamente morrerá o
feridor; homicida é; o vingador
do sangue, encontrando o homicida, o matará. Porém, se a empurrar de improviso,
sem inimizade, ou contra ela lançar algum instrumento sem desígnio; ou sobre
ela fizer cair alguma pedra sem o ver, de que possa morrer, e ela morrer, e ele
não era seu inimigo nem procurava o seu mal, então, a congregação julgará entre
o feridor e o vingador do sangue, segundo estas leis. E a congregação livrará o
homicida da mão do vingador do sangue, e a congregação o fará voltar à cidade
do seu refúgio onde se tinha acolhido; e ali ficará até à morte do sumo
sacerdote, a quem ungiram com o santo óleo. Porém, se de alguma maneira o
homicida sair dos termos da cidade do seu refúgio, onde se tinha acolhido, e o
vingador do sangue o achar fora dos termos da cidade do seu refúgio, se o
vingador do sangue matar o homicida, não será culpado do sangue. Pois
deve ficar na cidade do seu refúgio, até à morte do sumo sacerdote; mas, depois
da morte do sumo sacerdote, o homicida voltará à terra da sua possessão. E
estas coisas vos serão por estatuto de direito a vossas gerações, em todas as
vossas habitações. Todo aquele que ferir a alguma pessoa, conforme o dito das
testemunhas, matarão o homicida; mas uma só testemunha não testemunhará contra
alguém para que morra, e não tomareis expiação pela vida do homicida, que culpado
está de morte; antes, certamente morrerá. Também não tomareis expiação por
aquele que se acolher à cidade do seu refúgio, para tornar a habitar na terra,
até à morte do sumo sacerdote. Assim, não profanareis a terra em que estais;
porque o sangue faz profanar a terra; e nenhuma expiação se fará pela terra por
causa do sangue que se derramar nela, senão com o sangue daquele que o
derramou. Não contaminareis, pois, a terra na qual vós habitareis, no meio da
qual eu habitarei; pois eu, o Senhor, habito no meio
dos filhos de Israel." (Nm 35:9-34).
CIRCUNCISÃO -
Termo grego, peritome. Trata-se de uma cerimônia
religiosa na qual é cortada a pele, chamada prepúcio, que cobre a ponta do
órgão sexual masculino. Todas as crianças israelitas eram circuncidadas ao
oitavo dia após o seu nascimento. Era um sinal visível da Aliança que Deus fez
com o povo de Israel (cf. Gn 17:9-14). Algumas vezes, o termo era usado de
forma metafórica para designar os israelitas (Gl 2:8; Cl 4:11, na BLH). Outras
vezes, o termo pode significar a "circuncisão espiritual", que
resulta numa nova natureza, a qual é livre do poder das paixões carnais e obediente a Deus (Jr 4:4; Rm 2:29; Cl 2:11; Fp
3:3).
CIÚME -
No original grego zeloo. Primariamente, o termo ciúme denota disposição
ou atitude que não tolera a infidelidade. É neste sentido, que a Bíblia afirma
que Deus é um "Deus zeloso", pois Ele exige que os Seus seguidores
adorem somente a Ele (Tg 4:5). No entanto, ciúme pode também denotar uma
disposição de suspeitar da fidelidade da pessoa amada. Esse tipo de ciúme é
doentio e só faz mal (cf. Ct 8:6; 1Co 13:4).
CÓDEX -
Termo de origem latina, "tronco",
"casca" ou "tábua". Esse vocábulo foi atribuído ao sistema
de agrupamento de escritos em forma de folhas empilhadas e amarradas, semelhantes
aos nossos modernos "livros", em substituição ao antigo sistema de
"rolos" ou "pergaminhos". Este termo também é utilizado
para identificar uma enorme variedade de manuscritos originais, tanto do
Antigo, quanto do Novo Testamento, sendo os mais conhecidos, o Sinaiticus, o
Vaticanus, o Alexandrinus e o Ephraemi-Rescriptus.
COLUNA -
Termo originário do grego stulos.
Originalmente, significa um pilar;
uma coluna; um suporte ou apoio. Este era o vocábulo usado para denotar uma
pedra que servia para marcar um lugar sagrado ou para conservar a
lembrança de alguma pessoa ou de algum acontecimento (Gn 28:18). Também servia
como testemunha entre duas partes (Gn 31:52). Também era usada para designar
uma peça usada na arquitetura para sustentar coberturas (cf. Êx 26:32). No
sentido metafórico, coluna indica
"apoio" (Gl 2:9; 1Tm 3:15).
COMIDA -
Na Bíblia este termo denota tudo aquilo que é ingerido para sustentar o corpo e
mantê-lo vivo. Em geral os judeus serviam duas refeições ao dia. Seu cardápio
era composto por verduras e frutas (Nm 11:5; Dt 23:24), peixe (Ne 13:16), carne
(Lv 11), mel (Pv 24:13), leite, manteiga e queijo (Dt 32:14; Jó 10:10), tudo
ingerido junto com pão de farinha de trigo, de centeio, ou de cevada (Êx 29:2;
Jo 6:9).
COMUNHÃO -
Termo de origem grega, koinonia, cujos significados básicos são:
companheirismo, comunhão, comunicação, participação em comum, relacionamento. O
termo é utilizado para denotar uma associação com uma pessoa,
envolvendo amizade com ela e incluindo participação nos seus sentimentos, nas
suas experiências e na sua vivência (1Co 1:9; 10:16; 2Co 13:13; Fp 2:1; 3:10;
1Jo 1:3,6,7). Também pode indicar um relacionamento
que envolve propósitos e atividades comuns; uma espécie de parceria (At 2:42;
2Co 6:14).
CONCUBINA -
Vocábulo usado para designar uma moça, usualmente pobre, que um homem de posses
comprava dos seus pais, ou aceitava como pagamento de dívidas, ou tomava como
prisioneira de guerra. A concubina tinha direito a
casa, comida e relações sexuais com o dono, que era considerado seu marido. Ela
ficava em posição inferior à da esposa, porém não era olhada com desprezo pelos
outros, tendo em vista que nos tempos do AT a lei tolerava a poligamia (Gn 25).
CONCUPISCÊNCIA -
Palavra de origem grega, epithumia. Seus significados básicos, são:
luxúria, concupiscência, desejo, desejo do que é proibido. Trata-se de uma
forte e continuada vontade ou desejo de fazer ou de ter o que Deus não quer que
façamos ou tenhamos (Rm 7:8).
CONFESSAR -
Verbo de origem grega, homologeo. Seus significados
básico são: "confessar", "professar",
"prometer", "não negar", "declarar abertamente".
O verbo expressa a idéia de declarar o que se crê ou sabe. A
pessoa confessa os seus pecados (Sl 32:5) e afirma que crê em Deus poderoso e
Salvador (Rm 10:9-10).
CONFISSÃO
POSITIVA - Ao abordamos acerca da
"confissão positiva", automaticamente estaremos nos referindo,
querendo ou não, à "Teologia da Prosperidade". No entanto, se o
leitor desejar maiores informações sobre esta última, poderá consultar o verbete
"Teologia da Prosperidade", constante do presente Dicionário. Embora
muitos não aceitem a proposição desta verdade, a "Confissão Positiva"
é uma heresia. Por que heresia? Porque defende e propaga ensinos contrários ao
que as Escrituras Sagradas
ensinam. Por exemplo, a Teologia de Deus e a Antropologia
apregoados pela Confissão Positiva, não se harmonizam com o ensino
bíblico. Embora alguns tentem negar o vínculo, a Confissão Positiva tem sua
origem nos ensinos de Finéias Parkhust (1806-1866). Finéias era um curandeiro
que havia desenvolvido a prática da hipnose e ensinava a inexistência da
matéria, do sofrimento, do pecado e da enfermidade. Foi com estas idéias, que
ele fundou o Novo Pensamento e ficou conhecido como o guru da Ciência da Mente. A influência desse "novo pensamento" deu forças à
Mary Baker Eddy, que fundou, em 1879, a Igreja da
Ciência Cristã. No entanto,
considera-se o "pai" da Confissão Positiva, Essek William Kenyon, que foi o primeiro a pregar e a escrever
sobre ela, além de ter sido o primeiro a pregar estas mensagens no rádio, em
1931. Suas idéias foram despertadas pela influência de Finéias; mesmo assim,
ele é reconhecido como o "pai" da Confissão Positiva, que se
identifica com a Teologia da
Prosperidade, Palavra
da Fé ou Movimento da Fé. Entretanto, a grande publicidade que essas
idéias possuem hoje, se deve a Kenneth Erwin Hagin, pois foi ele quem fez com
que ganhassem formas e influência, se utilizando dos
meios de comunicação e fazendo que elas penetrassem nas lares e nas Igrejas.
Num exame superficial, parece-nos que estas idéias possuem embasamento bíblico,
em virtude do número enorme de versículos que figuram em seus escritos. Mas,
numa análise mais aprofundada, pode-se perceber que tudo que produzem, tem como
base os escritos místicos e recheados de empirismo de Hagin, mas não as
Escrituras. E diga-se de passagem, Hagin é hábil em
basear-se em textos fora dos seus contextos, torcendo o que a Bíblia diz. Com
base no que dissemos, as inúmeras eisegeses podem ser exemplificadas no absurdo
de reduzirem Deus à categoria dos homens e elevarem os homens à categoria de
Deus. Chegam a afirmar que você precisa ter a fé
de Deus para poder fazer milagres, pois segundo dizem, a fé foi a substância que Deus usou para criar o Universo. Hagin afirma
ainda que na oração não se deve pedir, pois o verbo “pedir” de Jo 14:13,14 deve ser traduzido por "exigir". Assim,
eles concluem que o cristão deve exigir o que deseja. Ou como dizem,
"determinar"; e Deus fará. São ainda dualistas,
maniqueístas e animistas.
CONGREGAÇÃO -
Este é o termo usado para designar Israel como povo ou nação. No
hebraico, aparece o vocábulo kahal, que denota a multidão inteira de qualquer povo, unido pelos vínculos de uma sociedade, e
constituindo uma república ou estado. Em
sua significação ordinária, o termo pode ser definido como uma assembléia ou
convocação do povo de Israel. Na famosa versão da Bíblia para os judeus de fala grega, a Septuaginta, o
termo foi traduzido por ekklesia, no sentido usual do hebraico kahal. O termo congregação, ainda pode ser usado para denotar o povo reunido, especialmente para fins religiosos (cf. 1Rs 8:14; Hb
10:25).
CONHECER -
Verbo de origem grega, ginosko.
Suas acepções básicas alcançam uma enorme gama de significados, tais como:
"saber",
"entender", "perceber", "ter conhecimento de".
Quando o verbo conhecer é usado como metáfora, trata-se de um hebraísmo, cujo
sentido é ter relações sexuais entre um homem e uma mulher.
CONJURAR -
Verbo grego, diamarturomai. Seus principais significados, são:
"testemunhar", "afirmar solenemente". É usado na Bíblia em 2Tm4:1, com o sentido de "implorar". Em 1Sm 14:24,
tem o sentido de "ligar-se a alguém por juramento". Já em Is 47:11, o
sentido é "afastar".
CONSAGRAR -
No grego, este verbo aparece como proskartereo. Dentre as suas várias utilizações, este
verbo pode ser usado para designar o ato por meio do qual se
dedica uma pessoa ou uma coisa ao serviço de Deus (Êx 29:1-37; Lv 8; Ez 44:29). Pode também expressar o dedicar-se ao serviço
do Senhor (2Cr 29:31). Ou ainda, pode designar o ato de dedicar-se a Deus, de
santificar-se para Ele (At 6:4).
CONSOLADOR -
O vocábulo grego parakletos
é formado da preposição para, "ao lado de" e kletos,
"chamados". Equivale aos
vocábulos "consolador" e "advogado",.
É um dos títulos do Espírito Santo (Jo 14:26), também aplicado ao Senhor Jesus
(1Jo 2:1).
CONSULTAR - Este verbo é bastante amplo nas
páginas da Bíblia. Em primeiro lugar, costuma-se utilizá-lo com o sentido de
pedir conselho ou opinião (e.g. Os 4:12; Gl 1:16). Também costuma ser usado com
o sentido de examinar antes de decidir (e.g. Sl 71:10; At 27:39). Mas, infelizmente, este verbo está
intimamente relacionado com uma prática bastante comum em nossos dias, a Bibliomancia (do grego biblos,
"Bíblia" e manteia,
"adivinhação"); ou seja, é uma forma velada de adivinhação. Com falta
de base hermenêutica, afirmam "consultar" o Senhor, como fazia Davi
(e.g. 1Sm 23:4), abrindo a Bíblia ao acaso, a fim de obter resposta para
determinada pergunta, esquecendo-se que vivemos na Dispensação do Espírito,
Aquele que nos faz saber todas as coisas e nos revela toda a verdade (cf. Jo
14:26; 16:13). Outro fato sério, é que se tornou comum "consultar"
(ou seja, praticar Bibliomancia), acerca de assuntos sobre os quais a Bíblia
trata amplamente.
CONTAMINAR -
Trata-se de um verbo grego relacionado com o culto e a fé, miaino, "sujar", "manchar",
"poluir". Este verbo é usado para denotar o ato de tornar-se impuro por
ter tocado em alguma coisa, animal ou pessoa impura (Lv 11:43). Também pode ser
usado para expressar o ato de tornar-se impuro moral e espiritualmente por ter
cometido pecado (Mc 7:15-23; Hb 12:15).
CORAÇÃO -
Do grego, kardia, coração, aquele órgão no corpo animal que é o centro da
circulação do sangue (Êx 28:29), e conseqüentemente foi considerado como o assento da vida
física.Também denota o centro de toda a vida física e espiritual. Na Bíblia, o
coração é considerado como o centro dos pensamentos, das paixões (1Sm
1:8), dos desejos, da vontade (Sl
119:2) dos apetites, dos afetos,
dos propósitos, da compreensão, da inteligência (Gn 6:5) e do caráter (Lc 6:45).
CORDEIRO -
Do grego amnos, "cordeiro". Este vocábulo é usado para designar
um filhote ainda novo da ovelha; um carneirinho. Sua carne servia
de alimento e era usada nos sacrifícios levíticos (Êx 29:39). O Senhor Jesus é
claramente apresentado na Bíblia, como o "Cordeiro de Deus" que
haveria de tirar o pecado do mundo (Jo 1:29).
CORINTO -
Cidade da Grécia, cheia de pecado e corrupção, destruída pelos romanos em 146
a.C. e reconstruída em 46 d.C. "Coríntio" era sinônimo de
"imoral", "depravado". Em Corinto havia um templo dedicado
ao culto de Afrodite, deusa do amor. Nesse templo havia mil prostitutas cultuais, que atraíam
adoradores de todo o mundo antigo. Em Corinto Paulo fundou uma igreja (At
18:1-18).
COROA -
Vocábulo de origem grega, stephanos, "uma coroa", "uma marca
real", "uma marca de grau elevado". O mesmo termo servia para
designar a grinalda ou guirlanda que eram determinados como um prêmio para
vencedores em jogos públicos. Os atletas vencedores recebiam
coroas feitas de ramos e flores (1Co 9:25). Metaforicamente, o termo coroa
está relacionado com a bem-aventurança eterna que será dada como um prêmio a
todos os genuínos servos de Deus.
CORPO DE CRISTO -
Designação figurada da Igreja do Senhor Jesus e seus membros (cf. 1Co 12:12-31;
Ef 4:16; 5:30). Para maiores e mais amplas informações, gentileza verificar o
verbete Igreja.
CORRUPÇÃO -
Do grego phthora, termo que significa "corrupção",
"destruição", "perecível". Também pode denotar o ato de
corromper, a depravação (Ed 9:11; Tg 1:27; 2Pe1:4) ou
apodrecimento (Sl 16:10; 1Co 15:50). No uso cristão, corrupção é um termo usado
para denotar, também, decadência moral.
COSMOGONIA -
Este vocábulo bem dos termos gregos kosmos, "mundo" e gignesthai,
"nascer". Ou seja, Cosmogonia é o termo usado para designar as
teorias ou inquirições acerca da origem ou do nascimento do mundo ou do
Universo. Assim, qualquer teoria que se proponha a explicar a origem do Universo,
entra na área da Cosmogonia. A narrativa bíblica da criação é a mais antiga e
confiável Cosmogonia.
COSMOLÓGICO, ARGUMENTO - Trata-se de um dos
argumentos racionais acerca da existência de Deus. A exemplo dos demais, este argumento também tem sido apresentado
de várias formas. Em geral, encerra a idéia de que tudo no mundo deve ter
uma causa primária ou razão de ser. Emanuel Kant, filósofo alemão,
indicou que se tudo que existe tem uma razão de ser, isto deve
ter um ponto de origem em Deus. Assim sendo, deve haver um Agente Único
que equilibra e harmoniza em Si todas as coisas.
COSTUME -
Vocábulo originário do grego, ethos, "costume", "maneira",
"prescrição", "rito", "hábito" (Jr 10:3; At
16:21). O termo também é usado no sentido figurado, para expressar o período
menstrual (cf. 18:11).
CREDOS -
Palavra de origem latina, que significa "eu
creio". Os Credos são os resumos ou confissões de fé oriundos dos
primeiros concílios da Igreja, nos quais as grandes questões cristológicas
foram solucionadas e as heresias definitivamente anatematizadas. Os Credos são,
por assim dizer, verdadeiros resumos de fé.
Os Credos universalmente aceitos pela Ortodoxia, são
em número de cinco: 1) o Credo dos Apóstolos; 2) o Credo de Cesaréia; 3) o
Credo de Nicéia; 4) o Credo Niceno; e 5) o Credo de Atanásio.
CRENTE -
Termo usado para designar aquele que crê no Evangelho e que teve uma experiência pessoal, marcante e transformadora em sua vida
(cf. At 16:1). O termo também pode denotar, nos tempos do AT, aquele que
"cria" na Promessa (cf.Gl 3:8-9).
CRISTOLOGIA - Do grego Cristos, "Cristo" e logia,
"estudo", "dissertação", "tratado". Ou seja,
Cristologia, é o Estudo da Pessoa e da Obra de Cristo. No âmbito deste estudo, muitas outras informações são abordadas, tais como a
pré-existência de Cristo, as Revelações do Messias no AT, a Encarnação do
Verbo, a Humanidade Perfeita e Real, a Divindade Plena de Cristo, Suas Obras,
Sua Pessoa, Seu caráter, bem como seu Tríplice Ministério (Profeta, Sacerdote e
Rei).
CRUZ -
Trata-se de um antigo instrumento de tortura e morte, formado por duas vigas,
uma atravessada na outra, em que eram pregados ou amarrados os condenados. As
cruzes eram de três feitios: em forma de xis
(X), ou de tê maiúsculo (T), ou de sinal de somar (+),
sendo que a viga mais longa é que ficava enterrada (Mc 15:30). No sentido
metafórico, "cruz" representam os nossos
problemas, nossas angústias, desilusões e decepções.
CULPA - Trata-se da violação da lei,
por intermédio da qual a pessoa se torna merecedora de castigo (Jó 13:26; 1Ts
3:13). A Bíblia demonstra que toda a Humanidade é achada culpada diante do
Senhor (Rm 3:9-20), sendo que existem gradações de culpabilidade (Lc 12:47-48).
DEÍSMO - Termo aplicado para designar o pensamento
daqueles que admitem a
existência de Deus, contudo rejeitam por completo a Sua revelação à humanidade.
Para o Deísmo, Deus não possui atributos morais nem intelectuais, sendo
até duvidoso que Ele tenha influído na criação do universo. Noutras palavras, o
Deísmo é a religião natural baseada no raciocínio puramente humano.
Para os deístas, Deus não exerce qualquer influência ou controle na História,
como um todo, ou de uma pessoa, individualmente. O Livro do Apocalipse é o
maior tratado contra o Deísmo, pois mostra que Deus é o Senhor da História.
DESARRAIGAR - Verbo que significa
"arrancar pela raiz". Observemos o que diz Dt 28:63: "E será
que, assim como o Senhor se deleitava em vós, para fazer-vos o bem e
multiplicar-vos, assim o Senhor se deleitará em destruir-vos e consumir-vos; e
sereis desarraigados da terra na qual estais entrando para a possuirdes".
DESPENSEIRO -
Termo usado para designar a pessoa encarregada da despensa (cf. Gn 43:16).
Metaforicamente, os cristãos são administradores dos "seus" dons (cf.
1Pe 4:10). Outrossim, o Obreiro é responsável por cuidar das coisas de Deus
(cf. 1Co 4:1; Tt 1:7).
DETERMINISMO
- Uma das mais consoladoras doutrinas das Escrituras, é a Predestinação. Sua essência repousa no fato de que
Deus tem um plano geral e original para o mundo, e que Seus
propósitos jamais serão frustrados. Entretanto, precisamos tomar cuidado
para que a nossa compreensão acerca da Predestinação, não dê lugar à uma idéia fatalista ou de uma espécie de manipulação da
parte de Deus das escolhas do homem,
pois isto o rebaixaria à posição de um fantoche, sem poder
de escolha nem vontade. A predestinação nunca predetermina as escolhas de Deus no
que concerne ao Seu relacionamento com as
inclinações, necessidades e
escolhas dos homens. Sabendo de todas as possibilidades futuras, bem como os
corações dos homens, Deus fez um plano dos Seus atos: atos estes que resultarão em Sua maior
glória, na salvação do maior número de pecadores, e que contribuirão
com o desenvolvimento da mais perfeita
obediência de Seus servos (Rm
8:28,29). Assim sendo, para que possamos compreender a Predestinação, é mister
que estabeleçamos a distinção entre Predestinação e Fatalismo. Fatalismo é uma crença herética que atribui as ações e
escolhas do homem ao "determinismo" de Deus. Ou melhor, Deus decide o
que o homem será e fará. Mediante o planejamento predeterminado por Deus (a
Predestinação), a salvação é oferecida a todas as pessoas e é possível a todos
quantos buscam a Deus (At 17:26,27). Por causa desta provisão, nenhuma pessoa poderá, em qualquer tempo,
acusar Deus de não lhe ter dado
oportunidade para crer e se salvar (Rm 1:20). Deus não apenas planeja uma maneira de
todos os povos conhecerem a salvação, como também tem um plano
para ajudar os crentes a progredirem na sua vida
espiritual. "Também os
predestinou para serem conforme a imagem de Seu Filho" (Rm
8:29). Este plano, no entanto, depende
da disposição do crente em
corresponder em obediência a Deus (Jr 15:19). Deus "nos
predestinou para Ele, para a adoção de
filhos, por meio de Jesus Cristo" (Ef 1:5). Fomos
"predestinados... a fim de sermos para o louvor da Sua glória, nós, os que
de antemão esperamos em Cristo" (Ef 1:11,12).
DEUS, O NOME DE - Um dos grandes equívocos quanto
à Pessoa de Deus, está diretamente relacionado com o Seu Nome. Muitos crêem que
Adonai, El Shaddai, Elohim e outros, sejam nomes de Deus. No entanto, Deus, tem
um único Nome. Para comprovação desta nossa afirmação,
é mister que apresentemos uma análise exaustiva acerca do Título Divino
utilizado em Gn 1:1. Em primeiro lugar, queremos demonstrar de forma clara e
inequívoca o grande erro que se encontra na confusão entre o Nome de Deus e
Seus Títulos. Vamos iniciar analisando a utilização de "nomes
divinos" por parte dos próprios judeus, embora seja por demais
irônico que exatamente eles, que foram justamente os primeiros a adotar a
concepção da Unidade de Deus, tenham
aposto a Ele um número surpreendente de designações. Este fato,
inclusive, tem sido objeto de várias especulações, tanto por parte de
historiadores bíblicos, de filólogos e mesmo de antropólogos culturais.
Entretanto, costuma-se concluir que todas essas discussões "...resultaram
de conclusões pouco firmes e em escassos esclarecimentos. A hipótese mais
razoável, possivelmente, é de que cada um dos inúmeros nomes de Deus que
aparece na Bíblia representa, meramente, um atributo físico ou
moral dEle, expresso em termos humanos." Em linhas gerais, alguns eruditos
judeus costumam afirmar que Deus tenha
dito a Moisés: "Quando estou julgando a raça humana, chamo-me Elohim. Quando
combato os que praticam o mal, chamo-me Sabaot. Quando relembro os pecados do
homem, chamo-me El
Shadai. Quando me apiedo do mundo, chamo-me YHWH." (Nathan
Ausubel. Enciclopédia Judaica,
Vol. 5, p. 232). Essa aparente "confusão" mesmo por parte do
povo da Bíblia, possui uma razão histórico-cultural.
Deus havia estabelecido: "Não tomarás o Nome do Senhor teu Deus em
vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o Seu Nome em vão." (Êx 20:7). Dessa palavra do Senhor, adveio uma
extrema reverência do judeu para com o Nome YHWH, o Nome Próprio de nosso
Deus. Essa reverência era tamanha, que o Nome veio a ser pronunciado em
raríssimas ocasiões. Desta forma, para não correrem o risco de cair em
desobediência ao mandamento de Êx 20:7, o Nome era sempre
substituído por adon,
"Senhor" ou adonai,
"meu Senhor", esses, por sua vez, notadamente, títulos. Também com
relação à leitura e cópia do texto sagrado, haviam cuidados especiais. Em
relação à cópia, é curioso o fato de que era reservada uma pena
de ouro apenas para escrever o Nome. O Nome de Deus, para os
copistas e os judeus em geral, é um Tetragrama que eles consideram
impronunciável (inefável). Desta forma, optava-se por Títulos e não pelo Nome, pois este estava revestido de
extremado respeito. Não obstante, por mais insignificante que isto possa
parecer, a confusão existente entre o Nome e os Títulos, trouxe
sérios problemas de ordem teológica. O principal desses problemas é aquilo
que é chamado de "Hipótese Documentária", ou "Teoria dos
Múltiplos Documentos", pois um dos principais alicerces dessa
teoria, ainda chamada de teoria J.E.D.P(S), argumenta que distintos
"nomes divinos" identificam diferentes autores ou editores do
Pentateuco. Na auto-revelação de Deus, Ele próprio disse: "...este
é o Meu Nome..." (Êx 3:15). Está claro, pois o Senhor não disse: "...este é um dos meus
nomes...". Muito pelo contrário. Ele utilizou um pronome
demonstrativo a fim de enfatizar a Revelação de Seu Único Nome. Aliás, a Bíblia
em parte alguma fala sobre nomes diferentes aplicados a Deus. Deus
só tem um Nome: YHWH, Javé, (Yahweh) ou Jeová. Com exceção deste,
os outros "nomes" não passam de títulos ou descrições.
DEZ MANDAMENTOS -
Também conhecidos como As Tábuas da Lei
e Decálogo (do grego, deka, "dez" e logos,
"palavra". Este é o nome dos preceitos dados por Deus a Moisés, em
duas placas de pedra, para orientar a vida das pessoas (Êx 20:1-17; 34:28; Dt
5:6-21). Na primeira tábua (ou placa) há quatro mandamentos, os quais tratam
dos deveres das pessoas para com Deus; na segunda há seis mandamentos, que
tratam dos deveres que temos para com as outras pessoas. Todos os mandamentos
se repetem no NT, menos o quarto, que trata do dia de descanso. Jesus resumiu
os dez mandamentos em dois (cf. Mt 22:34-40).
DIÁSPORA - Diáspora é uma palavra de origem
grega, equivalente ao heb. golah. O
termo inclui os movimentos voluntários de emigração de
judeus para outras terras, mas também se refere às colônias judaicas que
resultaram de guerras, exílios e aprisionamentos de "filho do pai" ou
"filho de Abas", que Pilatos colocou como escolha alternativa com
Jesus para o povo, tinha "Jesus" como seu primeiro nome. Essa
posição foi defendida por Orígenes e é confirmada por muitas
cópias do NT que chegaram até nós. Devido a dificuldades da
conexão do nome, existentes desde os primórdios do Cristianismo, alguns
manuscritos muito antigos e valiosos, suprimem este nome no texto de Mt 27:16-17.
Assim, a maioria dos manuscritos suprimem
definitivamente o nome "Jesus" de Barrabás. Alguns outros
exemplos de alterações com a tradição original
podem ser suspeitados como prováveis numa série de trechos do
NT, onde a tradição combinada já não registra o nome
"Jesus". O motivo aqui é claramente a profunda reverência
para com o Nome de Jesus; pensa-se que o Nome não deve ser permitido para
qualquer outro a não ser "Jesus" o Autor e Consumador da nossa
fé. Pode-se observar neste aspecto de reverência para com o Nome de Jesus, um
elemento tomado por empréstimo do judaísmo em relação a reverência
ao Nome de Jeová (obviamente, guardadas as proporções). Esta reverência
se tornou muito mais enfática, pelo fato de que dentro de pouquíssimo tempo, passou-se
a verificar uma relevância quase que geral, da parte dos cristãos, de continuar
a empregá-lo como nome secular, relevância essa que perdura até
nossos dias, com raríssimas exceções. Não menos significativo, porque em
substituição ao Nome "Jesus", passou-se a utilizar a forma
veterotestamentária, dando origem a uma utilidade não mais ou menos
generalizada através dos
nomes Josué e Jason (gr. Iason).Conforme Mt 1:21 e o texto paralelo de Lc 1:31,
o nome de Jesus foi determinado por instruções celestiais dadas ao
pai ( a versão de Mateus) ou mãe (posição lucana).
Concomitantemente à revelação do Nome, descreve-se a tarefa futura do
Filho de Maria, na qual explica-se, etimologicamente, o
significado: "Ele salvará o Seu povo dos pecados deles", determinando
assim, a gloriosa missâo do Verbo Encarnado de Deus.
DICOTOMIA - Termo com o qual se denomina a concepção de que existem apenas dois
elementos essenciais na constituição do homem: o corpo, formado do pó, e a alma, que é o princípio da vida tanto humana como animal. Contém
ela duas substâncias: uma é a alma que
sente e recorda, e a outra é o espírito que tem consciência e
possui o conhecimento de Deus. Os
dicotomistas assemelham a vida do homem à do bruto, diferindo a do homem
apenas por ser de ordem superior. Assim
sendo, o espírito não é uma entidade distinta da alma, mas um aspecto ou desdobramento
desta.
DÍZIMO -
Nome que se dá à décima parte, tanto das colheitas como dos animais, que os
israelitas ofereciam a Deus (cf. Lv 27:30-32; Hb 7:1-10). O dízimo era usado
para o sustento dos levitas (Nm 18:21-24), dos estrangeiros, dos órfãos e das
viúvas (Dt 14:28-29). Ao contrário do que muitos grupos
advogam, o dízimo é anterior à Lei, conforme Gn 14:18-20).
DOCETISMO - A palavra "Docetismo",
vem do termo grego dokeo,
"parecer". Essa palavra passou a ser utilizada para designar uma
seita herética surgida
dentro do Gnosticismo. Ora, é
possível alguém ser
docético sem ser gnóstico, mas uma vez que o Gnosticismo possuía suas características docéticas os dois termos
acabaram por se tornar quase
inseparáveis. A referência
inicial do Docetismo é ao suposto corpo utilizado pelo poder angelical ("aeon"). Esse
corpo é por eles definido como uma sombra ou um fantasma,
uma espécie de representação teatral, mas não um verdadeiro corpo humano. Isto
posto, o
Docetismo negava a humanidade de Cristo, uma vez que
para os gnósticos a matéria era
mesmo o princípio do mal, pelo que nenhum ser elevado divino se envolveria com
ela. Portanto, Cristo parecia
estar envolvido na matéria, mas não o estava de fato. O Docetismo é uma maneira
simplista de buscar solução para o
problema cristológico: plenamente Deus, totalmente Homem. Alguns gnósticos defendiam
a posição da "possessão", uma espécie de "meio-docetismo",
semelhante ao Adopcionismo. Pensavam que o Logos
(ou algum aeon angelical) teria vindo possuir temporariamente o corpo humano de Jesus, por ocasião de Seu
batismo, abandonando-O quando da
Crucificação. Portanto, apesar de que este corpo era realmente humano, teria sido
apenas um instrumento, mas não especificamente uma dimensão da
realidade do Logos. Esta
posição era uma espécie de meio-termo, que não chegava ao
verdadeiro Docetismo ensinado por Basilides. Muitos gnósticos posteriores
optaram pela doutrina docética franca. O Docetismo foi ferrenhamente combatido
por Inácio e Irineu, que desmascararam suas diversas
manifestações. Tertuliano escreveu cinco tratados contra Márcion.
Conforme estaremos demonstrando
no item acerca de Jesus nas
tradições islâmicas, o islamismo parece ter retido certa forma de
Docetismo, ao referir-se a Cristo. A seção de 1Jo 4:1-3 descreve o
"Docetismo" dos gnósticos, combatendo-o enfaticamente. Pelo menos
outras cinco passagens neotestamentárias combatem essa heresia, demonstrando
a realidade da essência humana do Senhor Jesus Cristo: 2Co 1:5; Fp 3:10; 1Pe 1:3; 4:13 e, especialmente 1Pe
4:1, que diz: "Ora pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos
também com este pensamento, que Aquele que padeceu na carne já cessou do
pecado".
DOMINGO - No latim, o termo é dominus dei, ou seja, "dia do Senhor".
Trata-se do primeiro dia da semana, no qual se comemora a ressurreição de Jesus
(cf. Jo 20:1-25). Após a ascensão de Jesus, os cristãos se reuniam tanto no
sétimo dia da semana (sábado) como no primeiro (domingo), mas aos poucos o
domingo se tornou o dia especial de serviço ao Senhor (At 20:7; 1Co 16:2; Ap
1:10). Quanto à alegação dos "sabatistas", de que o dia do Senhor tenha
sido alterado por Constantino, absolutamente não procede. Na realidade, o que
Constantino fez, foi oficializar o primeiro dia da semana como dia de descanso
para os soldados e funcionários do Império, sendo que o costume de adotar o
primeiro dia da semana como dia especialmente consagrado ao serviço do Senhor,
data das primeiras décadas do Cristianismo, conforme demonstrado acima.
DONS ESPIRITUAIS - Também conhecidos como
"dons do Espírito". O termo "dom", que ocorre em 1Co 12,
vem do gr. charisma,
no singular e charismata, no plural. Comumente se fala em "dons
espirituais" num sentido e propósito estranhos aos que lhes são atribuídos
no NT. Um dos erros mais comuns, consiste em se
imaginar que se trata de dons "naturais"; outro erro bastante comum,
é pensar que os dons sejam distribuídos como uma espécie de
"troféu" de bom comportamento ou "medalha de ouro" por
serviços prestados ao Reino. Mas, então, poderia surgir a pergunta lógica: Para
quê ou por que nos são concedidos os dons espirituais? A resposta é simples e
óbvia: os dons espirituais são distribuídos pelo Senhor Jesus, como: adorno (cf. 1Co 14:24,25), provisão (cf. 1Co 12:7) e capacitação.
No contexto de 1Co 12:8-11, Paulo alista nove dons espirituais, quais sejam: 1)
palavra da sabedoria (gr.
logos sofias), habilidade de compreender e transmitir as
coisas mais profundas do Espírito de Deus, de compreender e transmitir os
mistérios cristãos, como também a capacidade de transmitir a outros esse
conhecimento (cf. Rm 11:33). Também está relacionado com a capacitação para
aplicar a sabedoria de Deus em situações específicas e circunstâncias
particulares; 2) palavra da ciência ou do conhecimento
(gr. logos gnoseos), comumente conhecido como "revelação". É capacitação
de Deus trazendo ao conhecimento coisas antes não conhecidas. É um conhecimento
que não é fruto da observação, nem da intuição ou da razão, mas de nível
espiritual (eg. Jo 4:18,19; At 16:28,29; comp. com Jo
14:12 e 1Co 14:30). Este dom pode operar em conjunto com o de profecia; 3) fé (gr. pistis), que
não é aquela comumente conhecida como "fé salvadora", mas sim uma fé
sobrenatural especial, comunicada pelo Espírito Santo, capacitando o crente a
realizar coisas extraordinárias e milagrosas. É a fé que remove montanhas (cf.
1Co 13:2) e que, freqüentemente opera em conjunto com outras manifestações do
Espírito, tais como curas e milagres (cf. Jo 14:12); 4) dons de
curas (gr. charismata iamaton),
observando que ocorre no plural, pois assim como existem especialidades médicas
(pediatria, geriatria, obstetrícia, ortopedia, etc.), Deus ministeria pessoas
específicas para curar doenças específicas. Esses dons são concedidos à Igreja
para restauração da saúde física, por meios divinos e sobrenaturais (cf. Mt
4:23-25; Jo 14:12; At 3:6-8; 4:30; 19:12; Hb 13:8); 5) operações de
milagres ou maravilhas (gr. energemata dunameon), caso
também onde o dom é mencionado no plural, que em uma tradução livre, seria
"operações portentosas". Trata-se de atos sobrenaturais de poder, que
intervêm na natureza, a fim de que o Nome de Deus seja glorificado, Satanás
seja vencido e os homens sejam convencidos; 6) profecia
(gr. profeteia), dom que jamais pode ser
confundido com o dom ministerial de Profeta, pois nem todo aquele que
"profetiza" é "Profeta". A profecia pode ser definida como
aquela manifestação espontânea do Espírito que tem por objetivo capacitar o
crente a transmitir uma palavra ou uma revelação, diretamente sob o impulso e o
mover do Espírito de Deus, visando edificação, exortação ou consolação (cf. 1Co
14:3); 7) discernimento de espíritos (gr. diakriseis pneumaton), dom
especialmente necessário à Igreja contemporânea, tendo em vista a recomendação
expressa de João (cf. 1Jo 4:1), que a cada dia torna-se cada vez mais
necessária à Igreja. Trata-se de uma dotação especial dada pelo Espírito, para
o portador do dom discernir e julgar corretamente as profecias e as
manifestações espirituais; 8) variedade de línguas
(gr. gene glosson), cuja idéia não é de línguas como dom
de oração em linguagem não vernacular (cf. Rm 8:26; 1Co 14:2,14,15; Ef 6:18). O que se está enfocando é o dom de línguas ou de variedade de
línguas, através do qual o crente é edificado (sem interpretação) ou,
preferencialmente, toda Igreja é edificada, havendo quem interprete; e 9)
interpretação de línguas (gr. hermeneia glosson), que ao
contrário do que muitos pensam, não é tradução.
Trata-se da capacidade concedida pelo Espírito, para o portador desse dom
compreender e transmitir o significado de uma mensagem proferida em línguas,
provendo assim edificação para o Corpo de Cristo. A recomendação bíblica é de
que quem "fala" (veja bem: "fala" e não "ora") em
línguas, deve orar para que possa interpretá-las (cf. 1Co 14:13).
DONS MINISTERIAIS - Para definir Dons
Ministeriais, precisamos nos valer de Ef
4:11: "E Ele mesmo (Jesus) deu uns para apóstolos, e outros para profetas,
e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores". Aqui, os
Dons Ministeriais são alistados por Paulo sob orientação do Espírito Santo. É
curioso observar que o Novo Testamento Grego possui palavras distintas para
definir "Dons Ministeriais" e "Dons Espirituais". Para dons
"espirituais", charisma
(singular) ou charismata (plural); para
dons "ministeriais" doma
(singular) ou domatos (plural). Uma clara distinção entre esses "dons", pode ser
observado em At 21:8-10, o qual cita Filipe,
o Evangelista (ou seja, um doma), que
tinha quatro filhas donzelas que
profetizavam (ou seja, possuíam dom (charisma)
de profecia (gr. profeteia), que também
menciona Ágabo que era um profeta (gr. profetes).
Uma possível argumentação que poderia surgir contra esta verdade, seria a
afirmação de que devido a uma questão cultural, Lucas não mencionou as quatro
filhas de Ágabo como "profetizas". No entanto, o mesmo Lucas menciona
uma mulher chamada Ana, chamando-a "profetiza" (Lc 2:36). Em síntese,
um doma, é uma pessoa que o próprio
Senhor Jesus doa, presenteia, concede à Sua Igreja, com objetivos específicos,
com o fim de aperfeiçoar os santos, para realização da Obra do Ministério, para
edificação do Corpo de Cristo (cf. Ef 4:12). Em outras palavras, um doma é um presente de Deus! Os Dons Ministeriais, segundo
o propósito do próprio Jesus, existem a fim de servirem como termômetro, como
uma espécie de regulagem do exercício dos dons espirituais "para que não
sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina,
pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente" (cf. Ef
4:14). Em outras palavras, sem o exercício pleno dos Dons Ministeriais, a
Igreja poderia cair em um caos doutrinário e pragmático, criando assim uma
terra fértil para as investidas das portas do hades.
DUALISMO - Termo originário da língua latina, dualis, que significa "que contém
dois". É usado para expressar os princípios opostos da mente e da matéria.
O Dualismo é uma teoria concernente aos tipos fundamentais que estão divididos
em substâncias individuais, as classificações morais ou as entidades. No âmbito
da Religião é um sistema que afirma a existência de duas forças opostas, o bem
e o mal. No entanto, o Dualismo crê que nenhuma destas forças será vitoriosa.
Este foi o sistema adotado pelo Zoroastrismo. Como se pode observar, o Dualismo
é uma espécie de Deísmo amalgamado com o Henoteísmo e o Maniqueísmo.
ECLESIOLOGIA -
Termo de origem grega, ekklesia, "igreja" e logia,
"estudo", "tratado", "dissertação". Ou seja,
Eclesiologia é o estudo da Doutrina da Igreja. É o estudo do fundamento da
Igreja, das suas características, seus propósitos, seus oficiais, suas
Ordenanças, bem como os princípios bíblicos que devem nortear a sua
atuação. Nas Escrituras, a Doutrina da Igreja (Eclesiologia), se reveste de tanta importância quanto às demais nela
tratadas. A vocação e missão da Igreja têm alcance imensurável. Suas origens se ocultam na eternidade passada, enquanto que a
sua missão no presente tem a capacidade de alterar a
rotina tanto do Céu quanto do próprio Inferno. Há, pois, grande recompensa no
estudo e compreensão
dessa doutrina.
ECLETICISMO - Palavra de origem grega: ek, "fora" e lego, "selecionar".
Ou seja, "selecionar dentre outros". Este termo diz respeito àquela
atitude que leva um homem a selecionar suas idéias, analisando fontes as mais
variadas, com o propósito de ficar com o seu próprio sistema ou coleção de
conceitos aprovados. Neste processo, é feita a tentativa para harmonizar a
seleção. A maioria dos sistemas, tanto da Filosofia quanto da Teologia, na
verdade, são sistemas ecléticos, embora seus proponentes não o admitam.
Entretanto, alguns sistemas, são mais obviamente ecléticos do que outros. Em
última análise, o Ecleticismo é aquele sistema que procura aproveitar o que há
de melhor em todos os demais, buscando viver em harmonia e tolerância com as
divergências. Esta, aliás, foi a recomendação de Paulo
em 1Ts 5:21-22: "Julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos
de toda forma de mal" (ARA). Duas palavras gregas são predominantes neste
texto. A primeira delas é dokimazo, termo que
pode significar "discernir", "examinar",
"testar", "examinar a genuinidade de", "reconhecer como
genuíno depois de exame". Isto significa que devemos examinar a
genuinidade das doutrinas, de forma minuciosa. A outra palavra é katecho, que
significa "segurar", "manter", "deter para si",
"reter", "manter seguro", "adquirir posse". Ou
seja, ser eclético, significa analisar, investigar, estudar, esquadrinhar
ensinos os mais diversos, mas reter para si, apenas aquilo que se harmoniza com
o ensino claro, objetivo, sério e equilibrado de toda a Palavra de Deus.
EISEGESE - Outro termo grego: eis,
"para dentro" e agein, "explicar". Isto é, Eisegese é exatamente o oposto de Exegese.
Enquanto Exegese significa extrair do texto o que
de fato possui, Eisegese por sua vez significa colocar no texto
o que ele não possui. Ou, em
outras palavras, Eisegese significa ler
no texto aquilo que alguém quer encontrar ali, mas que,
na realidade, não se encontra no mesmo, ou, então, significa distorcer
um texto para adaptá-lo às próprias idéias do intérprete. Em suma, enquanto a
Exegese é séria, a Eisegese não passa de um engano.
EMANUEL
- Um dos Títulos do Messias. Formado pelas palavras hebraicas imanu,
"conosco" e el,
forma abreviada do Título genérico de Deus, Elohim. Este seria o nome da criança que
iria nascer pela promessa que Deus fez ao rei Acaz por meio do profeta Isaías.
Esse nome indicava que Deus estaria presente no meio do seu povo (Is 7:13-14).
Essa profecia se cumpriu parcialmente com o nascimento de Ezequias e de modo
completo, com o nascimento de Jesus Cristo (Mt 1:23), o Verdadeiro Deus no meio de nós.
EMBAIXADOR - Termo originário do verbo grego presbeuo, "ser um embaixador",
"agir como um embaixador". Sua origem é o substantivo presbuteros,
"mais velho", "de idade", "um ancião". O
embaixador é um representante de um país em outro país, agindo e falando em
nome do governante do país de origem. Ele é um construtor de pontes. Alguém que
trabalha em prol da manutenção e aprofundamento dos relacionamentos entre as
partes. Neste sentido, Paulo afirma que todos somos "embaixadores" do
Reino dos Céus (cf. 2Co 5:20; Ef 6:20). Ou seja, nossa principal função é levar os homens à
compreensão do perdão incondicional de Deus em Cristo Jesus.
EMPIRISMO - A palavra portuguesa empirismo deriva-se do grego empeiria, que quer
dizer "experiência", "teste". A forma adjetiva é empeiro que significa "experiente".
Como a própria expressão sugere, o empirismo enfatiza a
"experiência". Lamentavelmente, uma enorme porção
das Igrejas do Brasil estão intimamente relacionadas e dependentes do
empirismo, em detrimento do estudo comprometido da Palavra de Deus. Sentir ou
não, ver ou não, experimentar ou não, jamais poderá alterar nossa fé, pois
segundo as Escrituras, "... não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem;
porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas"
(2Co 4:18, na ARC). Afinal de contas, a fé é "... a certeza de coisas que se esperam, é a convicção de fatos
que se não vêem" (Hb 11:1, na ARA)
ENCANTAMENTO - Trata-se de uma forma de magia
em se faz feitiço contra alguém ou alguma coisa; corresponde ao termo português
"despacho", "macumba" (Nm 23:23). Era prática proibida a
Israel (Dt 18:11). Em seus primórdios, o Encantamento era um desejo envolto em
fortes emoções, expresso por meio de palavras "mágicas". Com o passar
do tempo, passou-se a adotar a prática de "amuletos", isto é, de
objetos materiais quaisquer, que supostamente seriam eficazes na obtenção de
certos benefícios.
ENFEITE -
Termo que designa um objeto usado para melhorar a aparência das pessoas (Jr
2:32, na ARC). Nos tempos bíblicos os homens usavam turbante na cabeça e nos
dedos usavam anéis (Lc 15:22). No pescoço penduravam o
seu selo (Gn 38:18). Saul, além da coroa, usava um bracelete (2Sm 1:10). Os
sacerdotes usavam roupas e adornos especiais (Êx 28). As mulheres usavam
turbante, anéis, colares no pescoço, correntinhas nos tornozelos, pulseiras,
brincos nas orelhas e no nariz, fita na testa e véu cobrindo o rosto. Os
exageros chegaram a tal nível, que o profeta Isaías (3:16-24).
ENTERRO -
Cortejo fúnebre (cf. Lc 7:12) e colocação do corpo de um morto na sepultura. O
cadáver dos ricos era perfumado com especiarias (Mt 26:12) e enrolado em faixas(Jo 11:44). Parentes, amigos, pranteadores e carpideiras
choravam junto com a família (Mc 5:38).
ESCATOLOGIA - Estudo
dos eventos que estão para acontecer, segundo a Bíblia. O
termo Escatologia, deriva-se
do grego
eschatos,
"último" e logia,
"tratado", "estudo
de um conjunto de idéias".
Em síntese: Escatologia é o estudo das últimas coisas. Os fatos ou eventos que
estão acontecendo e que vão acontecer, são parte do eterno plano divino através
dos séculos.
Veja-se, a título de exemplo os textos a seguir: Ef
3:11; Is 46:10; 2Rs 19:25; entre
outros. Desta forma, em Escatologia, estudamos parte desse
plano, principalmente
"as cousas que brevemente
devem acontecer" (Ap 1:1).
ESCOLASTICISMO -
Termo de origem latina scholasticus,
que significa "conferencista". O equivalente grego é schole, que
originalmente significava "lazer", veio a significar
"escola"; isto é, um lugar onde as pessoas têm lazer suficiente para
se devotarem aos estudos. Historicamente, porém, o vocábulo Escolasticismo
denota o ensino das Escolas Eclesiásticas, fundadas por Carlos Magno, no século
VIII d.C. Estas escolas foram fundadas, a fim de restabelecer a erudição cristã, que sofrera um declínio, devido à invasão
da Gália. Num sentido mais amplo, Escolasticismo refere-se ao longo período da
erudição ocidental, que foi dominada pela Igreja, intensamente controlada pela
Teologia e pela Filosofia, desde o século IX até o século XV d.C. Todos aqueles
que estavam relacionados com o Escolasticismo, são conhecidos na História como
"escolásticos".
ESCRAVO -
Trata-se de pessoa que não tem liberdade por estar debaixo do domínio de
outrem. Nos tempos bíblicos havia escravidão em toda parte. Entre os israelitas
os escravos eram bem tratados e tinham a oportunidade de comprar a sua
liberdade (Êx 21:5; Lv 25:47-55). Um israelita podia chegar a ser escravo por
não poder pagar as suas dívidas (Lv 25:39), por haver roubado e não poder
restituir o que roubou (Êx 22:2-3) ou por ter nascido de pais escravos (Êx
21:4). A mensagem do amor de Cristo fez com que a escravidão acabasse nos
países cristãos (Ef 6:5-9; Gl 3:28).
ESPECIARIA -
Título para designar qualquer coisa de cheiro agradável, especialmente planta,
usada para dar mais sabor aos alimentos ou bebidas. O cravo, a canela, a
pimenta são as especiarias mais conhecidas (Is 39:2; Ap 18:13).
ESPíRITO (DO HOMEM) - Em geral, os escritores bíblicos, especialmente
os do AT, não se preocuparam em distinguir o espírito da alma ou vice-versa. A distinção hoje conhecida, é decorrente da Revelação progressiva de Deus no NT. Os
textos de Nm 16:22 e Nm 27:16, nos informam que Deus é o Criador do espírito
humano, e que Deus o fez de forma individual. Ele está na parte interior da
natureza do homem, e é
capaz de renovação e de desenvolvimento. O espírito é a sede da imagem de Deus no homem, imagem perdida com a queda,
mas que pode ser restabelecida por Jesus Cristo (1Co
15:49; 2Co 3:18; Cl 3:10). O
espírito é âmago e a fonte da vida humana, enquanto que a alma possui esta vida e lhe dá
expressão por meio do corpo. Assim o espírito é a alma encarnada, ou um
espírito humano que recebe expressão mediante o corpo. A alma
sobrevive à morte, porque o espírito a dota de capacidade; por isso a alma e o
espírito são inseparáveis. É
o espírito humano que distingue o homem das
demais coisas criadas. Por
exemplo, os irracionais possuem vida
comum (Gn 1:20), mas não possuem espírito como o homem tem. O espírito é o canal
através do qual o homem pode
conhecer a Deus e as coisas relativas ao seu
domínio (1Co 2:11; 14:2;
Ef 1:17; 4:23). Assim, quando o Espírito Santo de Deus Se torna residente no espírito do homem, torna-Se
centro de adoração, de oração, cântico, bênção e serviço (Jo
4:23,24; Rm 1:9;
1Co 14:15; Fp 1:27). O espírito humano, representando a natureza suprema do homem, rege a qualidade de seu caráter. Por exemplo,
se o homem
permitir que o orgulho o domine, ele tem um "espírito altivo" (Pv
16:18). Conforme as influências respectivas que o dominem, o homem
pode ter um
espírito perverso (Is 19:14),
rebelde (Sl 106:33), de escravidão (Rm 8:15), de inveja (Nm 5:14). Assim é que o homem deve guardar o seu
espírito (Pv 3:23), dominar o seu
espírito (Ez 18:31) e confiar em Deus para transformar o seu espírito (Ez 11:19). Quando as paixões más
dominam a alma da pessoa, o espírito é destronado. Ou seja, o homem passa a
ser vítima dos seu próprios
maus sentimentos e apetites naturais. A este homem,
a Bíblia chama de
"carnal". O espírito já NÃO domina mais, e essa condição é descrita na Bíblia como um estado de morte.
É assim,
que surge a
necessidade de um "espírito novo" (Sl
51:10; Ez 18:31). Somente Deus,
que originalmente deu vida ao homem, poderá soprar novamente na alma do homem,
influindo nova vida espiritual nela. A este ato a Bíblia chama de
"regeneração" (Jo 3:8; 20:22), assunto largamente analisado quando do estudo
de Soterologia (a Doutrina da Salvação).
Quando assim
acontece, o espírito do homem novamente ocupa lugar de destaque em busca da perfeição
estabelecida pelo Senhor Deus, e o homem
chega a ser "espiritual".
ESPIRITUALIDADE DE
DEUS, A - Jesus disse
que "Deus é Espírito" (Jo 4:24). Deus é Espírito com
personalidade plena. Ele pensa, sente e fala,
podendo assim ter comunhão direta com Suas
criaturas feitas à Sua imagem. Sendo Espírito, Deus não está sujeito às
limitações, às quais estão sujeitos os homens. Sua Pessoa não Se compõe de
nenhum elemento material, e, portanto, não está sujeita às condições da
existência natural. Não pode Ele ser visto com os
olhos naturais nem apreendido pelos sentidos humanos. Este ensino não implica
em que Deus tenha uma existência indefinida e irreal, pois Jesus Se referiu à
"forma de Deus" (Jo 5:37; Fp 2:6). Deus é uma Pessoa real, mas de
natureza tão infinita que não se pode descrevê-lO
plenamente. Deus é insondável e inescrutável. O patriarca Jó perguntou certa
vez: "Porventura... penetrarás até à perfeição do
Todo-Poderoso?" (Jó 11:7). A nossa resposta só pode ser:
"Não temos com que tirar, o poço é fundo", usando a resposta da
mulher samaritana (Jo 4:11).
ESSÊNIOS -
Nome de uma seita religiosa existente no tempo de Cristo. Eram mais ou menos
quatro mil homens que seguiam com muito rigor a lei de Moisés. Alguns moravam
em cidades, mas a maioria vivia em comunidades, no deserto de En-Gedi. Os
essênios não são mencionados na Bíblia.
EUCARISTIA -
Do grego eucharisteo,
cujo significado primordial é "dar graças", "ação de
graças". Designação que os católicos e alguns evangélicos dão à Ceia do
Senhor. O verbo grego aparece na narrativa da Ceia (dando graças - Mt 26:27).
EUTIQUIANISMO
- Eutiquianismo é o termo utilizado para descrever
as idéias cristológias heréticas
defendidas por Eutiques ou Eutíquio (cerca
de 450 d.C.). Eutiques era arquimandrita (Na Igreja Oriental, um arquimandrita era o
chefe de um ou mais mosteiros. O
título era dado também aos padres celibatários distinguidos
de um mosteiro fora de Constantinopla na
primeira metade do século V d.C.).
Eutiques gozava não apenas de grande influência, mas também de importantes amizades, como por exemplo com Crisáfio,
importante e influente clérigo daqueles
dias. Eutiques era homem de pouca competência teológica, partidário do falecido
Cirilo de Alexandria.
Eutiques, pois,
veio a se tornar conhecido por seu apoio
às idéias chamadas,
coletivamente, Eutiquianismo. Eutiques dizia que Cristo era de duas
naturezas antes da Encarnação, mas que
passara a ser de uma única natureza após a mesma. Segundo ele, entretanto, a
Humanidade de Cristo não era da mesma essência que a nossa. O Eutiquianismo
negava, pois, tanto a dupla
natureza de Cristo como a Sua devida Humanidade, dando
a entender com isto que defendia a idéia de que o próprio Deus pôde ser
tentado, sofrer e morrer. Eutiques foi acusado de heresia pelo bispo
Eusébio de Doriléia. Flaviano interveio
com grande relutância, evidentemente consciente dos problemas que poderiam levantar.
Entretanto, num
sínodo local em Constantinopla, em novembro de 448 d.C., Eutiques foi examinado e condenado como heresiarca. Sua
heresia pode ser
resumida na seguinte declaração a ele
atribuída: "Confesso que nosso Senhor era de duas naturezas antes
da união (isto é, a encarnação, mas de
uma só natureza depois dela." A idéia eutiquianista foi finalmente
declarada herética quando do Concílio de Calcedônia (451 d.C.) e Eutiques
foi Então desligado de suas funções.
Entretanto, as idéias do
Eutiquianismo continuaram a receber apoio na Igreja Egípcia e
reapareceram na moderna heresia chamada
monofisismo ("monofisismo" (do grego, mónos, "único" e phúsis, "natureza"), é o vocábulo
utilizado para descrever o ensino que afirma que Cristo possui uma única natureza
composta, sem qualquer distinção entre o divino e o humano),
defendida pelos jacobitas sírios, pelas igrejas cópticas,
abissínia e armênia.
EVANGELISTA - Primariamente, este vocábulo
refere-se aos escritores de cada um dos Evangelhos. Trata-se de termo
originário do grego euangelistas.
São aquelas pessoas levantadas por Deus para a Obra do Ministério no que
concerne à pregação do Evangelho, no poder do Espírito Santo. A Igreja que não
souber identificar e valorizar os seus Evangelistas, poderá
experimentar a inércia, tornando-se completamente estática, sem nenhum
crescimento e indiferente à obra missionária. A importância do Evangelista, pode ser medida pelas palavras de Paulo aos Romanos (Rm 10:17): "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de
Deus." E ainda pela gravidade da indagação que ele mesmo havia feito
em Rm 10:14: "Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele
de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?".
EVOLUCIONISMO - Quanto tratamos de estudar sobre a
criação do homem, fatalmente estaremos nos vendo na necessidade de enfocar
a respeito da Teoria da Evolução, pois conforme
poderemos verificar, essa doutrina choca
de frente com o ensino bíblico acerca da origem do universo e do próprio homem.
A Bíblia ensina claramente a doutrina
de uma
criação especial, ou seja, que
Deus criou cada criatura "conforme a
sua espécie". Isto quer dizer que cada criatura, seja homem ou mesmo os animais,
foram criados como os conhecemos hoje. Apesar da visão criacionista, no
decorrer dos séculos, mais principalmente no século passado, vãs filosofias,
falsos ensinos e teorias meramente humanas têm procurado lançar dúvida sobre o relato bíblico da
criação. Entre essas, destaca-se a
Teoria Evolucionista, concebida e largamente difundida pelo naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882). Não obstante
Darwin antes de
morrer, tenha abandonado esta teoria,
ainda hoje ela é muito aceita,
principalmente nos meios acadêmicos.
EXEGESE
- O termo Exegese vem do grego, ex, "fora" ou
"para fora" e
agein, "guiar", ou seja,
"liderar" ou "explicar".
A palavra portuguesa Exegese
é usada para indicar "narrativa", "tradução" ou
"interpretação". Exegese, portanto, e a arte e ciência de explicar e
comentar um texto segundo a Hermenêutica
e os cânones da crítica. Sendo a Bíblia um Livro de tão ampla difusão, em
países de culturas tão diversas da palestiniana, em tempos tão afastados
daqueles em que foram escritas as
suas várias partes, que se requer
um cuidado especial não só de tradução, mas especialmente de comentário e
explicação. Este imperativo evidente determinou a criação e o desenvolvimento
da Exegese como ciência. Dentro do contexto teológico, a ênfase
recai sobre a interpretação de modos formais de
explicação que podem ser aplicados a
algum texto, a fim de compreender o seu sentido. Na linguagem técnica, a Exegese aponta para a
interpretação de alguma passagem literária específica, ao mesmo tempo em que
os princípios gerais aplicados em tais
interpretações, são chamados Hermenêutica.
Ou seja, os princípios
de interpretação são denominados Hermenêutica e à interpretação
propriamente dita, chamamos Exegese. Ou seja, para se chegar a uma Exegese, faz-se
necessário a utilização de recursos hermenêuticos.
EXPIAÇÃO - No hebraico, o termo
"expiação" é kaphar.
Segundo a definição dos estudiosos, significa "cobrir". Este conceito
está descrito em textos como Sl 32:1 e 85:2, no texto hebraico. Além disto, a
palavra "expiação" é definida como: "aplacar",
"apaziguar", "perdoar", "purificar",
pacificar", "reconciliar por". Também está relacionado com a
idéia de se reconciliar antigos inimigos. O sangue do sacrifício cobre ou paga pela
transgressão que separava as partes, que agora são reconciliadas (e.g. Rm
5:10). Para uma melhor compreensão da Expiação, veja o verbete "Dia da
Expiação".
EXPIAÇÃO, DIA DA - O Dia da Expiação era o
celebrado no décimo dia do sétimo mês judaico, Ethanim. Seguia um rígido padrão
de eventos. Era o único dia no ano em que alguém podia entrar no Santo dos
Santos (veja Hb 9:7). Qualquer infringência às regras tinha como penalidade a morte. A título de exemplo do perigo que
isto envolvia, leia Lv 10:1, quando os filhos de Arão foram mortos no lugar
Santo por usarem um fogo não autorizado em seus incensários. E isso se deu no Santo Lugar; imagine no Santíssimo! Em virtude deste fato, o Senhor
prescreveu detalhes, para evitar reincidências desse fato (Lv 16:2). Alguns
eruditos são da opinião de que este seja a razão das "campainhas" que
faziam parte do vestuário do sumo sacerdote (cf. Êx 28:31-35). Outros advogam a
idéia de que, ao entrar no Santíssimo, o sumo sacerdote era envolvido numa
corda, para o caso de entrar ali em pecado e morrer. Neste caso, a corda
serviria para puxá-lo, sem necessidade de entrar. Esta entrada solene acontecia
apenas uma vez ao ano. Duas vezes, neste dia especial, o sumo sacerdote entrava
com o sangue de um sacrifício. Primeiramente, ele entrava pelos seus próprios
pecados, e, em seguida, pelos pecados do povo. Levava o
sangue de touros e bodes, e espargia o sangue sobre o propiciatório.
Eram ritos que apontavam para o Sacrifício Perfeito de Cristo (Hb 3:1; 4:15,16). Um fato que não podemos esquecer, é que segundo a
prescrição bíblica, era preciso derramamento de sangue, pois "sem
derramamento de sangue não há remissão" (cf. Hb 9:22). O Dia da Expiação
foi instituído para se lidar com os dois aspectos do pecado: a penalidade e a culpa. Em primeiro lugar, há uma penalidade para a qual um pagamento precisa ser feito (Ez
18:20; Rm 6:23). Em segundo lugar, há a culpa e a memória, que também precisam
ser resolvidas. Na Antiga Aliança, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote Arão
deveria oferecer o touro como sua própria oferta pelo pecado, para fazer
expiação por si próprio (cf. Lv 16:6). Ele precisava espargir o sangue deste
touro sobre o Propiciatório, no Santo dos Santos para si próprio antes de
entrar pelos pecados da nação (cf. Lv 16:14,15; 17:11;
Hb 9:7). Com relação à questão da culpa, veja Hb 9:14: "Quanto mais o
sangue de Cristo... purificará e limpará as vossas consciências...?" É
maravilhoso sabermos que os nossos pecados podem ser perdoados porque um
sacrifício de sangue foi feito para pagar pelos nossos pecados. No entanto,
precisamos também saber que os nossos pecados estão esquecidos, de forma a não
vivermos sob o pesado fardo da culpa, da vergonha, e da condenação, que são
resultantes de nossos pecados (cf. 1Jo 3:21).
FEITIÇARIA -
Do grego pharmakeia,
que pode significar "feitiçaria" ou "artes mágicas".
Trata-se da designação usada para denotar uma forma de magia, na qual se usam
certos atos e palavras e a invocação de espíritos ou demônios a fim de prever o
futuro ou controlar pessoas ou acontecimentos. É prática proibida na Bíblia
(e.g.1Sm 15:23; Gl 5:20).
FILACTÉRIO -
Termo que se utiliza para designar uma tira em que se escreviam certos textos
da Lei, usada na fronte ou nos braços (Mt 23:5). O filactério usado na fronte
continha quatro compartimentos. Em cada um deles se colocava uma passagem da
Bíblia (Êx 13:2-10; 13:11-17; Dt 6:4-9; 11:13-21). Os filactérios eram usados
nas horas de oração da manhã.
GABRIEL - Vocábulo hebraico formado
por geber, "varão" e El, forma abreviada de Elohim,
"Deus"; portanto, "homem de Deus". Embora um
grande número de pessoas o considerem como um "Arcanjo", em
parte alguma das Escrituras encontramos qualquer vestígio desta possibilidade.
No AT, Gabriel aparece apenas em Daniel, e ali
como mensageiro celestial que surge na forma de um homem (Dn
8:16; 9:21). Suas funções são: revelar o futuro ao interpretar uma visão (Dn 8:17), e dar entendimento e sabedoria ao
próprio Daniel (Dn 9:22). No NT, Gabriel
surge somente na narrativa de Lucas que descreve o nascimento de Cristo.
Ali, ele é o mensageiro
angelical que anuncia
grandes eventos: o nascimento de João (Lc
1:11-20) e de Jesus (Lc 1:26-38). Outro fato de relevância é que Gabriel
é apresentado como aquele que "assiste diante de Deus" (Lc 1:19).
Destes casos, conclui-se
que Gabriel é o portador
das grandes mensagens divinas aos homens. Portanto, Gabriel é o "anjo
mensageiro" e Miguel o "anjo guerreiro".
GNOSTICISMO - A palavra
"Gnosticismo", vem do termo grego gignoskein, "saber", referindo-se a um
movimento que se dizia portador de um genuíno e maior conhecimento, por meio do
qual, segundo seus adeptos criam,
poderia ser obtida a salvação. Assim como as religiões misteriosas dos gregos,
o Gnosticismo reivindicava possuir uma sabedoria esotérica, que era
restrita aos "iniciados". Segundo eles, os homens pertenceriam a três
classes ou categorias: a) os
hílicos, isto é, os
"presos à matéria", estando sempre sujeitos ao mal, às astúcias de Satanás, às
influências do reino das trevas,
incapazes de receber a redenção; b) os psíquicos, ou seja, aqueles que estariam sujeitos a uma redenção
inferior por meio da fé, na qual
incluíam os profetas do A.T., os homens bons de toda sorte, porém
todos destituídos da glorificação mais elevada, que seria reservada aos; e c) pneumáticos,
que seriam os homens verdadeiramente
"espirituais", ou seja, eles próprios, aos quais se destinava os paroxismos da glória ou a redenção máxima,
a "gnosis" ou
"conhecimento" de cujo termo deriva a palavra Gnosticismo. Quanto à Pessoa de Jesus Cristo,
os gnósticos acreditavam
que Ele não era o Verbo Encarnado, mas apenas um dentre
os muitos "aeons" ou encarnações angelicais. Antes, seria um "aeon" que
participava, em parte, da
essência divina e dos atributos divinos. Seria um dentre os muitos
salvadores ou pequenos deuses, mas em
sentido algum seria divino como Deus é
divino. Segundo eles, o fato de
que os "aeons" podiam ter contato com a matéria, que para eles era o princípio mesmo do mal, demonstrava
que Cristo não seria um
"aeon" muito elevado, pois criam que
nenhum "aeon", muito menos o Verbo divino (a primeira
emanação divina), poderia encarnar-se,
pois isto envolveria corrupção do mal.
Conforme Saturnino, um dos expoentes do Gnosticismo ao lado de Marcion, Jesus
Cristo "...não nasceu, não teve corpo nem forma, mas foi visto em forma humana em aparência. O
Deus dos judeus, segundo ele, era um dos sete anjos... Cristo veio
para aniquilar o Deus dos judeus e para salvar os que nele
acreditassem..." Os gnósticos também negavam a validade da Expiação pelo
Sangue de Jesus. Segundo eles, Jesus
teria recebido esse poder por
ocasião do Seu batismo, mas este O abandonara quando de Sua crucificação. Por este motivo, não criam
também que a morte de
Jesus tenha sido o elemento essencial de Sua missão. Para eles, Cristo
veio "por meio da água" (o batismo), mas não
por meio do sangue (a expiação na cruz). As descrições sobre o
Gnosticismo, em Colossenses e nas Epístolas Gerais, nos fornecem boa
compreensão sobre a maneira de pensar dos mestres gnósticos, que tinham
penetrado nas fileiras cristãs. Nesse
sistema, Jesus era,
pois, relegado a uma posição de mera Emanação
dentre inúmeras outras, e Paulo enfaticamente demonstra
em seus escritos que Ele É a pleroma, isto é, a "inteira plenitude" de
Deus. Oito livros do N.T. combatem o Gnosticismo que assediou a
Igreja pelo espaço de 150 anos: as três Epístolas de João, Colossenses, Judas, e algumas
passagens de Efésios, do Evangelho de João e do Apocalipse.
GRAÇA - Vocábulo de origem grega,
charis. Trata-se de um atributo natural de Deus, que é
demonstrado em Seus atos para com Suas criaturas. Ele é a "própria
Graça", mais amável e adorável. Portanto, Graça, trata-se de um caráter expressivo
relacionado com a própria natureza de Deus. No
contexto da doutrina da
salvação, a graça divina deve
ser abordada sob duplo aspecto: 1) como favor imerecido da parte de Deus para com todos os pecadores,
indistintamente; e 2) como poder restringidor do pecado, operante na
Reconciliação do homem com Deus, e na
santificação do crente. Não
se deve confundir a graça de Deus como "obrigação moral" divina a constrangê-lO a fazer alguma
coisa contrária à Sua
natureza santa. Nada, a não ser o amor e a misericórdia de Deus, poderá ser estabelecido e aceito
como lei, constrangendo-O a arrancar o pecador do estado no qual se
encontra (cf. Jo 1:16).
HAMARTIOLOGIA - Termo originário da língua grega hamartia,
"pecado" e logia,
"estudo", "dissertação". Uma vez que as Escrituras Sagradas
destacam dois grandes princípios morais mediadores do comportamento do homem
em relação a Deus: a santidade e o pecado, estes princípios precisam ser alvos
de nossa mais acurada investigação. Assim sendo, a Hamartiologia se ocupa de
estudar a Doutrina do Pecado em todos os seus aspectos. Uma vez que na esfera
moral, a santidade corresponde ao bem, e o pecado corresponde ao mal, todos os
demais princípios ou qualidades morais podem ser classificados de maneira a se
identificarem com a santidade e o bem, ou com o pecado e o mal. Por essa razão,
a Hamartiologia recebe atenção especial dentro da Bíblia, pois analisa o
pecado: sua origem, suas causas e conseqüências, bem como sua natureza
essencial.
HEBRAÍSMOS - Termo usado para
designar certas expressões
aparentemente obscuras, que ocorrem em nossas traduções da Bíblia, que
originalmente foi escrita em hebraico e
em grego. Para melhor compreensão, veja os exemplos: 1) era um costume judaico, chamar a
uma pessoa, filho da coisa que de um modo especial a caracterizava; por
exemplo, ao homem pacífico e bem disposto se chamava filho
da paz; ao iluminado e
entendido filho da luz; aos desobedientes, filhos da desobediência,
etc. (e.g. Lc 10:6; Ef 2:2; 5:6; e 5:8); 2) as
comparações eram expressas às
vezes, mediante negociações,
como, por exemplo, ao dizer Jesus: "Qualquer que a Mim me receber, não recebe a Mim, mas Ao que Me
enviou" (Mc 9:37); o que
equivale à nossa maneira de dizer:
"o que me recebe, não recebe somente a mim, mas também ao que me enviou". Outro
exemplo: "...não mentiste (somente) aos homens, mas a Deus (At 5:4).
Veja ainda Ef 6:12. Outra variação de hebraísmo, é o fato de se valer do nome
dos pais para denotar seus
descendentes, como, por exemplo, ao
dizer-se em Gn 9:25:
"Maldito seja Canaã", em lugar dos descendentes de Canaã (claro, com exceção dos descendentes
justos). Muitas vezes usa-se também o nome de Jacó ou Israel para designar
os israelitas, isto é, os descendentes de Israel (cf. Gn 49:7; Sl 14:7;
1Rs 18:17,18).
HEBREU - Designação
que se aplica a Abraão e aos seus descendentes (Êx 3:18). É sinônimo de
israelita. A primeira pessoa a ser chamada de "hebreu" foi Abraão (Gn
14:13). Há três explicações para a origem dessa palavra: a) deriva-se de
Habiru; b) vem de Héber; c) origina-se da raiz hebraica que quer dizer
"atravessar", isto é, o morador do leste do Eufrates referindo-se ao
morador de Canaã, que havia "atravessado para o outro lado" daquele
rio.
HERESIA - A
palavra portuguesa heresia,
deriva-se do vocábulo grego, hairesis, "escolha", "tomar para si mesmo"). Este
termo é usado para referir-se a um grupo de
pessoas, que tendo aceitado uma má ou errônea doutrina, deram origem
a uma "seita", ou uma
"facção". Quase sempre, o surgimento de uma heresia é devido a uma
falsa interpretação de determinados versículos bíblicos, isolados dos contextos
nos quais estão inseridos. Obviamente, existe um número vastíssimo de Heresias.
Neste Dicionário, você poderá conhecer algumas dessas Heresias, consultados os verbetes .
HERMENÊUTICA - A palavra "Hermenêutica", vem
do grego hermeneutikos, que
significa "interpretação", ou "arte de interpretar". Hermeneutes significa
"intérprete". Essa palavra deriva-se do nome de Hermes,
que era tido como o mensageiro divino e intérprete dos deuses, o deus da
eloqüência, que os gregos chamavam de
Mercúrio. Desta forma, então, podemos definir a Hermenêutica como a ciência das leis e
princípios da
interpretação e explanação. Em relação aos estudos bíblicos e teológicos
o principal aspecto desse estudo diz respeito à compreensão das Escrituras Sagradas, e por
que meios essa compreensão deve ser
atingida. A Hermenêutica deve ser estudada, logicamente, antes da Exegese, a qual
vale-se dos princípios hermenêuticos em
suas investigações e conclusões.
HIERÓGLIFO - Nome que se dá a figura que servia como letra na escrita dos antigos
egípcios.Nessa escrita eram usadas umas 700 figuras ou sinais
diferentes. Cada figura ou sinal era uma expressão não-fonética de
realidades, situações, histórias, eventos, epopéias, etc.
HINO -
Poesia musicada usada nas reuniões de adoração a Deus e na devoção particular.
O livro dos Salmos era o hinário de Israel e da Igreja cristã. O hino cantado
após a ceia (Mt 26:30) foi o Halel (Sl 113-118). Lucas registra quatro hinos
cristãos, os hinos do Advento, conhecidos pelos seus títulos em latim: o
Magnificat ("engrandece" - Lc 1:46-55); o Benedictus
("bendito" - Lc 1:68-79); o Nunc Dimittis ("agora despedes"
- Lc 2:29-32); e o Gloria in Excelsis ("glória nas alturas" - Lc
2:14). Há citações de hinos, aparentemente, em Ef 5:14, Fp 2:6-11, 1Tm 1:17;
3:16; 6:16; 2Tm 4:18.
HISTÓRICO, ARGUMENTO - Trata-se de outro dos argumentos racionais
da existência de Deus. Sua exposição é a seguinte: entre todos os povos e tribos da terra é comum a evidência de que o
homem é um ser potencialmente religioso. Sendo universal este fenômeno,
isto é parte constitutiva do homem. E se a natureza do homem tende à
prática religiosa, isto só encontra explicação em um Ser superior
que originou uma tal natureza que sempre indica ao homem esse Ser
superior. É aqui que milhões de pessoas, por ignorarem o único e verdadeiro
Deus se entregam à prática de religiões as mais exóticas e estranhas.
É o anseio da alma na busca do Criador que ela ignora, por
dele ter se afastado (Rm 1:20-33).
HOLOCAUSTO -
Tipo de sacrifício no qual a vítima era completamente queimada em sinal de que
o ofertante se dedicava completamente a Deus (Êx 29:18; Hb 10:6).
HOMEM - O vocábulo português "homem" (gr. antropos), vem do
latim homo,
palavra que na opinião de alguns
eruditos vem de "humus", terra. No hebraico, a língua original do AT,
encontramos adam,
nome dado ao primeiro homem, Adão, vocábulo
que pode ser traduzido como "aquele que tirou sua vida
da adamah", ou seja, da terra. Esta interpretação parece razoável,
principalmente quando a analisamos à luz da sentença divina proferida contra o homem, após sua queda:
"...tu és pó e ao pó tornarás"
(Gn 3:19).
HOMEM, CORPO DO - Das três
entidades constitutivas do homem, o
corpo é aquele do qual
a Bíblia menos fala. No entanto, sabemos que
o corpo humano é o instrumento, o
tabernáculo (habitação temporária), a
oficina do espírito, a bainha da alma. Ele é o meio pelo qual o espírito se manifesta e age no mundo
visível e material. Pelo corpo o homem pode
ver, sentir e apalpar o que está ao seu
redor. As impressões
vêm do mundo exterior pelo corpo, porém
elas só
têm significação quando reconhecidas e
atendidas pelo espírito. Diante disto, se pode entender que o espírito
é o agente, enquanto
que o corpo é a agência. A Bíblia chama o corpo do homem de "casa",
"tabernáculo" e "templo" (1Co 6:19; 2Co 5:1-4). No entanto, as Escrituras Sagradas não apresentam
o corpo do homem em termos
negativos. Pelo contrário, em toda a parte, a
Bíblia trata do corpo do homem como obra das mãos
de Deus, que deverá ser apresentado a Deus (Rm 12:1) e que deve ser usado para a glória de Deus (1Co 6:20).
Uma coisa de suma importância a ser observada é o seguinte: porque o livro
de Levítico trata de forma tão acentuada de leis que governam a
vida física dos israelitas?
Obviamente, para ensiná-los que o corpo,
como instrumento da alma e do espírito, deve conservar-se forte e santo.
Evidentemente, o
corpo é terreno (1Co 15:47), e como tal, um corpo de humilhação (Fp 3:21),
sujeito a enfermidades e à morte (1Co 15:53), de maneira que gememos por um
corpo celestial (2Co 5:2). Mas, na vinda de Cristo, o mesmo poder que vivificou
a alma, transformará
o corpo, completando assim a Redenção do
homem. E a garantia de que essa
mudança ocorrerá é o Espírito
que nele habita (Rm 8:11; 1Co 5:5).
HOMILÉTICA - Podemos
definir a Homilética como a ciência que se
ocupa da pregação cristã. Esse termo vem da língua grega he homilia. O verbo grego homilein era usado pelos gregos
sofistas para expressar o sentido de “relacionar-se”,
“conversar”. He homilia
designa especialmente no NT o “estar juntos”, o
“relacionar-se”, e, nos primeiros séculos da era cristã, o termo
passou a ser usado para denominar a “arte de pregar sermão”. Daí
deriva o sentido do termo “homilética” e suas formas de expressão.
A tarefa, pois, da Homilética, não se limita apenas a princípios teóricos, mas
concentra-se principalmente no sentido prático. Entre os gregos, era chamado Retórica;
entre os romanos, Oratória.
HONRA - Termo originário do latim honoris. São quatro
as suas principais utilizações nas páginas da Bíblia. Em primeiro lugar, era
usado para expressar o respeito próprio que resulta em um bom nome e na estima
pública (Pv 3:35; Rm 2:7). Também poderia dizer respeito à
uma homenagem às qualidades de alguém (Et 6:3; Rm 13:7). Também pode significar
salário (cf. 1Tm 5:17, na ARC), sendo que foi deste termo que se originou o
vocábulo honorário. Finalmente,
honra pode estar relacionado com preferência, estimando aos outros acima de nós
mesmos (Rm 12:10).
HORAS - Termo usado para designar as
frações de tempo que correspondem à vigésima quarta
parte de um dia. A palavra "dia" (heb. yom), nas Escrituras, indica o período
em que a terra é iluminada pelo sol: é o dia claro. Mas pode indicar também o
dia completo, de vinte e quatro horas. O "dia claro" dos judeus, em
contraste com a noite, era dividido em 12 horas, as quais eram contadas desde o
nascer até o pôr-do-sol (cf. Jo 11:9). Assim sendo, em Mt 20:1-10,
"terceira hora", corresponde a nove horas da manhã; "sexta
hora", ao meio-dia; "nona hora", às três da tarde; e "décima
primeira", às cinco da tarde. Em At 23:23 a "terceira hora da
noite" corresponde às nove da noiite. No
entendimento judaico, o dia completo, de 24 horas, ia de um pôr-do-sol ao
outro. Os judeus dividiam as horas da noite em três vigílias de quatro horas
cada uma (Lc 12:38). Os romanos, por sua vez, contavam quatro vigílias de três
horas cada (Mt 14:25).
IGREJA - A palavra Igreja é de origem grega, formada pela
preposição: ek,
"para fora" e o substantivo kletos
"chamados", ou seja "chamados para fora". Noutras palavras, o verbo grego ekkaleo, significa chamar à
parte, um corpo escolhido e
separado duma grande massa de gente. No uso clássico, ekklesia designa uma assembléia legal, em uma cidade grega, convocada por um arauto,
formada de todos os que possuíam o direito de cidadania para
tratar de assuntos públicos,
ou seja, uma
espécie de "assembléia legislativa". Na famosa versão da Bíblia para os judeus de
fala grega, a Septuaginta, o
termo ekklesia é a
tradução usual do termo hebraico kahal, que denota a multidão inteira de
qualquer povo, unido pelos vínculos de uma sociedade, e
constituindo uma república ou estado. Em
sua significação ordinária, o termo pode ser definido como uma assembléia ou
convocação do povo de Israel. O termo ekklesia aparece no NT cerca de 115 vezes. Destas, três se referem à
congregação hebraica do
Senhor (kahal),
três outras vezes se referem à assembléia grega; e 110 vezes, à Igreja Cristã. No NT, o termo ekklesia designa
uma assembléia específica e local de crentes (Mt 16:18), organizados para
cultuar o Senhor, para o ensino das doutrinas, ordenanças e disciplina do
Evangelho, unidos
sob um pacto especial com Cristo e entre si. Também denota a totalidade do
Corpo dos escolhidos nos Céus e na terra (Mt 18:17); ou seja, todos quantos
foram alcançados pela graça de Deus, que os faz membros do Reino Eterno de
Cristo. A Igreja pode existir
independentemente de ter ou não uma forma vista pelos
homens, pois ela é tanto visível (militante), quanto invisível
(triunfante). A Igreja invisível se compõe de todos os que estão unidos a Cristo. É um organismo eterno. Os seus membros são conhecidos
por Deus, ainda que não seja
possível serem conhecidos totalmente pela vista humana. A Igreja visível compõe-se
de todos os que professam estarem unidos a Cristo; aqueles
que têm os seus nomes arrolados nos livros de registro das suas respectivas
congregações. Não é
sem certo constrangimento que afirmamos que muitas vezes
pode ocorrer da pessoa ter seu nome arrolado entre os membros da Igreja
visível, sem contudo tê-lo escrito no Livro da Vida do Cordeiro.
IMAGEM E SEMELHANÇA - Segundo o ensino claro das
Escrituras Sagradas, o homem foi criado segundo um Tipo
Divino. Sua criação difere
totalmente dos demais seres vivos, sobre os quais lemos que Deus os criou "segundo a sua espécie" (cf. Gn
1:25). Ou seja, eles possuem
formas tipicamente próprias de suas
espécies. No entanto, com relação à criação do homem foi diferente, pois Deus
disse: "Façamos
o homem à nossa
imagem, conforme a nossa semelhança..."
(cf. Gn 1:26). Imagem (heb. selem) e semelhança (heb. demut)
são expressões completamente diferentes e com significados especiais. Mas, o
que vem a ser exatamente "imagem e semelhança"?
O homem como "imagem de Deus", é um ser racional e moralmente responsável. Como "semelhança de
Deus", ele se parece com o Criador em sua natureza mental.
No entanto, dizer que o homem foi criado "semelhança de Deus", não é
a mesma coisa que dizer que o homem foi criado exata e absolutamente igual a Deus. Primeiro,
porque o homem foi
feito corpo visível e palpável, enquanto
que "Deus é Espírito" (cf. Jo
4:24). Segundo, porque homem algum pode alcançar e
se tornar detentor em si
mesmo da absoluta perfeição
do Todo-Poderoso. Quanto a este particular, pergunta o
patriarca Jó: "Porventura
alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à
perfeição do Todo-Poderoso?" (Jó 11:7). Somente Jesus Cristo, o
segundo Adão, possui em Si mesmo o resplendor da glória e a expressão
exata de Deus (Hb 1:3). Só Ele é em
Si mesmo a "...imagem do Deus invisível..." (Cl 1:15).
IMPOSTO - Contribuição obrigatória em dinheiro que os governos exigem de pessoas
ou instituições e que usam para o bem público (1Rs 12). Os Selêucidas e os
Romanos cobravam impostos dos judeus (Mt 17:24-27; 22:15-21; Rm 13:7).
INIQÜIDADE - Termo de origem hebraica, avon, “culpa”, “iniqüidade”,
correspondendo ao grego adikia. No grego, o
termo dikaios, que também pode
significar "justo", "reto", é usado em relação ao Senhor
Jesus Cristo e Seu caráter santo (cf. 1Jo 2:1). Portanto, iniqüidade é "falta de integridade",
"inobservância das leis divinas", "afastamento dos propósitos de
Deus", "culpa", "defeito", "reprovação
divina". Trata-se da falta de retidão moral, da falta de conformidade com
os propósitos de Deus e uma rebeldia contra os princípios de Sua Palavra.
ISLAMISMO - O
Islamismo surgiu a partir das experiência místicas de
Maomé (570-632 d.C.). Maomé
encontrava-se numa caverna, fora de Meca, (610 d.c.), num local chamado Hira.
Subitamente, uma voz foi claramente ouvida por ele, que dizia:
"Lê em nome de teu Senhor, que te criou". Maomé era analfabeto,
porém essa voz soou como se fossem sinos que reverberaram e
logo foi identificada com a voz da anjo Gabriel. A seguir, Maomé teve várias experiências
místicas e assim nascia o Islamismo, com os que aceitaram as suas
revelações e sua autoridade, oito no
total, no seu primeiro ano de missão. No terceiro ano, somavam-se vinte. Atualmente, conta com trezentos
milhões de adeptos e tem-se mostrado fortaleza
desafiadora para o
Evangelho de Cristo.
Oremos pelo mundo islâmico! A Teologia Islâmica está
baseada no Alcorão (árabe
qura), o Livro Sagrado do Islamismo, tido como
eterna palavra de Deus que o anjo Gabriel teria entregado a
Maomé, em 622 d.C. Acerca da Pessoa de
Deus (Alá), o Islamismo ensina o monoteísmo
absoluto, não admitindo absolutamente a
doutrina da Trindade. O mundo
islâmico tem se constituído num grande desafio missionário para a Igreja do último século do segundo
milênio. Naturalmente,
esse desafio é corroborado por questões de
ordem cultural, mas o maior agravante é a questão teológica. Desta
forma, optamos
por deixar para este último item do presente
trabalho, para uma breve, mas
concisa exposição sobre a visão que o Senhor Jesus Cristo desfruta nas tradições
islâmicas. Nos escritos islâmicos, Jesus é chamado de `Isa ibn Maryam, ou seja, "Jesus, filho de Maria",
ao que usualmente acrescentam
Al Masih, "o
Cristo". Nesses escritos, três questões são destacadas: o nascimento
e os poderes miraculosos de Jesus; a vida ascética exemplar de Jesus; e Seu
papel escatológico no esquema religioso
das coisas. Naturalmente,
essas tradições islâmicas
pertencem ao Alcorão. No Alcorão, Jesus aparece apenas como
um ser
humano, isto é, totalmente destituído de divindade. No Islamismo, chamar alguém de
Deus ou afirmar-se que Deus teve um Filho é a pior heresia e blasfêmia. No entanto, o Alcorão
apresenta Jesus como um
homem sobre o qual repousava grande
porção do Espírito de Deus. Jesus
aparece ali como "o porta-voz do Injil" (evangelho). Assim, uma boa porção do Novo
Testamento foi incluída no Alcorão como material digno de fé e de ser posto em
prática. Jesus é considerado pelo Islamismo como a maior figura, depois do
último e maior de todos os profetas históricos, o
penúltimo de uma série de grandes
reveladores, da qual Maomé é o último.
Jesus é retratado como Quem foi elevado aos céus, em um momento de crise sem ter sofrido a crucificação. Seu nascimento virginal
não é negado, tornando-se elemento de peso nas tradições islâmicas. Adornos tomados por empréstimo de apócrifos do Novo Testamento fazem parte desta documentação.
Nas tradições
islâmicas existem elementos por demais curiosos. Por exemplo, elas contam
como Jesus foi capaz de tingir vestes com dez cores diferentes de tintas,
mergulhando-as em um único tanque. Em um
outro relato, Jesus é apresentado a transformar um
grupo de crianças inconvenientes em suínos, para
então ordenar que os porcos se fossem da Sua presença! Compare este relato com o relato canônico de
Mt 19:14. Finalizando,
podemos resumir dizendo que a
figura do Senhor Jesus
Cristo não goza de uma visão
uniforme dentro do Islamismo. Nas tradições islâmicas, Ele é
apresentando "...
como uma poderosa figura escatológica que haverá de vindicar a
fé dos muçulmanos, tornando-a a fé suprema entre todas as
religiões do mundo..." No entanto, alguns movimentos dentro do
Islamismo têm pregado que Jesus foi sepultado em Casemira como um
homem de avançada idade. Quanto ao pecado, no Islamismo há os pecados
graves (kabira)
e os pecados leves (saghira).
Há um pecado imperdoável,
shirk, que
segundo eles, é o pecado da heresia
de associar-se alguém a Deus.
Esse é o fator de maior dificuldade para penetração da fé em Cristo Jesus, O
Filho Unigênito de Deus. Sobre a salvação, o islamismo é essencialmente auto-soterista.
JEJUM - Prática bastante conhecida nas Escrituras, que consiste em deixar de se alimentar por um certo período de tempo
(e.g. 1Rs 21:9). Como prática religiosa, deve ser voluntário, exigindo pureza
de vida (cf. Is 58:3-7), excluindo qualquer forma de ostentação ou publicidade
(Mt 6:16-18). Segundo se observa no NT, em ocasiões ou situações especiais, a
Igreja, seguindo o modelo judaico, era convocada para jejuar (e.g. At 13:2-3;
14:23).
JUDAÍSMO -
Nome pelo qual é conhecido o sistema religioso praticado pelos judeus (Gl
1:13-14). Seus ensinamentos procedem do AT, de tradições orais antigas e do
Talmude. O conjunto de seus ensinamentos e práticas começou a formar-se no
período do Cativeiro, desenvolvendo-se completamente no Período
Intertestamentário.
JUDAIZANTE -
Termo usado para designar um judeu-cristão do primeiro século do Cristianismo,
que insistia na necessidade da observâncias dos
preceitos judaicos, em especial, a Circuncisão. Embora o termo
"judaizante" não ocorra no NT, as atividades deles são mencionadas em
vários lugares (e.g. At 15).
JUSTIÇA - Na língua grega, dike.
É um dos atributos morais de Deus através do qual, ao tratar com as pessoas,
Deus age de acordo com as normas e exigências da perfeição de Sua própria
natureza (Sl119:142). Por isso Deus castiga tanto os
incrédulos (Dt 33:21; Sl 96:13), como o Seu próprio povo (Sl 50:5-7; Is 28:17).
E exatamente por Sua justiça, Ele exerce o Direito com imparcialidade.
Costuma-se definir justiça, ainda, como o ato pelo qual Deus, em Sua graça e em
conformidade com a Sua Aliança, selada com o sofrimento, morte e ressurreição
de Cristo, perdoa as pessoas fracas, perdidas e sem justiça própria,
aceitando-as através da fé (Rm 3:21-26;1Co 1:30;2Co
5:21). Ainda podemos compreender o termo justiça como a qualidade que leva os
cristãos agirem corretamente de acordo com os mandamentos de Deus (Mq 6:8; Rm 6:13,19).
JUSTIFICAÇÃO - O termo Justificação é também conhecido como "absolvição
divina". Justificação é um termo jurídico que descreve aquele
aspecto particular da salvação que consiste em libertação da culpa e penalidade
de pecado. É o aspecto legal da salvação ante Deus como Legislador. É aquele
aspecto no qual o crente se torna tão perfeito quanto se ele nunca tivesse
pecado (cf. Rm 8:33,34).
Podemos entender de forma mais ampla o que é Justificação, analisando Dt 25:1:
"Quando houver contenda entre alguns, e vierem a juízo para que os juízes
os julguem, ao justo justificarão e ao injusto condenarão."
Aqui está claro que nenhuma melhoria moral é incluída. Os
juízes não faziam melhor qualquer pessoa, mas declaravam o que era certo aos
olhos da lei. Um tribunal humano ou juiz podem fazer justiça, justificando o inocente; no
entanto, Deus mantém justiça e aumenta a graça, justificando o descrente:
"Mas, àquele que não pratica,
porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça."
(Rm 4:5). Portanto, Justificação é aquele aspecto da Salvação através da qual
somos declarados justos.
KOINÉ -
Trata-se do terceiro período da história da língua grega. Era a língua comum
falada e escrita nos tempos do NT, nos países da parte oriental do
Mediterrâneo. Possuía vinte e quatro letras. Dos vinte e sete livros do NT,
vinte e cinco, foram escritos em grego koiné. O koiné possui certa semelhança
com o grego moderno.
LOGOS - O termo grego logos tem o sentido
básico de "razão", "palavra", "fala",
discurso", "definição",
"princípio". É também o nome que se aplica à Doutrina do Verbo
Pré-existente. Esta doutrina tem desempenhado um importante papel na
história da Filosofia e da Teologia. Ela tem atuado como uma espécie de
"ponte" entre elas, no tocante a especulações acerca de como o poder
divino manifesta-se no cosmos e no mundo dos homens. O NT aproveitou alguns
elementos da antiga idéia filosófica do Logos para explicar certos
aspectos da doutrina do Filho de Deus e Seu ofício messiânico. Depois de
passar por algumas modificações favoráveis no neoplatonismo e no judaísmo
helenista, foi possível o seu aproveitamento no NT. Influenciado tanto pelo
AT como pelo pensamento helênico, Filo de Alexandria (até 50 d.C.), um dos mais
importantes eruditos judeus helenistas, fez uso freqüente do termo Logos, ao
qual deu um significado altamente desenvolvido e um lugar central no esquema
teológico. Algumas vezes Filo se referia à impersonalidade do Logos como
se fosse a essência imaterial da mente de Deus, de onde teria procedido o
plano e o padrão da criação. Algumas vezes ele falou pessoalmente sobre o
"Logos" como o Anjo do Senhor. Outro fato relevante em relação
a Filo, é que em seus escritos, o Logos aparece com uma função remidora,
tornando-se o meio que leva os homens a uma natureza espiritual
mais elevada. Por este motivo, pode-se delinear neste fato uma grande
aproximação da doutrina do Logos com o Evangelho de João.
LOGOS, A DOUTRINA DO - Os indícios mais antigos sobre a Doutrina do
"Logos" se encontram nos
escritos de Heráclito (600 a.C.). Embora seja verdadeiro que a
palavra "Logos" em si jamais foi usada por ele, o sentido da
palavra realmente foi expresso nos seus escritos. No AT a Palavra é a sabedoria
personificada (João 28:12; Pv 8:9). Também no AT, a Palavra é o Anjo de Jeová.
Algumas vezes esse mensageiro é distinguido do próprio Deus, e
de outras vezes é uma alusão ao próprio Deus (Gn
16:7-13; 32:24-28; Os 12:4,5; Ml
3:1, entre outros). Assim, podemos concluir que no contexto do AT a doutrina do
"Logos" está em evidência, embora não desenvolvido como
um conceito filosófico, como na Grécia. Sempre que estivermos
lidando com a Doutrina do Logos, fatalmente nos depararemos com o glorioso e
todo-especial texto bíblico de Jo 1:1-18. Este texto é tido como prólogo
introdutório do Evangelho de João e tem toda a aparência de haver
sido um poema ou um hino cristão primitivo, com comentários entremeados, nos
quais o estilo é a prosa. Alguns eruditos asseveram que se este
trecho for novamente traduzido ao aramaico o poema poderia ser
restaurado, onde poderá se verificar onze parelhas paralelas de versos. Outros, reputam este prólogo do Evangelho de João, como adaptação
de um hino de louvor à sabedoria. Segundo os eruditos que desposam esta
postura, pode-se captar neste texto a linguagem utilizada em Provérbios e nos
livros apócrifos de Sabedoria de Salomão e Eclesiástico. Sem
importar qual destas duas teorias expressa a verdade, ou se existe ainda
alguma(s) outra(s) teoria(s), mesmo que ainda não tenha sido
descrita e possa se aproximar mais da verdade, o fato é que parece
claramente verdadeiro que a reputação deste trecho como um hino ou
poema, seja verdadeiro. Na verdade, o que nos interessa aqui, é sabermos
que o prólogo do Evangelho de João é uma abertura, cujo tema é o Logos de
Deus, preexistente, encarnado, rejeitado e, no entanto, aquele que revela Deus
aos seres inteligentes.
MAGO - A
palavra "mago"
ocorre várias vezes no AT (e.g.
Êx 7:11; Jr 39:8,13 - Rabe-Mague)
e duas vez no NT, onde os magos chegaram a Belém (Mt 2:1,7,16). O nome
de Elimas é traduzido por
"mágico" na ARA e "encantador" na ARC (At 13:6-8). Em Is
14:12, estrela da manhã refere-se a Vênus e daí, figuradamente, a Satanás. Os magos de Nabucodonosor presumem-se ter sido
astrólogos, como também os magos egípcios antes deles.
MANIQUEÍSMO - Ao contrário do que muitos pensam, o Maniqueísmo não é uma seita
herética, uma vez que seu fundador, Mani, foi um sábio persa, considerado o
último dos gnósticos. Em realidade, Mani fundou uma Religião, no século III
d.C., que chegou a rivalizar-se contra o Cristianismo. Segundo a crença
maniqueísta, Deus é um Deus Teísta; Ele Se revela aos homens. Criam que Mani
era o instrumento especial dessa Revelação, sendo ele o
prometido "paracleto". Ainda criam, que Deus teria Se revelado
mediante a mensagem espiritual de servos escolhidos como Buda, Zoroastro e
Jesus; mas Mani seria o último e maior desses servos de Deus. Os eleitos entre
os seguidores, ou seja, aqueles que aderem à fé de forma séria, seriam os
ascetas, que se abstêm de carne, de qualquer ato de morte, até mesmo de animais
e plantas, e que nunca mantêm relações sexuais. Ainda segundo o Maniqueísmo, haveriam duas raízes em existência, separadas, em conflito e
irreconciliáveis, Uma dessas, é a luz, que resulta no reino da paz e da
bondade, que possuía um "dirigente", a quem chamavam "diretor
dos espíritos". A outra raiz, seriam as trevas, o reino de turbulência e
maldade, e seu governador e seus espíritos, são seres maliciosos e maus. Este
último reino controlaria a matéria, pelo que Mani o considerava por este motivo
é tão mundano, quanto diabólico. Deus é eterno, mas Satanás (o contra-Deus),
foi produzido por elementos tenebrosos. Originalmente esses dois reinos
existiam separados. Mas, finalmente, entraram em choque. Como se pode observar,
o Maniqueísmo é uma Religião que reúne elementos do Judaísmo, Cristianismo,
Budismo, Dualismo e Gnosticismo.
MATERIALISMO - Termo utilizado para designar a idéia de que
a única realidade é a matéria. O homem
seria meramente um animal, por isso mesmo não é responsável por suas atitudes e
atos. Os materialistas ensinam que os diferentes tipos de
comportamentos físicos e psíquicos humanos são simplesmente movimentos da
matéria. Por conseguinte, o homem não tem de quê nem a Quem prestar
contas. Ora, se o homem, a obra máxima da criação divina, não é aquilo que a
Bíblia diz ser, todos os perenes valores expressos nas Escrituras,
inclusive os relacionados com a existência de Deus, são nulos.
METÁFORA,
METAFORICAMENTE - A Metáfora é um dos mais ricos e essenciais
recursos da arte de escrever. A Bíblia está recheada de Metáforas, as quais,
por sua vez, fazem parte das chamadas Figuras de Linguagem. Trata-se da
transferência de um termo para outro campo semântico, por uma comparação
subentendida. Ou ainda, da substituição de um termo por outro equivalente e
mais compreensível. Alguns exemplos de Metáforas na Bíblia: "Cabeça da
Igreja"; "Seio de Abraão"; "Filho da Perdição";
"Espinho na Carne".
MILÊNIO - O
termo Milênio, vem
do latim mille, mil e
annus, ano. Isto é, mil anos. O termo
grego chiliasma, também
é usado para aludir ao "milênio". Milênio é
o termo que designa o período de tempo compreendido entre o aprisionamento de Satanás e a sua última Revolta, a Batalha de Gogue e Magogue. Será um período marcado
pela paz e pelo Governo perfeito de Jesus, assinalando o começo da 7ª e última dispensação. Esse período de mil anos de Governo de Jesus
Cristo ainda não é o princípio de
um mundo novo, mas tão-somente o fim
de um mundo antigo. Haverá um Governo
perfeito durante o reino milenar de Cristo e seus santos; mas
não haverá um mundo perfeito. No seu aspecto mais
abrangente, o Milênio terá os seguintes
propósitos: a) fazer convergir em Cristo todas as coisas, isto é, toda criação
(Ef 1:10); b) estabelecer a justiça e a paz na terra, eliminando toda rebelião contra
Deus (1Co 15:24-28); c) fazer convergir nele (isto é, no Milênio), todas as
alianças da Bíblia (Ef 1:10); d) fazer Israel ocupar toda a terra que lhe
pertence e fazê-lo cabeça das nações (Gn 15:18; 1Cr 16:15-18; Is 11:10); e e)
cumprir as profecias a respeito do Messias (Dn 9:24).
MINISTÉRIO - Entre outras
informações, o Dicionário da Língua Portuguesa nos diz que Ministério é
"trabalho ou serviço na Igreja". Biblicamente, entendemos que todo
serviço cristão que se desempenha de modo contínuo é um Ministério. Desde a
liderança até tarefas operacionais permanentes. Um trabalho eventual não pode
ser assim considerado. Eis aí um fator que serve até para diferenciar
ministérios e dons espirituais. Existem quatro termos gregos que se relacionam
ao vocábulo "ministro" e "ministério". São eles: huperetai, leitourgos, sunergon e diakonos.
MISTICISMO - O termo básico grego é mustes, ou seja, "iniciados nos mistérios", cuja origem é o vocábulo grego musterion, que significa "mistério", &